Maria Beatriz Galarraga: o contato com os estudantes

Dedicação | Técnica administrativa aposentada relembra suas contribuições em sua trajetória na UFRGS

*Foto de capa: Flávio Dutra/JU


“Eu sempre digo que nasci dentro da Universidade”, conta Maria Beatriz Galarraga, servidora pública aposentada da UFRGS. Ela começou a trabalhar na Universidade em 1975, após realizar um concurso público que não contou para ninguém da família que faria. O pai, professor da Faculdade de Odontologia, achava que a filha deveria continuar estudando, e não trabalhar. A surpresa veio quando ela passou no processo seletivo também para a Faculdade de Odontologia. “Então eu tive que chegar em casa e dizer para ele: eu fiz o concurso, passei e vou trabalhar contigo.”

Durante os 37 anos em que esteve na Universidade, Beatriz passou por diversos setores, trabalhando, majoritariamente, na gestão de pessoas. Após trabalhar na Faculdade de Odontologia, atuou também no Protocolo-geral, no Conselho Deliberativo da Assufrgs, na Superintendência de Recursos Humanos, na Editora da Universidade e também como secretária da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (Prae).

Atuando nesses diversos setores, ela conta que foi marcante a passagem pela Editora da Universidade, quando pôde exercer melhor a sua formação em Administração e também participar da criação de duas livrarias da universidade, que, infelizmente, não existem mais. 

Maria Beatriz relembra com igual carinho o período em que esteve atuando como secretária da PRAE e conta que do que sente mais falta é do contato com os alunos.

“Eu fazia reuniões das Casas de Estudantes às 22h da noite. Porque eu sabia que naquele momento as pessoas já estariam de volta da aula e, às vezes, a gente ia até de madrugada fazendo reunião. Em cada andar era em um dia da semana, então eu passava a semana inteira fazendo reunião na CEU.”

Do convívio passado com os alunos, muitas relações ainda estão presentes na sua vida, alunos com quem ainda mantém contato, seja pelas redes sociais, seja presencialmente. “Uma vez recebi uma aluna do curso de Odontologia que eu gosto muito, a Karine. Ela me fez uma surpresa e me trouxe um buquê de flores na minha casa no dia do meu aniversário”, emociona-se.

Mesmo nos períodos em que esteve afastada da Universidade – quando trabalhou no DMAE, nos Correios e até quando foi convocada para trabalhar em Brasília, na implementação do PCCTAE (Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação), em 2005 -, Maria Beatriz conta que levava a Universidade consigo. “Eu levava o nome da Universidade sempre em primeiro lugar; eu sou uma servidora da UFRGS. A Universidade me fez assim”, assevera.

Foto: Flávio Dutra/JU

Além disso, as experiências que teve em gestão e administração dentro da instituição serviram de aprendizado para trabalhos futuros. O principal deles foi ter estado presente no gerenciamento de um dos primeiros cursos de graduação a distância da UFRGS, da Escola de Administração. 

“Na época só existia o curso de Administração e estava iniciando, paralelamente, um curso na área de Economia e um na área de formação de professores, junto com a Faculdade de Educação. Então, eram três momentos novos. A gente começou a fazer isso meio tateando, mas foi uma experiência muito legal. E eu acho que o que a gente conseguiu fazer naquela época faz com que hoje essa questão do ensino a distância não seja tão traumática dentro da Universidade, por mais que seja difícil.”

Para além das dificuldades administrativas, Beatriz também relembra das condições de alguns alunos com quem mantinha contato, e não acredita que a universidade seja lugar apenas de pessoas com boa condição financeira.  “Me lembro de um rapaz que morava na CEU e que só podia ir para casa, para visitar os pais, quando a ambulância que trazia os doentes para Santa Casa tinha carona para ele. Ele não tinha dinheiro para uma passagem de ônibus. Ia faltar dinheiro para ele comer ou comprar um caderno, um livro, qualquer coisa assim. Essa também é a realidade do estudante universitário da UFRGS”, lamenta.

Beatriz decidiu se aposentar apenas depois de ter realizado o sonho de ser avó. Mas ainda guarda a saudade do convívio com as pessoas e dos aprendizados que adquiriu com elas durante os anos de trabalho na Universidade. “Tenho certeza de que a maior saudade que eu tenho é das pessoas que trabalharam comigo, que passaram ou que ainda estão na Universidade. E é muito bom, quando eu volto lá, reencontrá-las.”


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto JU-UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: