Plataforma Verter sedia exposição baseada na obra de Claudia Zimmer

Cultura | Espaço expositivo virtual do Instituto de Artes busca adaptar para a internet trabalhos gráficos por meio de animações e interações

*Imagem de capa: Denise Helfenstein

Apreciar uma obra de arte em tempos de pandemia é, seguramente, uma experiência que envolve a expansão dos limites do olhar. Vão-se as impressões físicas de galerias e museus e entram em cena as particularidades técnicas da exposição digital.

É nesse contexto que está inserida a Plataforma Verter do Instituto de Artes da UFRGS, espaço online para a exibição de trabalhos artísticos realizados para a internet, que atualmente apresenta “Paisagem-texto, paisagem-tempo”, uma imersão na obra de Claudia Zimmer, da qual emergiram com suas próprias produções em texto e cor as artistas Fran Favero, Denise Helfenstein, Pauline Gaudin, Fabíola Scaranto e Mayra Martins Redin.

Com curadoria da própria artista e pesquisadora Claudia Zimmer e da professora Marina Polidoro, a composição artística gira em torno da ideia de paisagem e busca representá-la por meio de elementos verbais e temporais. Os trabalhos valem-se das propriedades específicas da internet, utilizando vídeos, animações de scroll, gifs e imagens em sequência como forma de estimular a interatividade com o espectador. “Durante a pandemia, com todo mundo tendo que ficar em casa e as instituições fechadas, a gente viu um movimento grande de artistas, curadores e críticos começarem a se preocupar mais com o seu espaço, com a sua visibilidade online”, diz Marina, que também coordenou o Projeto Pandemia, outra exposição que está disponível na Plataforma Verter.

Entre os trabalhos apresentados na exposição, Yvy Anhetenguá, de Denise Helfenstein, lista os nomes de rios e municípios do Rio Grande do Sul que têm origem indígena para construir um mapa com outra perspectiva, que aponta a ancestralidade e a presença de charruas, kaingangs e guaranis no território

A automatização dos procedimentos como opção estética delineia a palavra, que está presente na obra impressa de Claudia Zimmer como substância gráfica e permite que o conceito de paisagem seja adaptado à linguagem da web. A abordagem poética das artistas é, ademais, outra nuance que adorna a conversa estabelecida entre quem cria e quem vê. “No caso do trabalho que apresento, ele foi desenvolvido de forma física em nanquim e papel, mas especialmente para a exposição, que é virtual”, comenta a artista Denise Helfenstein, responsável pela imagem Yvy Anhetenguá.

“O convite à participação foi um estímulo na realização do trabalho para criar, desenvolver e apresentar uma ideia acerca do espaço, do tempo e do visível num contexto onde estamos confinados, utilizando as telas para atualizar o real em nossa percepção”

Denise Helfenstein


A exposição disponível na Plataforma Verter conta com o interesse do público em explorar seus recursos interativos. Viabilizar a partilha de arte é um dos objetivos do espaço, que também disponibiliza informações sobre o processo de criação das obras.