Vivências de uma estudante do Colégio de Aplicação

Artigo | Mariana de Freitas Dias, estudante do terceiro ano no CAp, conta suas experiências no final da trajetória escolar, buscando gratidão e leveza em meio às pressões desse período

*Foto: Flávio Dutra/JU

O último ano do ensino médio é a divisão da adolescência para a fase adulta, é um período intenso, cheio de expectativas e decisões. Ter vivido essa experiência no Colégio de Aplicação da UFRGS foi gratificante, e, ao mesmo tempo, desafiador. Com aulas em turno integral duas vezes por semana, foi difícil conciliar a rotina puxada de estudos do colégio com a preparação para os vestibulares e o ENEM, fazendo com que o sentimento de insuficiência fizesse parte do meu dia a dia.

Apesar da pressão, o “terceirão” foi muito mais do que cobranças e dificuldades, ele foi repleto de bons momentos. Cada memória é especial, os trotes engraçados, as conversas na fila para o lanche, os momentos com os professores e as risadas até mesmo nas aulas mais difíceis. E, conforme o fim do ano se aproximava, cada momento se tornava ainda mais precioso. Diante desse turbilhão de emoções e responsabilidades, o principal desafio foi equilibrar os estudos com a vida pessoal sem perder a leveza dessa fase única.

Entre todos os momentos marcantes deste ano, o meu último primeiro dia de aula representou o início do fim de uma etapa muito importante da minha vida, e acredito que também seja assim para muitos estudantes. No dia 19 de fevereiro de 2025, voltar ao Colégio de Aplicação da UFRGS teve um peso diferente. Foi uma manhã marcante.

Acreditava encontrar muitos colegas desanimados por deixarem as férias para trás, ou até mesmo uma sensação de melancolia, por estar cada dia mais perto de encerrar esse ciclo, mas, para minha surpresa, o dia foi exatamente o oposto disso, foi um dos dias mais alegres do ano letivo!

Os primeiros períodos foram livres, para apresentar o colégio para os alunos novos, então eu e minhas amigas demos uma volta, conversamos e tiramos fotos que hoje, quando vejo na galeria, bate aquela saudade. Na sala de aula foi uma animação que eu nunca tinha visto igual, nem mesmo nos primeiros dias de aula do ensino fundamental. Cada um decidindo onde ia sentar, escolhendo lugares que ficaram fixos até os últimos dias do ano. Boa parte da sala estava unida e conversando, maior agitação!

Sem dúvidas, foi o primeiro dia de aula mais animado que já vivi. A contagem regressiva para deixar o ensino médio já havia começado, e apesar do medo, o sentimento que prevaleceu foi a felicidade. Foi nesse momento que percebi que, apesar de ser o começo do fim dessa fase, também foi o início dos momentos únicos que eu vivi. E, acima de tudo, naquele dia, eu estava otimista. Com isso eu entendi que o terceiro ano do ensino médio não é sinônimo de pressão e, sim, de intensidade.

Quando se fala em finalizar o ensino médio, é impossível não mencionar os nossos professores e a importância que eles têm na conclusão desse ciclo. Desde o primeiro professor lá no ensino fundamental até os do último ano, todos influenciaram de alguma forma a minha vivência escolar, e cada um teve um papel importante nessa “finaleira”. E quando falo em papel, é mais do que o de ensinar a matéria, é de transmitir ensinamentos que levo para a vida. Com a proximidade da conclusão do ensino médio, percebo que carrego uma lição de cada um deles comigo, sem exceção.

Tive professores que me ensinaram a amar a leitura, a fazer relações entre diferentes disciplinas e a olhar o mundo com outros olhos. Todos deixaram um pedacinho deles em mim, e é com muito carinho que guardo essas experiências.

Todos os professores marcam nossa trajetória de alguma maneira. E, para homenagear a importância deles, são escolhidos os paraninfos. A turma decidiu em conjunto dois professores que se completam, o Adauto de literatura e língua portuguesa e o Victor de química. Os professores escolhidos foram uma verdadeira inspiração, sempre bem-intencionados. Um exemplo foi a iniciativa que o Adauto teve e que o Victor acompanhou de fazer um passeio para doar sangue, tornando nossa turma a primeira do colégio a realizar essa ação solidária. E como o Adauto disse no ônibus, “primeira turma que deu o sangue pelo CAP!”.

No dia 9 de outubro, foi feito o convite para os professores que, após passarem por uma caça a tesouros, encontraram a surpresa. Todos os alunos segurando um cartaz com a pergunta “Vocês aceitam ser nossos paraninfos?”. A emoção foi tanta que não consegui segurar as lágrimas no discurso. Ver a gratidão dos professores pela nossa escolha foi um sentimento sem igual. Certos professores deixam marcas que carregamos para sempre. E eles, com certeza, são essas pessoas na minha vida.

Encerrar o ensino médio no Colégio de Aplicação foi muito mais do que concluir uma etapa acadêmica, foi fechar um ciclo cheio de histórias, aprendizados e pessoas que marcaram minha trajetória, me transformando como estudante e como pessoa. Levo comigo não apenas o conteúdo das aulas, mas as memórias, os afetos e as lições de vida que recebi ao longo desses anos.

Com o passar desse último ano, percebi que viver o terceirão é muito mais que estudar para vestibulares, é se despedir aos poucos de uma rotina que fez parte da minha vida por tanto tempo. O terceirão me ensinou a viver com intensidade e leveza, mesmo diante da pressão, aproveitando cada momento, cada amizade e cada risada com quem está ao meu lado. A jornada não é fácil, mas foi profundamente gratificante viver isso ao lado de professores inspiradores e colegas que tornaram os dias mais leves. O fim chegou, mas com ele veio um novo começo, e se tem algo que esse último ano me ensinou é que vale a pena viver cada momento de coração aberto.


Mariana de Freitas Dias é estudante do terceiro ano do ensino médio no Colégio de Aplicação da UFRGS.


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