Os cientistas recebem muito pouco treino de análise interpares, então aqui está um método para os papéis de revisão de pares de forma eficaz de acordo com o pesquisador Mathew Stiller-Reeve
Os cientistas não recebem treinamento suficiente para a revisão/análise interpares. Para melhorar esta situação, um pequeno grupo de editores desenvolveram um fluxo de trabalho para guiar os revisores para entregares análises úteis e minuciosas que podem realmente ajudar os autores a melhorarem suas publicações.
A sugestão é a de que o pesquisador realize três leituras de um artigo, concentrando-se em um elemento diferente a cada vez. A cada ponto, lembre de classificar seus comentários como falhas maiores ou menores. Falhas importantes precisarão de um tempo considerável para explicar ou corrigir.
A primeira leitura é para ter uma impressão geral do artigo e de seus objetivos. Faça anotações durante a leitura e certifique-se que o conteúdo está dentro do escopo do periódico (é improvável que não esteja, mas responder a esta questão lhe força a entender melhor sobre a pesquisa e pensar sobre o objetivo que o artigo quer atingir).
Anote particularmente as partes do texto nas quais você tem mais conhecimento/expertise. Os editores não esperam que você seja um especialista em absolutamente todos os aspectos do artigo, embora eles também não queiram que você seja um novato. Seja sincero e honesto com os autores e o editor sobre quais aspectos científicos você vai focar em sua análise.
Após a primeira leitura, tente “espelhar”/descrever o artigo escrevendo, em detalhes, sua compreensão da ciência. Isso diz aos autores como você – o leitor – interpretou os objetivos, resultados e novidades de suas pesquisas. Se eles não concordarem com sua análise, eles devem, a partir de seus comentários, entender que isso não é sua culpa. Sua análise é uma mensagem clara de que os autores precisam trabalhar em como eles comunicam suas pesquisas.
Você pode ainda notar falhas “fatais” durante sua primeira leitura. Esqueça pequenas ou grandes falhas: uma falha fatal é aquela que interrompe o processo de revisão em seu caminho. Não há muito sentido em continuar o processo se o método estiver fatalmente defeituoso, se uma seção inteira estiver faltando ou se o documento estiver totalmente ilegível. Descreva todas as falhas em sua análise e envie-as. Dependendo do periódico, você pode ter a opção de “rejeitar, mas reenviar” ou ainda simplesmente rejeite o artigo.
Se você não encontrou falhas “fatais”, continue para a segunda leitura – lembre-se você ainda precisa de tempo, paz e silêncio. A segunda leitura permite que você se concentre nas “porcas” e “parafusos” da pesquisa como o método, a análise e as conclusões. Lembre-se de distinguir entre questões maiores e menores e de ler o texto em ordem cronológica. Algumas perguntas que podem ser feitas:
- O resumo e a introdução identificam claramente a necessidade da pesquisa e sua relevância?
- A metodologia direciona as questões principais de forma apropriada?
- Os resultados foram apresentados de forma clara e lógica e estão justificados nos dados apresentados? As figuras estão descritas de forma clara e completa?
- As conclusões respondem as questões principais apresentadas pelos autores na introdução?
É particularmente importante se assegurar de que as questões apresentadas na introdução são apropriadamente respondidas nas conclusão.
Neste ponto, uma boa ideia é deixar o texto de lado por alguns dias e depois voltar aos detalhes com mais atenção.
Durante a terceira e última leitura, você deve se concentrar na escrita e na apresentação. A ciência pode ser ótima, mas uma “composição” pesada e uma estrutura bagunçada podem atrapalhar a mensagem principal do texto. Se você fez comentários sobre a escrita, certifique-se de divulgá-los. Não anote apenas “isso está mal escrito”, sugira aos autores como tornar o texto mais coerente e fundamentado. São exemplos de questionamentos: “o artigo foi dificil de ler porque os parágrafos não fluíram juntos? os autores inundaram o texto com acrônimos confusos?”
Você não precisa “editar” o artigo – esta é uma tarefa do periódico que solicitou sua revisão. Mas algumas sugestões para melhorar a linguagem são geralmente bem-vindas, e são uma parte importante do processo de revisão por pares.
Você deve agora ter uma lista de comentários e sugestões para uma revisão poe pares. O documento completo da revisão deve incluir as seguintes seções:
- Introdução: o texto “espelha” o artigo, informa a experiência e se o artigo é publicável ou possui falhas “fatais”;
- Falhas maiores
- Falhas menores
- Outros: sugestões menores e comentários finais.
Leia atentamente a revisão, e preferencialmente em voz alta: se você tropeçar ao recitar seu próprio texto, então os leitores provavelmente farão o mesmo. Lendo desta forma você vai ainda poderá perceber como suas críticas podem soar aos ouvidos dos autores. Assegure-se de que suas críticas sejam construtivas e não ofensivas. Às vezes, você deve submeter uma crítica dura, mas nunca uma crítica rude. Lembre-se de aderir sempre à “regra de ouro” da revisão por pares: “revise para os outros como você gostaria que outros revisassem para você”.
Confira o guia completo (em inglês)
Fonte: Tradução do texto de Mathew Stiller-Reeve para Nature

