Contexto social: a escola além do currículo

Rene Almeida

Como em várias esferas da sociedade, o poder aquisitivo e a etnia influenciam nas oportunidades que são dadas ao sujeito. A Escola Estadual de Educação Básica Gentil Viegas Cardoso fica na periferia de Alvorada (RS) e maioria dos alunos se desloca a pé para as aulas, já que reside nos arredores.

Se para entrar na universidade pública há políticas de ações afirmativas que visam a garantir oportunidades iguais, é de se supor que escolas localizadas em regiões de maior vulnerabilidade social mereçam mais atenção. É também o entendimento da coordenadora de projetos do Movimento Todos Pela Educação, Thaiane Pereira. Ela defende que é preciso atenção especial do poder público com colégios de regiões de periferia: “Equidade é dar oportunidades iguais, independentemente das condições do estudante”.

 

 

Já a professora do curso de pedagogia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Patrícia Camini, especialista em alfabetização, afirma que há questões que só aparecem para o Estado ou para os pais quando o professor percebe. Problemas de visão, saneamento básico e assistência médica são alguns itens que também influenciam na aprendizagem. “O Estado precisa garantir outras bases para a formação que não estão só na escola. Às vezes, foge do pedagógico o aluno aprender. Se ele não está sendo atendido no posto de saúde, não dorme direito, muitas vezes é interpretado como problema de comportamento.” A pedagoga lamenta o fato de professores reduzirem o nível de exigência dos alunos em escolas de periferia para evitar um grande número de reprovações.

De acordo com a Seduc (Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul), “os recursos destinados para as escolas atendem às necessidades de manutenção e demais despesas contínuas, bem como das ações pedagógicas”. O órgão esclarece que as verbas são aplicadas “com base no número de alunos matriculados na educação básica pública, conforme os dados do último Censo Escolar (2018)”. Para as instituições localizadas na periferia, a Seduc informa que “existem programas federais cuja adesão é de autonomia da escola. Além disso, elas possuem autonomia para adaptar seus currículos de acordo com sua realidade e o território do qual fazem parte”.


Introdução


Os pais: mais do que levar à escola, é preciso incentivar


Reprovação nos anos iniciais: diferentes pontos de vista


Ora aliado, ora vilão: celular é motivo de polêmica


Alunos de inclusão: aumenta o desafio


FOTO: Rene Almeida/Humanista

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