Educação | Pela primeira vez, Salão UFRGS reúne alunos para narrar suas experiências nos setores administrativos e nas residências estudantis, além de debater a importância de recursos para permanência
*Foto: Com o uniforme rosa, Larissa Flores atua como bolsista PRAE no ambulatório de Internação de Cães, no Hospital de Clínicas Veterinárias (Crédito: Flávio Dutra/JU)
Durante toda a próxima semana, o Câmpus do Vale recebe graduandos, pós-graduandos, servidores e estudantes do Ensino Básico para compartilharem trabalhos, discussões e vivências no Salão UFRGS 2025. Neste ano, uma das novidades é que bolsistas da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) participarão pela primeira vez da mostra com relatos acerca das atividades desenvolvidas nas unidades acadêmicas. O 1.º Salão de Assistência Estudantil realça a centralidade das bolsas de Aperfeiçoamento e de Benefício nos processos formativos e nas vidas financeiras desses estudantes.
Atualmente, a PRAE é responsável por cerca de 600 bolsas de assistência estudantil na UFRGS e, somente no primeiro semestre, já aplicou mais de R$ 2,5 milhões para viabilizar a remuneração desses bolsistas. Indispensáveis para o funcionamento da Universidade, estudantes que trabalham nos ambientes administrativos, nas áreas técnicas e de atendimento ao usuário, na comunicação, na promoção da saúde e nas ações afirmativas não possuíam, até então, um espaço no evento mais importante da UFRGS. Mas os 49 trabalhos inscritos no Salão PRAE revelam que alunos e alunas da assistência estudantil têm, há algum tempo, muito a dizer.
“Gostaríamos de contribuir para que a bolsa PRAE não seja vista como um trabalho descolado da formação”, destaca a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Natália Méndez. “Queremos que em todos os lugares onde haja bolsistas exista a intencionalidade de valorizar esse setor como parte do percurso formativo”, completa.
“Diálogos com o futuro” é o tema que guia os encontros entre professores, pesquisadores e graduandos nesta 15.ª edição do Salão UFRGS – por isso, além do Salão PRAE, outros sete eventos estão mobilizando reflexões acerca do papel da universidade pública frente à crise climática, ao monopólio das big techs e ao enfraquecimento dos direitos humanos pelo mundo. São eles: 36.º Salão de Iniciação Científica, 20.º Salão Jovem, 21.º Salão de Ensino, 12.º Salão Edufrgs, 15.ª Feira de Inovação Tecnológica (Finova), 26.º Salão de Extensão e 1.º Salão da Pós-graduação.
Enfrentar os próximos desafios com afinco demanda, portanto, fortalecer políticas de assistência estudantil, substanciais para proteger a ciência e o direito à educação. “A universidade que queremos para o futuro é uma universidade que cada vez mais promova a diversidade”, afirma o vice pró-reitor de Assuntos Estudantis, Igor Corrêa.
Comunicação digital na TUA UFRGS
Junto dos colegas Emerson Alves, Daniel Machado, Debora Soares, Brenda Nogueira e João Vitor Avila, a estudante do curso de Relações Públicas Gabriela Gomes atua na comunicação digital na TUA UFRGS e se divide com os outros bolsistas da Central do Aluno na estratégia de conteúdo para as redes sociais. Eles escrevem textos, criam artes, realizam pesquisas e atendem às dúvidas de calouros e veteranos de forma online.
“A TUA UFRGS viu o quanto era necessário ter Instagram e Facebook para poder atender alunos que, querendo ou não, estão presentes nas redes sociais. Trazer bolsistas da Comunicação Social para o setor agregou valor; atualmente temos 14 mil seguidores”, conta a estudante, que apresentará o relato de experiência “TUAUFRGS: Reestruturação da Comunicação e Engajamento Digital no Atendimento Estudantil” no Salão PRAE.
Bolsas administrativas como experiência formativa
Natural de São Luiz Gonzaga, no noroeste do estado, a estudante do bacharelado em Zootecnia Josiele dos Santos faz parte da Comissão de Graduação (Comgrad) dos cursos da Faculdade de Agronomia. Por lá, ela auxilia os alunos via telefone e e-mail, apadrinhando e recebendo os novatos. Fora a qualificação profissional, a bolsista diz ter ganhado autonomia, independência e confiança com os auxílios da PRAE.
“Assim que eu iniciei na bolsa, consegui ter uma noção de como funcionam os processos administrativos da graduação e como eles influenciam diretamente no desenvolvimento do aluno. Estou me formando uma profissional com mais didática e visualização de projetos”, destaca Josiele, autora do trabalho “Integração e Liderança: a Bolsa Administrativa em uma Secretaria de Graduação como Experiência Formativa”.
Valorização das trabalhadoras terceirizadas
Aluna da licenciatura em História, Marina Oliveira planejou e desenvolveu com a colega Cidara Souza uma visita mediada ao Museu Observatório Astronômico (MOA) da UFRGS, pensada especificamente para um grupo de trabalhadoras terceirizadas. Através de seus vínculos como bolsistas do MOA, as alunas abordaram temas como patrimônio histórico-cultural da universidade, tempo e trabalho.
“A mediação foi pensada como um gesto de reconhecimento e de aproximação delas com o patrimônio da universidade que elas habitam e mantêm no cotidiano de trabalho, mas raramente é acessado em outro lugar que não seja das atribuições da limpeza e da portaria”, explica Marina, que apresentará o relato “Educação Patrimonial como estratégia de valorização e inclusão das trabalhadoras terceirizadas na UFRGS: uma experiência no Museu Observatório Astronômico”.
Autonomia e responsabilidade
Ao lado de Larissa Flores e Daiene Loss, Cleo Vargas cuida da rotina de internação de cães no Hospital de Clínicas Veterinárias, realizando o monitoramento clínico dos animais e apoiando em demandas organizacionais do HCV. No relato “Atuação dos Bolsistas de Aperfeiçoamento na Internação de Cães do Hospital de Clínicas Veterinárias (HCV-UFRGS)”, inscrito no Salão PRAE, as estudantes realçam o atendimento de qualidade prestado aos pacientes e a aprendizagem contínua proporcionados pela bolsa.
“Além de proporcionar vivência prática em um ambiente hospitalar de alta complexidade, essa experiência amplia nossas competências técnicas, nossa autonomia e nossa responsabilidade profissional. O suporte financeiro da bolsa também é relevante, pois contribui para a permanência estudantil na universidade e permite que possamos dedicar tempo e energia às atividades formativas”, afirma Cleo.





Preservação da memória
A aluna da Licenciatura em Artes Visuais Sofia Kaiser catalogou, em parceria com as colegas Danielle Melo e Clara Satt, o acervo da Casa das Artes Regina Simonis, em Santa Cruz do Sul. Durante uma semana, as bolsistas da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo debruçaram-se sobre o material e digitalizaram-no, facilitando o acesso virtual às obras. O trabalho gerou o relato “Pinacoteca Barão de Santo Ângelo e Acervo Regina Simonis: catalogação e difusão”.
“Tiramos fotos das obras, editamos e armazenamos esse material, seguindo critérios de catalogação, tomando os devidos cuidados para evitar mofo, umidade e outros agentes que podem danificar as artes. Também etiquetamos o material, produzindo fichas sobre o ano, a técnica, as dimensões, o autor e a descrição da obra”, descreve Sofia.
Esses e outros 44 trabalhos integram a programação do Salão PRAE, que se estende entre os dias 20 e 24 de outubro. Somada aos relatos, uma roda de conversa com moradores e ex-moradores das casas de estudantes festeja as memórias construídas no âmbito da moradia estudantil. Organizada por alunos do Direito, a primeira casa do estudante remonta a 1934, mesmo ano em que a UFRGS se tornou universidade. Mais tarde, na década de 1960, foi construída a Casa dos Estudantes da Faculdade de Agronomia e Veterinária (CEFAV) e, por volta de 1970, a Casa do Estudante Universitário (CEU). São muitas histórias que, agora, têm um espaço para serem partilhadas.
Para encerrar o Salão PRAE e apontar caminhos para o futuro, um debate sobre assistência estudantil e ações afirmativas irá marcar o último dia de evento. A programação completa, bem como os dias e horários das apresentações, pode ser conferida no site do Salão.





