ARTE ENTRE OS SÉCULOS XIV e XVIII


ARTE ENTRE OS SÉCULOS XIV E XVIII

A produção artística entre os séculos XIV e XVIII, sobretudo em solo europeu, é marcada por múltiplas e profundas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais. A grosso modo, esse período é conhecido como IDADE MODERNA. Segundo a periodização proposta pela historiografia, a Idade Moderna se estende de 1453 a 1789. Enquanto a primeira data é assinalada pela Queda de Constantinopla em poder dos turcos, a segunda indica a Revolução Francesa. Na esfera mundial, é um período de mudanças: desde o desenvolvimento da imprensa, por Johannes Gutenberg, passando pela Reforma Religiosa, encabeçada por Lutero, pelo encontro entre o “velho” e os “novos” mundos, a partir das navegações marítimas, chegando aos primórdios da Revolução Industrial... São muitas as transformações que atravessam esses poucos séculos e que justificam a denominação e o qualitativo MODERNO, lembrando que o seu uso, aqui, está muito mais relacionado a algo que se opõe ao antigo, que se opõe ao conhecido.

Para o campo da História da Arte, no entanto, a expressão MODERNO tem outra conotação, e é importante que essa seja assinalada, mesmo que brevemente. Chamamos de ARTE MODERNA à produção datada entre, aproximadamente, o último quartel do século XIX (~1870) e o início da segunda metade do XX (~1960). Assim, é fundamental lembrar que não devemos confundir IDADE MODERNA com ARTE MODERNA. Da mesma forma que não devemos confundir IDADE CONTEMPORÂNEA com ARTE CONTEMPORÂNEA. Se lembrarmos que, por convenção, a Idade Contemporânea inicia em 1789, evidentemente que é incorreto usar a terminologia Arte Contemporânea para a produção artística desse mesmo período.

Quando falamos de História da Arte na IDADE MODERNA, estamos falando de uma produção que, embora não seja reflexo das transformações sociais e tecnológicas há pouco pontuadas (uma vez que a arte jamais é resultado, mas também agente de seu tempo), evidentemente reverbera tais câmbios. Deste modo, ao contrário das imagens de cunho religioso que caracterizam a Idade Média, as imagens a partir do século XV passam a enfatizar outros aspectos, como o próprio homem. Há uma retomada do gênero “retrato”, durante séculos censurado, bem como, respondendo ao Humanismo então vigente, do clássico. Com isso, mitos e personagens da literatura antiga são novamente tema da arte ocidental.

Costumamos estudar a produção desse e de outros períodos a partir de seus grandes “estilos artísticos”. E embora tal sistematização venha sendo revista por especialistas da área, ela ajuda a identificar características formais e simbólicas recorrentes em cada época. Durante a Idade Moderna, os grandes estilos da arte ocidental são: RENASCIMENTO, MANEIRISMO, BARROCO e ROCOCÓ. Na metade do século XVIII, desponta também o NEOCLASSICISMO, prolongando-se até o início do XIX.

Cronologicamente, o Renascimento se estende de cerca de 1330 (Proto-Renascimento) até 1520. O Maneirismo, estilo de transição verificado principalmente na arte italiana, entre 1520 e 1600. Já o Barroco, entre 1600 e 1700, enquanto o Rococó, difundindo-se a partir da França, é o estilo dominante nas cortes ao longo do século XVIII.