Ricardo Novossat: viver a Universidade intensamente

Câmpus Saúde | Estudante de Nutrição relata as vivências múltiplas no ambiente acadêmico e a importância das pessoas ao longo da jornada

*Foto de capa: Ricardo Novosat/Arquivo pessoal

“Eu sempre digo que a gente entra na UFRGS por um motivo e permanece por outros”, diz Ricardo Novossat, estudante do curso de Nutrição da UFRGS há três anos, mas aluno da Universidade há seis. Quando era um guri de 17 anos, quis cursar Agronomia, pois sabia que a UFRGS era referência de estudo e formação para o profissional que ele pretendia se tornar. A reputação da instituição já ecoava pela família, uma vez que sua irmã cursava Psicologia. Ele via as oportunidades a que ela tinha acesso e, desde que ingressou no primeiro curso, decidiu aproveitar ao máximo, perseguindo a sensação que imaginava ao observar a trajetória da irmã.

Hoje ele brinca que quanto mais tempo um estudante fica na UFRGS, mais longe fica o diploma – frase que ilustra sua vontade de aproveitar ao máximo as oportunidades do ambiente acadêmico. Não à toa, Ricardo passava dias inteiros na faculdade, de segunda a sábado. Tempo o suficiente para já ter participado da Iniciação Científica (IC), de projetos de extensão, de diretórios acadêmicos, de empresa júnior e dos times esportivos.

Cada uma dessas experiências foi fundamental, à sua maneira, para a trajetória acadêmica, pessoal e profissional do estudante. “As três ICs me deram maturidade profissional, metodológica e científica. A extensão foi onde eu pude ver o que pesquisamos em sala de aula impactando as pessoas”. Na Ceanut, empresa júnior do curso de Nutrição, tornou-se uma pessoa mais autônoma e aprimorou seu autoconhecimento. Enquanto atleta dos times de vôlei e handebol, teve oportunidade de viajar pelo Brasil e de lidar com pessoas de fora de sua bolha. Ele explica o significado e o impacto dessa última experiência assim: “Um gurizão gay que está se entendendo entra em grupo dominado pelo heterocispatriarcado branco”.

Essa diversidade de experiências lhe trouxe um ensinamento que repassa aos amigos, e que, para ele, reverbera em muitos contextos da Universidade: “Toda experiência é tão grande quanto tu quer que seja, e o quanto tu te dedica a ela é o quanto tu recebe de volta”.

“Cada vez mais eu vejo como isso é lindo. São os alunos que constroem a universidade, e podemos abrir novos caminhos. Um estudante pode sugerir um tema de pesquisa de algo que ainda não é estudado, por exemplo.”

Ricardo Novossat

Para quem estiver entrando na Universidade nos próximos meses, ele aconselha a não ter medo de conversar com pessoas novas e de criar relações reais, intensas e vulneráveis. Inclusive com os docentes: “Cada vez mais descubro que os professores são gente como a gente, tentando se encontrar no mundo também. Não tenham medo de ser amigos dos professores”. Se, mesmo assim, o medo persistir, ele recomenda que se vá com medo mesmo. E lembra que nem sempre as pessoas sabem o que estão fazendo: os estudantes de qualquer etapa do curso – e mesmo os professores – podem estar tão inseguros, às vezes, quanto os calouros. Sobretudo, ele insiste no recado de aproveitar as pessoas e os espaços. “Não se prenda à sala de aula, a UFRGS é uma universidade enorme, plural, diversa e inclusiva. Vai atrás dos espaços e iniciativas em que tu te encaixe”, encoraja.

Ex-aluno da Agronomia, atualmente cursando Nutrição, Ricardo tenta aproveitar ao máximo as oportunidades que encontra na Universidade (Foto: Ricardo Novosat/Arquivo pessoal)
Saudade da rotina, das pessoas e dos lugares

Ricardo saía de casa de manhã para voltar às 23h, e passava o dia todo na “nossa querida”, entre as aulas na Faculdade de Medicina, o Hospital de Clínicas, a biblioteca, o RU e a Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança (Esefid). Entrava no ônibus com três mochilas, desajeitado e já pedindo desculpas, ciente de que as pessoas ao seu redor não o consideravam o passageiro mais agradável. Apesar disso, ele transparece a alegria de quem gostava da rotina agitada que tinha na Universidade.

Hoje, sente falta de transitar pelos espaços, mas também de ocupá-los com as pessoas que faziam parte de seu dia a dia. Para ele, o privilégio de dispor de lugares lindos nos câmpus da UFRGS se completa ao poder compartilhá-los.

Mesmo passando o período atual na praia, coisa pela qual ele é grato, Rick (como é chamado pelos amigos) sente saudade dessas vivências e daqueles que encontrava pelo caminho. Ele é dessas pessoas que transbordam, que não conseguem passar por um conhecido sem trocar algumas palavras e, quem sabe, ir tomar um café.

Eram os momentos a princípio banais que consolidavam as peculiaridades de socializar pessoalmente – como fazer uma pausa durante o dia a ir até a lancheria da Bia, no prédio da Medicina, onde estuda, para comprar um café e uma paçoca. Situações antes rotineiras, mas impensáveis durante (ou mesmo depois) de uma pandemia. Chegavam os amigos, os conhecidos. Um pedia um gole do café, que passava pela roda, outro tirava um lanche da mochila e compartilhava com os demais.

Lembrar disso dói agora, mas depois vai tudo ficar bem, garante Ricardo. Durante a pandemia, o estudante tornou-se mais introspectivo e imergiu no trabalho, que muitas vezes se mistura com a vida pessoal quando o ambiente em que ele ocorre é a cama ou a sala. Com isso, ele perdeu um pouco a conexão que tinha, que para ele é uma espécie de energia vital. “Muda muito ter o olho no olho, a paixão, o abraço. Eu sou uma pessoa que abraça todo mundo, a conexão do toque, que vai além de sentar no computador e falar: ‘Como foi teu dia?’.”

Agora, ele se prende à esperança de ter dias melhores, quando for possível. Embora dificilmente as coisas voltem a ser iguais. Rick não vai mais poder ver a aula praticamente abraçado nos amigos, nem dividir o café, o lanche e o mate. Mas vai voltar a conviver com eles de uma forma nova e diferente. “Quando pudermos conviver de novo vamos aproveitar cada vez mais por não ter podido fazer isso por tanto tempo”, reflete.


A série Minha Saudade na UFRGS é um projeto conjunto JU-UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: