Ora-pro-nóbis no recheio, histórias no tempero: o matambre no Banquete da Sociobiodiversidade

SocioBioCotidiano | Entre mãos que temperam, amarram e cuidam, o matambre vira receita de encontro e afeto

*Foto: Luisa Penz da Rosa

O forno aquecido, o cheiro da carne dourando no óleo, a expectativa crescendo a cada volta do barbante. O matambre recheado com cenoura, cebola e ora-pro-nóbis foi um dos pratos que ganhou vida no Banquete da Sociobiodiversidade — e como tudo ali preparado, nasceu do coletivo. Foi preparado em conjunto, entre saberes, trocas e muitas mãos que trabalharam lado a lado.

A proposta era cozinhar com ingredientes da sociobiodiversidade, valorizando aquilo que nasce da terra e alimenta também a memória. A cada fatia de cebola, cada rodela de cenoura, cada folha de ora-pro-nóbis colocada no recheio, havia mais do que técnica: havia partilha.

A cozinha coletiva reuniu alunos do curso técnico em Agroecologia da Escola Família Agrícola da Região Sul (Efasul), do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) da UFRGS e da especialização em Gastronomia Cultural da UFRGS e da UFCSPA. Sob a orientação da gastrônoma e mestranda do PGDR Ana Luiza Pasquali de Oliveira, com apoio das professoras Bruna Gewehr (UFCSPA) e Gabriela Coelho-de-Souza (UFRGS), o prato foi tomando forma.

Servido sobre folhas de bananeira, o matambre foi símbolo de trabalho coletivo, de cuidado com o território e de celebração de uma culinária que abraça quem participa dela.

E, embora tenha sido feito em grande quantidade para o banquete, a receita pode ser facilmente adaptada para cozinhar em casa, trazendo para a mesa um pouco do que se viveu naquele dia: sabor, união e memória.


  • 6 kg de matambre (recomendado 1 peça por 1kg)
  • Ora-pro-nóbis a gosto
  • 4 cebolas fatiadas finas
  • 8 cenouras em rodelas
  • Orégano
  • Sal
  • Pimenta
  • Óleo
  • Barbantes
  • Folhas de bananeira (para empratamento)
  1. Com ajuda de facas e tábuas, abra a peça de matambre, retirando o excesso de gordura e deixando em formato de manta. Enquanto isso, corte as cenouras em rodelas, fatie as cebolas e separe as folhas de ora-pro-nóbis.
  2. Tempere a carne com sal, pimenta e orégano em ambos os lados.
  3. Disponha as cenouras, as cebolas e as folhas de ora-pro-nóbis sobre a carne, no sentido da largura. Enrole e amarre bem com barbante culinário.
  4. Em panela quente com óleo, sele a carne até dourar. Transfira para uma assadeira com um pouco de caldo no fundo, cubra com papel alumínio e leve ao forno pré-aquecido a 160 °C por 1h30.
  5. Retire o alumínio e deixe assar até dourar. Se houver excesso de líquido, retire antes da finalização.
  6. O ponto ideal é de carne macia, que se deixa cortar com facilidade. Retire os barbantes antes de servir.
  7. Para finalizar, disponha o matambre fatiado sobre folhas de bananeira.

O matambre recheado com cenoura, cebola e ora-pro-nóbis é memória enrolada com barbante, é sabor que guarda território, é a prova de que quando a cozinha é coletiva, o alimento ganha outra força.


Sandreli Bandeira é turismóloga e jornalista, escreve sobre saberes e sabores, interligando diversas áreas. É tutora e integrante do Núcleo de Comunicação do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.
Gabriela Coelho-de-Souza é diretora do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), professora do PGDR e coordenadora do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.

Quinzenalmente, estudantes e pesquisadores ligados ao curso de especialização em Gastronomia Cultural apresentam receitas e reflexões que valorizam os alimentos da sociobiodiversidade. A seção tem curadoria de Sandreli Bandeira e Gabriela Coelho-de-Souza.

Nesta edição, a produção da receita foi realizada dentro do projeto Banquete da Sociobiodiversidade, de forma coletiva, pelos alunos e professores das instituições participantes.


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