Joseane Dainoski e os registros do Diário Histórico

Meu Lugar na UFRGS | Estudante de História usa um perfil no Instagram para preservar memórias e contar sobre o dia a dia na Universidade

*Foto: Os caminhos que fizeram a aluna Joseane Dainosk se encontrar pelo Campus do Vale da UFRGS (Pietro Scopel/JU)

Quando Joseane Dainoski ingressou no curso de História da UFRGS, em 2022, se deparou com um sentimento comum entre calouros universitários: a sensação de deslocamento. Sem conhecer bem os câmpus, as pessoas ou o cotidiano universitário, Joseane voltou-se para a internet a fim de se conectar com a nova rotina e os ambientes da Universidade. Foi assim que surgiu o Diário Histórico, voltado ao registro, por meio de postagens no Instagram, do dia a dia de Joseane como acadêmica da licenciatura em História.

No início, as postagens eram diárias — a primeira publicação do Diário no Instagram remete ao primeiro dia de Joseane na UFRGS. “Primeira aula foi uma quebra de expectativa, mas ter encontrado a biblioteca fez o dia valer a pena”, escreveu ela na legenda das quatro fotos que escolheu para ilustrar o dia, em 25 de junho de 2022.

Depois, com a crescente agitação do dia a dia universitário e a conciliação das aulas com um estágio no Arquivo Público do Rio Grande do Sul, Joseane decidiu realizar as postagens semanalmente, destacando os principais acontecimentos de cada dia em suas legendas. Hoje, as publicações são feitas todas as sextas-feiras, às 18h.

Além de compartilhar sua vida acadêmica e profissional, Joseane também reserva espaço para registros pessoais no Diário Histórico. Momentos com amigos, família e de lazer se misturam com as fotos do cotidiano na Universidade. 

E o que surgiu como uma resposta à confusão do início da vida universitária serviu como meio de integração para Joseane. Com o passar do tempo e a partir do Diário, ela fez amizades e encontrou seu lugar na UFRGS. Mais do que um espaço físico, para Joseane, seu lugar favorito na Universidade é qualquer um onde ela possa criar e registrar momentos especiais.

Os amigos que fez durante sua trajetória compõem parte integral do Diário. Seja um almoço no Restaurante Universitário, seja uma atividade na igreja onde passa boa parte de seu tempo livre, Joseane acredita que a companhia de quem ela mais ama é essencial para a criação de memórias dignas de registro.

“Eu não faço o Diário sozinha, a vivência da Universidade é conjunta. Registrar os desenhos de um colega, a risada de outra amiga, os abraços. Essa é a graça do Diário”

Joseane Dainoski

E é possível observar, acompanhando o Diário desde o início, os laços de Joseane com as pessoas e os espaços da UFRGS se fortalecendo com o passar do tempo. É como observar os registros de uma vida mudando dentro da Universidade. “O diário, ele acabou registrando além da minha vivência, então, conversas com os colegas também e a vida deles, a rotina deles”, conta.

Com o tempo, além de ajudar Joseane a registrar e guardar momentos e situações especiais, o Diário também passou a alcançar pessoas de fora da Universidade. Inesperadamente, ela se tornou inspiração para muitos aspirantes a estudantes da UFRGS. “Não era o meu propósito, mas muita gente entra no meu perfil e quer conhecer a universidade, quer conhecer a vivência de alguém que tá mesmo na universidade antes de entrar”, observa. “Não esperava que chegasse a isso.”

O prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas é um dos lugares que a estudante do curso de História, a aluna Joseane Dainosk, mais frequenta no Campus do Vale (Foto: Pietro Scopel/JU)

E, como estudante de História, Joseane também observa a relevância do Diário no registro de momentos relevantes para a sociedade como um todo. Durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre o fim de abril e maio de 2024, por exemplo, Joseane registrou suas observações e experiências sobre a situação de calamidade que o estado enfrentava. “Senti muita falta de fazer as edições por aqui, mas não estava em condições de manter a regularidade que havia antes de tudo isso”, escreveu ela sobre a quebra de regularidade nas postagens durante o período.

Hoje com mais de 200 edições, a palavra que melhor representa o Diário para Joseane é nostalgia. Para ela, rememorar os primeiros registros, como os ônibus que perdeu no Câmpus do Vale antes de se familiarizar com a rota diária de ida e volta para a casa, é quase como retornar ao ponto exato do passado quando essas memórias foram criadas. “Eu fui formando essa identidade e o Diário foi registrando isso”, diz. “Muitas memórias estão registradas ali.”

Atualmente no sétimo semestre do curso, Joseane não sabe ao certo qual será o futuro do Diário após sua formatura, mas não cogita apagar os registros. É quase como um documento histórico de valor inestimável. “Ele tem que ficar ali porque não é só a minha rotina, minha vida que tá registrada”, reflete. “Para que as pessoas possam ver mesmo, porque de alguma forma a vivência delas também circulou ali.”


A série Meu Lugar na UFRGS é um projeto conjunto JU e UFRGS TV. Confira abaixo a reportagem em vídeo: