Purê de batata da terra e milho crioulo na chapa

SocioBioCotidiano | Na mistura de raízes e grãos se descobre o poder do cozinhar coletivo

*Foto: Luisa Penz da Rosa

Na mesa farta do Banquete da Sociobiodiversidade, também teve aquele prato que, à primeira vista, parece simples — mas que, no coletivo, revelou sua força: o Purê da Terra com Milho Crioulo Chapeado.
O preparo uniu o sabor doce das raízes do Pampa ao milho crioulo, tão presente nas roças dos jovens agricultores. Na partilha, até o simples encanta, e tubérculos e grãos se tornaram lembrança afetiva.

A cozinha foi tomada pelo vai e vem de alunos da Escola Família Agrícola da Região Sul (Efasul), do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS e da especialização em Gastronomia Cultural da UFRGS/UFCSPA. Orientados pela gastrônoma e mestranda Ana Luiza Pasquali de Oliveira (PGDR), com apoio das professoras Bruna Gewehr (UFCSPA) e Gabriela Coelho-de-Souza (UFRGS), eles descascaram, cozinharam, amassaram e douraram, sempre em roda — porque o prato também se fez no encontro.

E, claro, embora tenha sido servido em grandes travessas no banquete, essa receita pode — e deve — ser fracionada para caber em qualquer mesa de casa.


  • 8 a 10 kg de tubérculos variados (batata, batata-doce, inhame)
  • 500 g de manteiga
  • 1l de leite
  • Sal a gosto
  • Papel alumínio
  1. Higienize os tubérculos, lavando-os bem e deixando de molho em solução clorada por 10 a 15 minutos. Enxágue e escorra.
  2. Para agilizar o preparo em grande quantidade, cozinhe parte dos tubérculos em água e asse a outra parte no forno, embrulhada em papel alumínio, até ficarem macios.
  3. Ainda mornos, amasse bem os tubérculos junto com a manteiga e metade do leite.
  4. Leve ao fogo baixo, mexendo até formar um creme homogêneo. Ajuste a textura com o restante do leite.
  5. Tempere a gosto e mantenha aquecido até servir.
  • 20 espigas de milho
  • Óleo ou manteiga
  • Sal a gosto
  • Cozinhe as espigas em água com sal por 10 a 20 minutos, até que os grãos fiquem macios.
  • Deixe esfriar levemente e debulhe.
  • Aqueça uma panela ou chapa com óleo ou manteiga e doure os grãos.
  • Tempere a gosto e sirva junto com o purê

Na mesa do banquete, o purê aveludado encontrou o milho tostado e ganhou olhares de surpresa: era como se o alimento servido tivesse cor, cheiro e aconchego.

Simples, nutritivo e cheio de significado, o prato lembrou que respeitar o que a terra dá, cozinhar em coletivo e partilhar são gestos de celebração — ao alimento, à cultura e ao encontro.


Sandreli Bandeira é turismóloga e jornalista, escreve sobre saberes e sabores, interligando diversas áreas.  É tutora e integrante do Núcleo de Comunicação do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.
Gabriela Coelho-de-Souza é diretora do Centro Interdisciplinar Sociedade, Ambiente e Desenvolvimento (CISADE), professora do PGDR e coordenadora do Curso de Especialização em Gastronomia Cultural.

Quinzenalmente, estudantes e pesquisadores ligados ao curso de especialização em Gastronomia Cultural apresentam receitas e reflexões que valorizam os alimentos da sociobiodiversidade. A seção tem curadoria de Sandreli Bandeira e Gabriela Coelho-de-Souza. 

Nesta edição, a produção da receita foi realizada dentro do projeto Banquete da Sociobiodiversidade, de forma coletiva, pelos alunos e professores das instituições participantes. Também tivemos uma participação especial dos alunos do polo de São Lourenço do Sul que trabalham com o Bioma Pampa.


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