ARTE ENTRE OS SÉCULOS XIV e XVIII


Neoclassicismo

Neoclassicismo foi o movimento artístico predominante na arte e na arquitetura européia do final do século XVIII e o início do XIX. Segundo o Dicionário Oxford de Arte, ele se caracteriza pelo desejo de recriar o espírito heróico, bem como os padrões decorativos da arte da Grécia e da Roma da Antiguidade. Um dos traços distintivos do movimento foi um renomado interesse, de caráter mais científico, pela Antiguidade Clássica, bastante estimulado pelas descobertas de Pompéia e Herculano. O Neoclassicismo é visto como parte de uma reação ao despreocupado e frívolo estilo Rococó. A ordem, a clareza e a racionalidade das artes grega e romana também exerceram forte apelo na era do Iluminismo, e na França o estilo neoclássico acarretou fortes implicações morais, estando associado a uma mudança na visão da sociedade e a um desejo de revestir a vida cívica de antigos valores romanos. De fato, é nas pinturas de David, com sua grandeza antiga e simplicidade de forma, e sua severidade tonal, que o Neoclassicismo encontra sua mais pura expressão, muito embora o estilo tivesse nascido e fosse centrado em Roma. Anton Raphael Mengs (1728–1779) e Johann Joachim Winckelmann (1717–1768), vivendo em Roma, constituíram a vanguarda do movimento, e outras grandes personagens de toda a Europa – Antonio Canova (1757–1822), John Flaxman (1755–1826), Gavin Hamilton (1723–1798) e Bertel Thorvaldsen (1768/70–1844), entre outros – passaram nessa cidade partes importantes de suas carreiras. Trabalharam lá também muitos artistas norte-americanos – notadamente o escultor Horatio Greenough (1805–1852), aluno de Thorvaldsen – que levaram o estilo neoclássico a seu país. Winckelmann, o maior propagandista do movimento, via a arte clássica como a incorporação de uma “nobre simplicidade e calma grandeza”, mas houve grandes variações estilísticas no interior do próprio Neoclassicismo; Angélica Kauffmann (1741–1807), por exemplo, pintava num estilo delicado e gracioso.

Ademais, reconhece-se a inexistência de uma linha divisória clara entre o Neoclassicismo e o Romantismo, embora as duas tendências pareçam de algum modo situar-se em pólos espirituais opostos. Na retomada do interesse pela arte antiga, o zelo arqueológico facilmente confundia-se com um anseio nostálgico por uma Idade do Ouro perdida, e o termo “classicismo romântico” é às vezes usada para caracterizar um aspecto do Neoclassicismo no qual o interesse pela Antiguidade é revestido de contornos românticos. Na verdade, a antipatia entre clássicos e românticos – exemplificada por Jean-Auguste Dominique Ingres (1780 – 1867) e Eugène Delacroix (1798–1863) – era desconhecida antes do século XIX, e foi só na metade desse século, quando o estilo antigo já caíra de moda, que surgiu a palavra “Neoclassicismo” – de início um termo pejorativo comportando insinuações de falta de vida e impessoalidade. Essas conotações negativas apegaram-se firmemente ao termo, e as ardentes aspirações dos fundadores do Neoclassicismo foram obscurecidas pelo fato de que apenas os aspectos mais decorativos do movimento – como, por exemplo, a cerâmica de Wedgwood – tornaram-se associados ao termo na mente popular, em detrimento das grandes obras primas de David e de Canova.





Referências

CHILVERS, Ian. [Verbete Neoclassicismo, extraído do] Dicionário Oxford de Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 374.