Inventar novas relações entre arte, educação e docência

Me conta do seu desejo?

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Qual é mesmo o seu desejo?

No campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), nos arredores da Faculdade de Educação (FACED), vemos desde o início de outubro cartazes pretos com letras brancas com dizeres como “Porto Alegre me conta do seu desejo”, “Valparaíso me conta do seu desejo”, “Antananarivo me conta do seu desejo” e outros. Que dizeres são esses? O quê tais palavras nos suscitam? Quais são mesmos os nossos desejos, em cada lugar em que vivemos? Estes trabalhos fazem parte da instalação Le La Tour du Monde, do artista Jöel Andrianomearisoa, de Madagascar.

Segundo o site do departamento de Difusão Cultural da UFRGS (DDC), “o artista de Madagascar visitou previamente os locais da universidade para se apropriar da lógica do cotidiano dos usuários que os utilizavam, apresentando posteriormente suas instalações no espaço público universitário, de maneira a despertar a surpresa e a indagação de quem circula pelos caminhos trilhados por quem busca o aprendizado diariamente nesse ambiente. Distribuindo cartazes com frases em diferentes idiomas em alguns pontos do campus Centro e Vale, Joel busca uma relação diferenciada com aqueles que transitam por esses espaços. A relação da palavra escrita e a arte é visível neste trabalho, que pretende envolver os observadores para com a ideia da linguagem e da comunicação de formas diferenciadas”.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul está participando da 10ª edição da BIENAL SUR, promovendo algumas intervenções nos muros e espaços da universidade com frases de reflexões, fotografias e debates virtuais na sala de Cinema Universitário Redenção no campus Central. A programação BIM EM BIENALSUR (TERRITÓRIO E RESISTÊNCIA) aconteceu nos dias 04/10 a 13/10 com filmes da Palestina, Bélgica, Argentina, França, Israel, e a mostra do diretor AMOS GITAI.

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E se fosse possível promover um diálogo e uma verdadeira reflexão em condições de igualdade entre publico e o espaço ocupado?

Essa é a resposta que buscam os 16 países ao realizar a 1ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul – BIENALSUR. Em sua 10ª edição o evento multinacional ocorre até dezembro. A BIENALSUR já está em andamento e busca acompanhar o pulsar das questões da atualidade.

Qual é o espaço que a arte deve ocupar?

Promover a reflexão dos espaços de arte, também é uma proposta incentivada e destinada a intervir/interferir em locais não convencionais, espaços urbanos e lugares públicos, entre outros, que permitam construir redes de referências visuais que façam com que a Bienal vá além das salas dedicadas especificamente a exposições.

Os  eventos são realizados simultaneamente em várias cidades na sua região escolhida, e a BIENALSUR permite que entidades e parceiros cumpram a meta de promover a responsabilidade social através da arte e da cultura.

Desde 2015, a BIENALSUR convida artistas, curadores, colecionistas, críticos, jornalistas e o público geral a participar de jornadas de diálogo, com o nome de SUR GLOBAL. Já são 16 países, 36 cidades, mais de 350 artistas. Estes são alguns dos artistas que participam desses intercâmbios:

  • Cildo Meireles,
  • Óscar Muñoz,
  • Anna Bella Geiger,
  • Tatiana Trouvé,
  • Ana Gallardo,
  • Celeste Boursier-Mougenot,
  • Ernesto Ballesteros,
  • Christian Boltanski,
  • Reza, Guillermo Kuitca,
  • Voluspa Jarpa e Graciela Sacco, entre outros.

Conheça o trabalho e processo de alguns artistas:

Katsuhiko Hubino (Japón / artista y Decano de la Facultad de Bellas Artes de la Universidad de Artes de Tokio) esteve no Brasil para realizar um projeto coletivo, confira a entrevista:

Regina Silveira; (artista brasileira com doutorado em artes Universidade de São Paulo) Touch 2017

 

 

Acompanhe a videoinstalação documental da artista polonesa Angelika Markul, realizada com base em gravações feitas na região da geleira Perito Moreno.

 

Além disso, a BIENALSUR convida diretores e curadores do Museo Reina Sofía de Madri, do Hirschhorn Museum de Washington, do Museo de Bellas Artes do Chile, de espaços de arte da Venezuela, Equador, Colômbia, Peru e Uruguai – como o Museo de Arte Contemporáneo de Lima e o Museo de Arte del Banco de la República da Colômbia – da Pinacoteca de São Paulo e da Akademie der Künste de Berlim.

A Bienal buscará estabelecer articulações com instituições educacionais formais e não formais de diferentes níveis e características para contribuir para a efusão produtiva dessas iniciativas. Para isso, são essenciais as parcerias que forem estabelecidas especialmente com as universidades. como a UFRGS.

A Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul busca impactar fortemente o cenário artístico e cultural em nível regional e global. Por isso, foram estabelecidos por um projeto pregnante, que seja capaz de romper com a inércia do olhar e do pensamento ao proporcionar o acesso a outras formas de enxergar e a outras formas de pensar. 

A ampliação do campo de ação da Bienal não apenas no espaço (real e virtual), mas também no tempo. Nesse sentido, espera-se continuar com a chamada para diálogos de reflexão sobre arte e cultura na atualidade para especialistas e com as palestras para o público geral, como parte de um processo de identificação de problemas, geração de debates e estabelecimento de pautas, tanto nos meses anteriores à abertura da Bienal como durante o período em que estiver aberta ao público. O objetivo é trabalhar com equipes de estudantes de arte do país sede da Bienal nos processos de produção das obras.

A BIENALSUR também se propõe a possibilidade de observar diferentes visões da arte simultaneamente a partir da seleção das coleções públicas que serão apresentadas permitirá que o público tenha contato com a diversidade de perspectivas que coexistem no cenário artístico atual em nível global.

Este novo universo cartográfico tem locais presenciais em mais de 32 cidades em 16 países e visa eliminar as fronteiras temporais e espaciais através da simultaneidade que a tecnologia permite.

E a partir daí continua a estrada, sempre em simultâneo e sem sair do continente, através do Uruguai (Montevidéu); Paraguai (Assunção); Chile (com escritórios em Santiago do Chile e Valparaíso); Brasil (com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Sorocaba e Salvador de Bahia); Peru (Lima); Equador (Guayaquil); Colômbia (Bogotá); México (Cidade do México); e Cuba (Havana). Atravessar os oceanos do Atlântico e do Pacífico continua este território animado pelo slogan de um olhar localizado em um “Sul Global”. No continente africano, a parada é Ouidah, no Benim. Na Europa, a Espanha é adicionada (com sede em Madri e Palma de Maiorca); França (com sede em Paris e Marselha); e Alemanha (Berlim).

 

 

 

Arte, educação, escola, professores e professoras, quais são mesmos seus desejos?

 

 

Contribuição: Joe Nicolai – aluno de Artes Visuais (Licenciatura UFRGS)

Fontes:

http://bienalsur.org/pt

http://www.joelandrianomearisoa.fr/

 

 

 

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