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O que cuidar ao tomar um café? – Parte 1

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo e, aqui no Brasil, essa realidade não é diferente. Presente em muitas situações, desde o café da manhã até aquela reunião de negócios, o cafezinho pode ter muitas funções. Quem nunca bebeu café para dar aquela despertada para as tarefas pendentes? Pensando nisso, a equipe do Laranja na Colher procurou a Profª Manuela Klein, engenheira de alimentos, professora e chefe do departamento de Nutrição da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), para falar um pouco mais dessa bebida tão querida pelos brasileiros. Confira a primeira parte da entrevista!

Laranja na Colher: Qual seu vínculo com a temática de café e afins?

Profª Manuela: Coordeno um projeto de pesquisa intitulado Avaliação do teor de acrilamida e da atividade antioxidante em cafés submetidos a diferentes graus de torra. O grupo de pesquisa formado conta com a participação de alunas de graduação do curso de Tecnologia em Alimentos, e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição, ambos da UFCSPA.

Laranja na Colher: O que levar em consideração ao escolher um café no supermercado?

Profª Manuela: Considero que, para a escolha de um café no supermercado, deve-se levar em consideração, inicialmente, o gosto pessoal. Entretanto, quanto mais informações tivermos sobre a procedência do produto, melhor será a escolha.

Sensorialmente, o café arabica (Coffea arabica) é considerado superior quando comparado ao café robusta (Coffea canephora var. robusta) porque é menos amargo e geralmente apresenta mais doçura e acidez. 

Em relação à procedência, hoje em dia temos à disposição muitas marcas que informam nos rótulos a espécie do café utilizado, o tipo de grão (processamento pelo qual o grão passou), região de origem, altitude e latitude da plantação, grau de torra, características sensoriais, o nome da fazenda e até mesmo do produtor. Tudo isso auxilia no momento de escolher o café no supermercado.

Laranja na Colher: Os cafés comercializados no Brasil são de boa qualidade?

Profª Manuela: O Brasil é um grande produtor e exportador de café, então, sim,  produzimos cafés de excelente qualidade.

Além disso, o mercado interno tem sido mais exigente e temos marcas de excelente qualidade também à nossa disposição. O inconveniente desses cafés “especiais” ainda é o preço elevado. 

As marcas mais acessíveis economicamente geralmente usam uma mescla de café arabica e robusta. Neste caso, é importante optar por marcas que estejam de acordo com a legislação e que apresentem no rótulo informações como a espécie do café, o lote do produto, o grau de torra e o tipo de moagem.

Segundo a legislação brasileira (Portaria SDA/MAPA nº 570/22), o café torrado em grãos ou moído pode conter, no máximo, 1% de impurezas (do próprio cafeeiro) e até 5% de umidade, entre outros requisitos de identidade e qualidade.

Laranja na Colher: Quais os benefícios do consumo de café?

Profª Manuela: O café é popularmente conhecido como estimulante, devido à presença da cafeína. Além disso, muitos compostos químicos benéficos à saúde já foram identificados. O ácido clorogênico, por exemplo, é um composto fenólico presente em grande quantidade no café, e além de sua propriedade antioxidante, apresenta atividade hepatoprotetora, hipoglicemiante e antiviral. 

Laranja na Colher: Existe uma quantidade máxima de ingestão de café recomendada por dia?

Profª Manuela: Um estudo da EFSA (European Food Safety Authority) demonstrou que a ingestão de até 400 mg por dia de cafeína (cerca de 5,7 mg/kg de peso corporal por dia) consumidos ao longo do dia não causam nenhum prejuízo à saúde para adultos saudáveis na população em geral, exceto para mulheres grávidas. Cabe ressaltar que uma xícara de 200 mL de café passado, possui, aproximadamente, 90 mg de cafeína.

Laranja na Colher: Quais os malefícios do consumo exagerado de café? Por exemplo, no contexto de um estudante que utiliza café para se manter acordado de madrugada para estudar, até que ponto esse recurso é benéfico?

Profª Manuela: As pesquisas científicas têm mostrado efeitos controversos da cafeína. Assim, apesar de ser estimulante e apresentar atividade antioxidante, alguns estudos demonstraram que o consumo em excesso pode gerar efeitos cardiovasculares como arritmias cardíacas e palpitações, distúrbios gastrointestinais, sintomas de ansiedade, deficiência de cálcio no organismo e outras mais graves. 

O consumo de café como aliado do estudo pode parecer bastante atrativo à primeira vista, mas além do cansaço excessivo proveniente de uma madrugada em claro – o que por si só prejudica o aprendizado -, a ingestão em excesso de cafeína pode intensificar a ansiedade, típica em dias de provas e avaliações.

(Continua…)

E aí, o que acharam das informações? Querem saber mais sobre o café? Então fiquem ligados na segunda parte da nossa entrevista com a Professora Manuela Klein, que sairá em breve!

Leia mais em:

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. PORTARIA SDA Nº 570, DE 9 DE MAIO DE 2022. Estabelece o padrão oficial de classificação do café torrado. Disponível em: <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-sda-n-570-de-9-de-maio-de-2022-398971389>.

EFSA – European Food Safety Authority. Caffeine. Disponível em: <https://www.efsa.europa.eu/en/topics/topic/caffeine>.
FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations. Codex Alimentarius. Disponível em: <https://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/en/>.

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