Câmpus Centro | Designer da Secom comenta como sua arte representa a Universidade
*Foto de capa: Rosane Vieira – sugestão de Flávio Dutra
Por onde caminha na UFRGS, Rosâne Vieira tem o olhar atento às paredes que carregam os murais assinados com sua identidade visual. Como designer da Secretaria de Comunicação (Secom), ela é responsável pelo desenvolvimento de materiais gráficos dos mais diversos setores e eventos da Universidade, tendo o Salão UFRGS como seu cliente mais ávido.
As saudades de Rosâne são espalhadas. Desde 1979 na UFRGS, ela é formada em Artes Plásticas, fez Licenciatura em Educação Artística e por último o mestrado em Design. Nesses quase 40 anos dentro da Universidade, ela coleciona momentos marcantes: o projeto do atual diploma da UFRGS na Casa da Moeda, que tem assinatura sua; a inauguração da restauração dos prédios do Setor de Patrimônio Histórico (SPH/UFRGS), em especial, o prédio da Rádio da Universidade; o espetáculo da Escola de Samba da Portela nas comemorações dos 80 anos da UFRGS; e muitos outros momentos que construíram sua passagem pela Universidade.
Mas, afinal, qual seria o passado que ela gostaria de voltar a viver? “Se pudesse me transportar para o passado, com certeza iniciaria outra vez no Instituto de Artes, me transportaria para o meu ingresso na UFRGS, quando passei no vestibular, e começaria tudo outra vez, só que com mais experiência. É muito bom estar aqui”, responde.
Sua rotina era renovada diariamente: sempre com um projeto novo em mãos – entre cafezinhos no Bar do Antônio, caminhadas na Redenção na hora do almoço, e mais cafezinhos por todo o Câmpus Centro. Na Secom desde 1992, uma das suas maiores saudades são os colegas que se aposentaram, saíram ou trocaram de ambiente.
“É um local de muito crescimento. Eu não teria desenvolvido todo meu trabalho se não tivesse conhecido pessoas que, concordando ou discordando, me influenciaram na forma de ver as coisas e na forma de criar”
Rosâne Vieira
Enquanto outros setores da Universidade saem pra comemorar aniversário de servidores, na Secom a confraternização era no próprio local de trabalho. Segundo Rosâne, sempre que alguém fazia aniversário, tinham como hábito levar um bolinho para comemorar. Nas festas juninas rolava até cachorro quente, que era muito bem aproveitado pelos servidores, virando café da manhã e almoço de alguns no dia seguinte. “Começamos pelos churrascos, depois eles foram proibidos por causa da fumaça. A festa é mais bombada porque ela tem desde a bandeirinha de revista pendurada até os balões e lanterninhas, tem fogueira virtual, quentão sem álcool, pipoca, bolo de milho… A bagunça geral de uma festa junina”, descreve.
Salão
É na transformação caótica da paisagem dos temporais de inverno para o florescimento da primavera que a designer tem encarado, nos últimos 30 anos, a semana de montagem do Salão UFRGS. Dar uma identidade visual ao evento era sua parte favorita. Segundo ela, é um processo demorado e discutido. “Às vezes, dependendo do tema, essa imagem e identidade nascem sozinhas. Às vezes nascem mais rápido, outras vezes demoram, mas elas tomam um rumo que tenta representar por meio da imagem, da cor, da ilustração, esse tema”, explica. Vale ressaltar que Rosâne fez parte também da criação gráfica do troféu do Salão.
Nos muitos quilômetros de montagem no Câmpus do Vale, ela já teve que enfrentar árvores caindo, queda de luz, barracas e stands sendo derrubados pelo vento. Com ajuda de Walberto Chuvas e a assistência da Andrea Loguercio, era sempre uma tarefa trabalhosa e divertida. “Então, quando o evento começa, é bagunça, é sol, é brilho, é saudade”, comenta.
“Ver o Salão acontecendo, aquelas crianças das escolas chegando com suas maquetes e apresentando seus trabalhos como se fossem grandes pesquisadores, passar pelas salas onde tem a sessão de cada Salão, as rodas de conversa da extensão, os workshops, é sensacional. O Salão é sensacional”
Rosâne Vieira
Como em 2020, o Salão UFRGS deste ano ocorre na modalidade virtual, prolongando a saudade dos agitados dias de preparação no Câmpus do Vale.





