Biblioteca é inaugurada onde era o Carandiru

No espaço onde as palavras voam, tudo é um convite ao prazer de se deixar levar pela imaginação. No local, a formalidade das bibliotecas tradicionais é página virada.

Um lugar que virou sinônimo de violência, em São Paulo, acaba de passar por uma transformação.

No espaço onde as palavras voam, tudo é um convite ao prazer de se deixar levar pela imaginação. No local, a formalidade das bibliotecas tradicionais é página virada.

“Eu fico pensando como se eu estivesse dentro do livro”, conta Alanda Silva, de 11 anos.

A biblioteca com cara de livraria tem prateleiras baixas, capas escancaradas e os 30 mil livros do acervo distribuídos por faixa etária. Grace dos Santos, de 9 anos conta que o espaço pode convencê-la a ler mais: “Ele é bonito, interessante, tem muita coisa legal”.

Já a história do lugar não é das mais bonitas. No local, funcionava a penitenciária do Carandiru, palco de rebeliões. Em uma delas, em 1992, o complexo foi invadido por policiais e 111 presos morreram. O prédio foi demolido. Onde havia celas super lotadas, agora há estantes cheias. Computadores e modernos leitores de livros digitais já desembarcaram pelo local.

“Com o propósito nosso, o que tiver no mercado editorial sendo lançado ao mesmo tempo que vai para a livraria vem para a biblioteca”, diz a idealizadora da biblioteca, Adriana Ferrari.

Todo empréstimo de livro é uma relação de confiança e essa biblioteca resolveu dar um passo adiante. Qualquer usuário cadastrado pode escolher o livro e levá-lo para casa, sem intermediários. No terminal de autoatendimento, basta passar a carteirinha, o livro e a saída é liberada.

Há outras inovações, como a sala para maiores de 18 anos, que tem livros eróticos e de conteúdo violento. E um espaço adaptado para pessoas com deficiência física e visual.

Um equipamento escaneia os livros e transforma a palavra escrita em falada.

“Você não tem a mesma velocidade para transcrever e adaptar materiais do que o mercado editorial lança obras. Então você abre uma possibilidade de usar a mesma coisa. De ser universal. De ser público de fato”, diz o advogado Daniel Monteiro.

Fonte: Globo.com
Data: 08/02/2010