Anderson Bolzan e a Estação Experimental Agronômica

Meu lugar na UFRGS | Formado em zootecnia e pós-doutorando na Universidade, o pesquisador conta sobre sua relação com o espaço que já frequenta há oito anos

*Foto: Flávio Dutra/JU

Anderson Michel Soares Bolzan desembarcou em Porto Alegre em 2014. Natural de Santa Maria, o zootécnico veio para a capital do estado para realizar seu mestrado. Perto de completar uma década como morador da cidade, Bolzan já terminou seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Medicina Animal: Equinos, da UFRGS, o doutorado no PPG em Zootecnia e agora encara o pós-doutorado.

Ao longo da trajetória, um lugar esteve sempre presente na vida de Bolzan: a Estação Experimental Agronômica (EEA). Vinculada à Faculdade de Agronomia (Fagro) da UFRGS, a EEA dispõe de 1.560 hectares disponibilizados a estudantes e pesquisadores da Universidade. As pesquisas desenvolvidas dentro da estação envolvem o cultivo de plantas, a criação de animais, a conservação de recursos naturais, entre outros.

Foi em abril de 2014 que Anderson conheceu a EEA. No primeiro dia na estação, a única informação que tinha em mãos era a parada de ônibus em que tinha de descer. Recém-chegado a Porto Alegre, o pesquisador quase errou o caminho. A estação está localizada no quilômetro 146 da BR-290, em Eldorado do Sul, cerca de 60 quilômetros distante da Fagro, unidade a que está vinculada. Mas assim que Anderson desembarcou na EEA, o estranhamento do deslocamento passou. “A estação oferece esse aspecto domiciliar, no sentido de bem-estar. A gente se sente em casa lá”, afirma.

Durante o ano de 2016, Bolzan morou na EEA. No hiato entre a submissão da sua dissertação de mestrado e a abertura de um novo processo de doutorado, seus colegas do Grupo de Estudos em Ecologia do Pastejo, vinculado à Fagro, fizeram questão que o pesquisador não perdesse o vínculo com a estação e pudesse encaminhar seus estudos e atividades. Por isso, mesmo sem nenhum vínculo acadêmico com a UFRGS, Anderson viu a estação experimental virar sua casa. “Estar na estação manteve a minha chama de querer continuar estudando”, relata.

Pesquisa e extensão

A pesquisa de Anderson, que tem experimentos conduzidos na EEA, analisa o papel dos herbívoros – especialmente os equinos – em ecossistemas que contam com atividade pastoril. A ideia é propor um cultivo agrícola que esteja mais conectado aos fluxos da natureza. Ou seja, no mesmo ambiente em que ocorre o cultivo de plantações, animais são criados, para que, a partir do encontro dos fluxos naturais de cada elemento, a produção seja potencializada.

E o estudo não fica restrito aos mais de 1.500 hectares da estação ou aos prédios da faculdade. O que é estudado pelos pesquisadores é compartilhado com extensionistas rurais e agricultores, para que estes tenham acesso a técnicas avançadas de cultivo e produção.

“Ciência comunica com todos e para todos. O nosso fio condutor é este: conhecer processos e se comunicar bem, para que a gente possa, inclusive, ser criticado”

Anderson Bolzan

Dentro da EEA, há uma área de 150 hectares destinada à Preservação do Bioma da Depressão Central do RS. Essa é uma das poucas áreas do bioma que ainda não foram exploradas pela atividade humana. Além disso, cerca de 760 hectares são destinados à prática da pecuária e pesquisas com animais, 40 hectares para a horticultura, 56 hectares para a pesquisa com sistemas silvipastoris e reflorestamento e 180 hectares para a produção anual, que inclui grãos e silagem.

O espaço recebe atividades desenvolvidas pelas Faculdades de Agronomia, Zootecnia e Veterinária da UFRGS e é utilizado pelos alunos tanto da graduação como da pós-graduação, além de receber cursos de qualificação profissional em diferentes áreas agronômicas.

Anderson destaca o papel que a Estação Experimental Agronômica cumpre no incentivo à pesquisa e no avanço das técnicas de cultivo e pastoreio. “Eu dou muito valor à instituição. Quando a gente vem desenvolver um trabalho, nesse caso na estação, e encontramos uma casa arrumada, em que todos os recursos são disponibilizados, isso indica seriedade”, destaca.


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto entre o JU e a UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: