



No dia 8 de novembro de 2018, o ARTEVERSA ofereceu um seminário. Antes a palavra seminário dissesse do afeto todo e do bonito do dia. Não diz. Algumas fotos dizem, talvez. Dizem de um seminário-homenagem. Homenagem à obra da professora e pesquisadora Ivone Richter, homenagem a uma vida de trabalho dedicada a pensar, dentre outros temas, noções tão importantes como a da estética do cotidiano, essa boniteza (ética e estética) de uma prática docente engajada em trazer para a sala de aula a pluralidade da existência e dos modos de vida dos diversos alunos. Ampliar a noção restrita de arte e abraçar, na sala de aula (espaço importante de constituição de sujeitos), o cotidiano dos estudantes, abraçar a diferença, a pluralidade que sabemos constantemente apagada, calada, invisibilizada.
A poesia de toda a homenagem, a poesia do Seminário “O que precisamos dizer de novo em arte e educação” estava na presença da professora Ivone Richter que, em 2019, completou oitenta anos. Na presença emocionada e honrada de uma professora que assistiu sua obra sendo atualizada, repensada, reinterpretada, movimentada. Uma professora homenageada lindamente em um país que tanto fez e faz para diminuir seus educadores. Resiste, no entanto, a paixão! E por que não usar essa palavra? É preciso da força da paixão para mover uma vida de pesquisa sobre docência, educação e arte. Quem trouxe a palavra-sentimento foi uma professora da plateia. Sorridente, comentou que não iria nos dizer há quantos anos estava em sala de aula e brindou o dia no Auditório Nascente do Prédio Centenário da Engenharia da UFRGS com o dito:
“Espero que a morte chegue antes que a paixão acabe”.
por Tiago Martins de Morais
Pesquisador/Doutorando em Educação PPGEDU/UFRGS e membro do grupo de pesquisa ARTEVERSA




[…] Ivone Richter, em seu livro “Interculturalidade e estética do cotidiano no ensino das artes visuais”, relata uma tarefa solicitada a uma turma de quinta série de uma escola pública, no âmbito de sua pesquisa de doutorado: os alunos receberam câmeras fotográficas para registrar seu ambiente familiar (RICHTER, 2003). Um aspecto curioso revelado por esta tarefa, uma estratégia de aproximação que fazia parte de uma pesquisa maior, foi a preferência das crianças em fotografar as suas próprias camas e sobre elas, seus objetos preferidos: bonecas, aparelhos de som, carrinhos, revistas e pôsteres e às vezes, seus irmãos menores ou eles mesmos sobre a cama. O quarto ou especificamente, a cama, aparece como “seu espaço preferido” (RICHTER: 2003, p. 145). […]