Rene Almeida
O medo de reprovar é um sentimento que costuma rondar os estudantes no ambiente escolar. Entre os educadores, o tema é motivo de discussão e parece estar longe de haver consenso. Desde 2010, resolução do CNE (Conselho Nacional de Educação), que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais, recomenda que não deva haver reprovação nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental. Segundo o documento, as três séries iniciais constituem o ciclo da alfabetização e letramento. Ao final dele, quando a criança tiver oito anos, deve estar alfabetizada.
A Secretaria da Educação do Rio Grande Sul justifica a não reprovação dos alunos nos primeiros anos “para evitar que as crianças de seis anos sejam submetidas prematuramente à cultura da repetência e que não seja indevidamente interrompida a continuidade dos processos educativos”. Entretanto, a nova BNCC (Base Nacional Comum Curricular), aprovada em 2017, antecipa o fim da alfabetização para o final do 2º ano do Ensino Fundamental, quando os alunos têm sete anos. Segundo reportagem do portal G1, o MEC (Ministério da Educação) já estaria estudando a possibilidade de “priorizar” a alfabetização das crianças no 1º ano do Ensino Fundamental. As escolas têm até 2020 para adotar a nova diretriz.
Promoção sem conhecimento
Na Escola Estadual Gentil Viegas Cardoso, a orientação de não reprovar nas séries iniciais é entendida como equivocada, pois causa déficit para alunos no final do ciclo de alfabetização, quando há muitas reprovações. A professora Denise Tavares, da turma de 3º ano do Fundamental, conta que recebe estudantes que ainda não estão alfabetizados. Para ela, a orientação do MEC é arbitrária. “Antigamente, se a criança estivesse na 1º série e não atingia os objetivos, era reprovada. Hoje, não. Atingindo ou não, [o aluno] é promovido. Não é uma questão do professor querer ou não passar. Quem já definiu que o aluno já está passado é o governo. O que é um grande erro. [O estudante] queima aquela etapa”, contesta.
A supervisora da escola, Cristina Coelho, questiona a forma como os pais encaram os primeiros anos do aluno no colégio.
Os reflexos da não reprovação nos anos iniciais podem aparecer também nos números. Para o vice-diretor, Julio Idiarte, as avaliações do governo precisam ser vistas de forma mais ampla.
As consequências de uma alfabetização problemática podem acompanhar o sujeito para o resto da vida. A professora de português dos 2º e 3º anos do Ensino Médio Andreia Guimarães afirma que a cada ano há um déficit maior nos alunos. “A grande dificuldade é na produção textual. Não iniciam parágrafo, nomes próprios aparecem com letra minúscula, não conseguem fazer início, meio e fim de um texto. Há muita dificuldade de interpretar um enunciado, não só no português, mas em outras áreas também.” A educadora acredita que os professores, em geral, baixaram o nível de exigência nos últimos anos devido à defasagem dos alunos. Conforme ela, no Ensino Médio acaba-se tendo que suprir conteúdos que seriam do Fundamental. Como consequência, o aluno sai da escola sem ter aprendido todos os conteúdos previstos.
Mudança de métodos
Além das consequências educacionais, a reprovação pode causar frustrações emocionais nas crianças. É o que defende a coordenadora de projetos do Movimento Todos Pela Educação, Thaiane Pereira. Ela é a favor da não reprovação nos dois primeiros anos do Ensino Fundamental e avalia que não adianta repetir o método que já foi ineficiente uma vez. “Mais importante do que reprovar ou não é que as redes de ensino se preocupem em criar programas de recuperação e reforço para essas crianças, tendo em vista métodos de ensino e aprendizagem inovadores”, salienta.
Já a professora do curso de pedagogia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Patrícia Camini, que também é a favor da não reprovação no 1º e 2º anos do Ensino Fundamental, ressalta, por outro lado, que é preciso mudar o método para que o aluno possa assimilar o conteúdo. A professora defende uma renovação nas metodologias para que a reprovação não seja o único meio de informar para o governo que a aprendizagem está deficitária.
Patrícia também alerta para os métodos de ensino. Segundo ela, o professor precisa ter um vasto repertório de metodologias e ser capaz de identificar qual é a mais eficiente em cada caso. Quanto à falta de importância que os pais dão ao primeiro ano, como relatado pela supervisora Cristina, a professora da UFRGS afirma que a escola tem de orientar os responsáveis sobre importância do primeiro ano de alfabetização. “Muitas vezes, confunde-se 1º ano com educação infantil. A alfabetização seria o que deu para fazer. Não é isso, há metas de aprendizagem e isso precisa ser ajustado.”
Justificar os números ruins da alfabetização brasileira requer uma análise profunda de todos os fatores que influenciam no processo. Não é uma tarefa de simples resolução. É preciso investimento, debate e prática para poder alcançar resultados melhores. O que parece inadmissível é que adultos continuem encarando o simples fato de juntar as letras como um bicho-papão.
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FOTO: Rene Almeida/Humanista





Do quinto ano do ensino fundamental 1 pode reprovar o aluno gostaria de saber
Caro Jorge,
Sim, os alunos podem ser reprovados a partir do terceiro ano do ensino fundamental. A resolução de não reprovação é válida apenas para alunos do primeiro e segundo ano do ensino fundamental.
Att,
Portal Humanista.
Boa tarde! Meu filho está no 1 fundamental eu posso matricular ela no 2 fundamental mesmo ele não tendo acabado o fundamental 1 ir causa da pandemia
Prezado Emerson,
Não sabemos. Sugerimos que o senhor entre em contato com a escola em que o seu filho está matriculado!
Att,
Portal Humanista.
Eu concordo plenamente com o governo.
Fui uma criança que foi repetente por não saber ler na alfabetização.
E só eu sei o quanto isso me prejudicou,o quanto baixa uma autoestima de uma criança , às vezes até se sentindo incapaz. No ensino médio tive as melhores notas e sempre passei por média e hoje faço faculdade. Então atrasar uma criança é uma atitude que deve ser repensada.
Boa noite
Minha filha está com sete anos, não consegue ler. Vejo muitos sinais que os professores estão com as metodologias erradas sobre a alfabetização, como foi descrito acima. Os pais tem que ajudar, concordo porém, não somos professores, não estudamos para isso. Estou muito frustrado com essa situação.
Nilo, passo pela mesma coisa. E mesmo conversando, acabaram jogando tudo pra mim, foi quase um “se vira”… Estou sem saber o que fazer. Reforço 3 vezes por semana, inclusive nas férias e ainda repetir? Talvez seja melhor para o desenvolvimento total dela, ainda mais agora com pandemia. Antes não tinha isso, agora tem e não foi pouco o que prejudicou nossas crianças. Acredito que tudo deva ser repensado! Estou frustrada também e desesperada!
Minha mãe tinha estudado até o segundo ano primário quando alfabetizou três filhos e os acompanhou em seus estudos até terminarem o que chamamos hoje de ensino fundamental.
Eu repeti 3 anos na primeira série e não reclamo mais antes agradesso, pois foi desta forma que pude ter um ensino melhor nos anos subsequentes. Fico triste ao ver alunos no sexto ano que não sabe ao menos assinar o nome. Me digam como o MEC pode deixar isso acontecer????? Gente acorde vamos ter daqui a pouco uma multidão de analfabetos fucionais. Todos os dias ensino meus filho em casa com medo que eles venham a passar por uma situação de alguem pedir para escrever o nome e a resposta ser: “EU NÃO SEI”.
Reprovei no segundo ano do fundamental , foi a melhor coisa que me aconteceu porque eu era bastante imatura comparada a outras crianças da mesma idade. Depois que repeti já estando mais velha foi muito mais fácil e mais adequado no aprendizado e também nas relações com os colegas. Reprovar de ano foi a melhor coisa que me aconteceu naquele período. Porém é necessário dizer que minha família jamais me deixou entender a reprovação como algo ruim, mas sim como uma nova chance de fazer melhor. Hoje minha filha estuda em uma escola pública onde crianças no quinto ano não sabem ainda ler. Acho válido respeitar o tempo de cada um mas como ficam os alunos que estão mais adiantados? Que motivação eles terão para continuar se esforçando?
Tenho 37anos
E desda minha época de ensino não tinha reprova, não reprovei nos anos q podia reprovar, estudei até o 1° colegial e parei…
Cheguei longe , mas não aprendi nada, infelizmente.
E não quero isso pras minhas filhas, tenho gêmeas de 6 anos e uma bebê de 1 ano.
As de 6 anos não sabem juntar b com a, não sabem juntar números.
E já fui em TD lugar pra escola poder segura Las mas ninguém me ajuda.
Acho muito injusto fazerem isso com elas…SE ELAS NÃO CONSEGUE ACOMPANHAR O 1°ANO, IMAGINA ELAS NO 2°.