De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres no Brasil (excluídos os tumores de pele não melanoma). Para 2019, foram estimados 59.700 casos novos, o que representa uma taxa de incidência de 51,29 casos por 100 mil mulheres. Em 2020 foram aproximadamente 2,3 milhões de novos casos em todo o mundo, representando 24,5% dos casos novos de câncer em mulheres.
Apesar dos números altos, o câncer de mama pode ser tratado e curado, quanto mais cedo ele for detectado, melhor. Se o tumor for detectado em estágio inicial (menos de 1 centímetro), as chances de cura chegam a 95%, mas é preciso ficar atento pois os sinais e os sintomas podem variar, e muitas pessoas podem não apresentar nenhum deles. No estágio inicial, a doença pode começar assintomática, ou apresentar algumas alterações como um nódulo único e endurecido na mama, deformidade, inchaço de toda ou parte de uma mama (mesmo que não se sinta um nódulo), irritação ou abaulamento de uma parte da mama, dor na mama, mamilo, inversão do mamilo, eritema (vermelhidão) na pele ou edema (inchaço) da pele.
Ao observar qualquer um desses sintomas procure um profissional de imediato, como um mastologista ou ginecologista. Os médicos são fundamentais nesse processo pois além do diagnóstico, são os profissionais capacitados responsáveis por definir o tratamento mais adequado para cada paciente conforme as diretrizes atuais. O mastologista, oncologista e radioterapeuta fazem parte da equipe multidisciplinar envolvida no tratamento.
Prevenção
A Dra. Andréa Pires Souto Damin, professora Adjunta do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina/UFRGS e Chefe do serviço de Mastologia do HCPA explica que a prevenção ao câncer de mama está dividida em dois níveis: a primária, com o objetivo de evitar a ocorrência da doença, e a secundária, que auxilia na detecção do câncer. “Para o câncer de mama, como prevenção primária a manutenção do peso adequado, não ingerir bebidas alcoólicas e a realização de exercícios físicos. A prevenção secundária é baseada na realização de mamografia, onde se detectam tumores pequenos, com impacto significativo na sobrevida, levando a redução de mortalidade de 30%”, exemplifica a professora.
Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama estão: menopausa tardia, menarca precoce (primeira menstruação ocorre antes dos oito anos de idade), gestação tardia, histórico familiar de câncer de mama (parentes de primeiro grau), e obesidade.
Os exames são indispensáveis para diagnosticar o câncer de mama e a recomendação é de que a mamografia seja realizada anualmente a partir dos 40 anos. Esse exame tem como finalidade estudar o tecido mamário e pode detectar um nódulo, mesmo que este ainda não seja palpável. Embora seja raro, cerca de 12% dos casos, existe a possibilidade de mulheres mais jovens desenvolverem o câncer de mama, por isso o autoexame é essencial. Ele pode ser feito no conforto de sua casa, mas é preciso ter uma noção de como aplicá-lo de forma segura e eficaz, o mais importante é ter um autoconhecimento das mamas, e perceber possíveis alterações. O autoexame pode ser realizado de duas formas: em pé ou deitada, conforme instruções abaixo.
Em pé: de frente para o espelho, observar o bico dos seios, a superfície e o contorno das mamas. Em seguida, levantar os braços e verificar se há alguma alteração.
Deitada: apalpar a mama esquerda com a mão direita com movimentos circulares suaves, apertando levemente com a ponta dos dedos. Essa é uma maneira de se autoconhecer e assim perceber alterações para procurar um profissional.
No banho: com a pele molhada ou ensaboada, elevar o braço direito e apalpar a mama suavemente com a mão esquerda estendendo até a axila. O mesmo se faz com o outro lado.
Fonte: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2017/10/17/outubro-rosa-saiba-como-fazer-o-autoexame/
No estado do Rio Grande do Sul 42% das pacientes com diagnóstico de câncer de mama têm menos de 50 anos. A FEMAMA – Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama informa que no Brasil mais de 40% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres com menos de 50 anos. Com uma taxa de 13,68 óbitos/100 mil mulheres em 2015, a mortalidade por câncer de mama (ajustada pela população mundial) apresenta uma curva ascendente e representa a primeira causa de morte por câncer nas mulheres brasileiras. O Sul e o Sudeste são as regiões que apresentam as maiores taxas de mortalidade, com 15,26 e 14,56 óbitos/100 mil mulheres em 2015, respectivamente. Já o câncer de mama em homens é bem mais raro, eles são diagnosticados mais tarde, em média aos 72 anos. O risco de câncer de mama aumenta se parentes próximos da família tiverem câncer de mama. Cerca de 20% dos homens com câncer de mama têm um parente próximo (do sexo masculino ou feminino) com a doença. Isso significa que, por mais que as mulheres tenham maior probabilidade de desenvolver o câncer de mama, esta não é uma doença exclusiva delas.
Embora o Outubro Rosa seja o mês destinado à divulgação do câncer de mama, é importante que a sociedade fique atenta durante todo o ano. Não se esqueça: ao observar alguma alteração na mama, procure um médico.