Cultura | Além de site, conteúdo da exibição também está presente em newsletters, redes sociais, podcasts e lives
Foto: Heads Down (2021), de Isadora Guarnier
A tecnologia está em toda parte. Ela medeia o cotidiano, as relações sociais, o consumo de informação e mais uma miríade de situações. E é com a intenção de estimular reflexões sobre como a humanidade interage com o universo tecnológico que estudantes de Museologia da UFRGS exibem, até 12 de novembro, a exposição virtual “Emaranhado: reflexões sobre a cibercultura”. A mostra conta com um site e está ainda presente no Instagram, Twitter, TikTok, Spotify e Youtube. O acesso a todo o conteúdo é gratuito.
A exposição problematiza a cibercultura, considerada pelo projeto como o conjunto de práticas, atitudes e rituais que as pessoas desenvolvem quando estão em contato com a tecnologia. A partir de imagens, sons, vídeos e textos, e com a presença de um sistema operacional chamado Emm, o material exposto desperta a curiosidade do público por temas como inclusão e exclusão digital, sociedade da informação e produção artística na internet.
Além do site da iniciativa, os conteúdos da “Emaranhado” estão disponíveis em boletins informativos, redes sociais e serviços de transmissão de áudio e vídeo. Em parceria com o Podcast Farol – Conexões da Informação, o projeto tem publicado no Spotify episódios sobre diferentes assuntos da cibercultura. O quinto e último programa da série tem previsão de lançamento em 4 de novembro. No YouTube, por meio de transmissões ao vivo, a mostra aborda temas como preservação da memória digital. A última live ocorre em 11 de novembro a partir deste link.
Segundo Gabriela Mattia, curadora do projeto e graduanda na UFRGS, a programação foi idealizada para desdobrar assuntos não aprofundados na exposição. De acordo com ela, a utilização de diversas plataformas para a veiculação dos conteúdos da “Emaranhado” é necessária em razão da riqueza de temas relacionados à cibercultura. “A gente tem usado essa programação para conseguir extrapolar e divulgar assuntos ao público”, afirma.

Em razão da pandemia, a exibição é a segunda exposição curricular do curso de Museologia realizada totalmente em ambientes virtuais – e a 11.ª exposição curricular da graduação. Vanessa Aquino, responsável pela orientação do projeto e docente na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, conta que a ideia da iniciativa surgiu por influência da crise pandêmica, em um momento em que a presença humana no ciberespaço era maior que nunca em virtude do isolamento social. “Quando surgiu a intenção de realizar essa exposição, nós já estávamos em Ensino Remoto Emergencial. Então o tema ganhou outro peso para todos nós”, afirma a professora.
“Um dos grandes motes, sem dúvida, é nossa inquietação em tentar compreender um pouco mais desse universo em que nós estamos emaranhados”
Vanessa Aquino
De acordo com Gabriela Leindecker, curadora da exposição e estudante na Universidade, a escolha do tema adquiriu ainda mais importância devido às experiências em meio à crise do coronavírus. “Estando na era da sociedade da informação e, por ser uma exposição em tempo de pandemia, a gente achou muito importante falar sobre cibercultura. Neste período em que está todo mundo isolado e se prendendo à cibercultura e à internet para interagir com outras pessoas, com a cultura local, com amigos e com o trabalho, é essencial falar sobre isso”, diz.
A exposição também é oportunidade para refletir sobre um importante aspecto da tecnologia: o humano. Para Gabriela Mattia, o debate sobre a cibercultura jamais deve ignorar tal dimensão. “A gente é introduzido à internet desde muito cedo por pais, por escolas ou afins, e às vezes não paramos para pensar sobre como era antes ou o que vai ser no futuro”, afirma. “Um dos objetivos da exposição é humanizar a cibercultura. A gente não queria tratá-la como positiva ou negativa, mas humanizá-la, para conseguir ter uma cibercultura condizente com o que a gente quer como sociedade.”

:: Posts relacionados

Preconceitos sociais são refletidos em recursos de Inteligência Artificial

O desafio da proteção do ciberespaço e a importância das estratégias nacionais de segurança cibernét...

O xeque-mate geopolítico da China e o futuro da tecnologia global


