Ensaio | Outubro 2019

Teresa Poester é a homenageada da nova edição do projeto Percurso de artista, promovido pelo DDC/UFRGS. Aposentada das atividades como professora do Instituto de Artes, a artista voltou a Porto Alegre especialmente para montar a exposição até que meus dedos sangrem, com curadoria de Eduardo Veras. A mostra, aberta no mês passado, na Sala Fahrion, no prédio da Reitoria, reúne apenas trabalhos recentes e inéditos, em diferentes linguagens. O conjunto inclui um grande desenho coletivo, realizado com a participação de mais de 20 artistas. Confira, aqui, imagens e depoimentos.

” Junto ao trabalho solitário de ateliê, sempre trabalhei em grupo. O convívio me renova. A performance até que meus dedos sangrem é consequência de uma ação anterior, que realizei com artistas de várias procedências durante a exposição Collection Bic, no Centquatre, em Paris, no ano passado. Aqui, não por acaso, no dia 7 de setembro, comemorei a Independência do Brasil com uma equipe de artistas, alunos e ex-alunos da UFRGS, para, vestidos de preto, desenharmos com caneta BIC vermelha sobre um linóleo fosco de 26 metros quadrados que será exposto no pergolado da Sala Fahrion. O desenho deverá modificar-se pela ação do sol durante o período da exposição.

Teresa Poester

“Foi uma experiência muito boa participar dessa performance da Teresa. Tivemos de confiar no que ela estava fazendo e nos deixar levar como instrumentos. Ao longo do tempo em que estivemos desenhando, Teresa propôs pausas para olharmos o trabalho, e essas pausas se tornavam verdadeiros exercícios de composição – e intuição. Houve muita sinergia entre os artistas que dividiram o prazer de desenhar por cinco, seis horas seguidas, assim como a experiência de sair com o corpo doído, mãos e pés pintados de vermelho, mas felizes. Só quem ama a arte e conhece a Teresa e o trabalho dela para se deixar levar de verdade. Muito bonito!”

Maria Paula Recena (artista visual, professora do PPG em Arquitetura da UFRGS)

“Conheço poucas pessoas com tamanha força criativa como a Teresa, e essa energia deságua na forma apaixonada pela qual conduz seu trabalho. Produzir e refletir coletivamente é algo que sempre compartilhamos. Hoje, este encontro reforça a potência de seu amor pelo desenho, sua obstinada busca pela reinvenção. O trabalho de Teresa parece ser um pedido de atenção, nos lembrando de que juntos podemos ser mais fortes, mais presentes como indivíduos, como classe trabalhadora, artistas, pesquisadores.”

Alexandre Copês (artista visual, mestrando em Artes Visuais pela UFRGS)

James Zortéa é artista visual e doutorando em poéticas visuais do ppgav/instituto de artes.