ARTE ENTRE OS SÉCULOS XIV e XVIII


LEONARDO da Vinci
(1452–1519)


ANDREA DEL VERROCHIO (1435–1488), com participação de LEONARDO da Vinci (1452-1519)
O Batismo de Cristo, cerca de 1472-75
Óleo e têmpera sobre madeira, 177 x 151 cm
Galleria degli Uffizi, Florença, Itália

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Madona do Cravo, cerca de 1475
Óleo sobre madeira, 62 x 47,5 cm
Alte Pinakothek, München, Alemanha

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Ginevra de’Benci, entre 1478-1480
Óleo e têmpera sobre madeira, 38,1 x 37 cm
Washington, National Gallery, Estados Unidos

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
A Virgem dos Rochedos, entre 1493-1495 e 1506-1508
Óleo sobre madeira, 195,5 x 120 cm
National Gallery, London, Inglaterra

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Homem Vitruviano, entre 1502-1516
Pena e tinta, 34,3 x 24,5 cm
Galleria dell’Accademia, Veneza, Itália

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Madona Litta, cerca de 1490
Óleo sobre tela (transferido para um painel), 42 x 33 cm
Ermitage, São Petersburgo, Rússia

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
A Dama com Arminho, entre 1483-1490
Óleo sobre madeira, 21 x 15 cm
Museu Czartoryski, Cracóvia, Polônia

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
La Belle Ferronière, cerca de 1490
Óleo sobre madeira, 63 x 45 cm
Musée du Louvre, Paris, França

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Retrato de um Músico (Franchino Gaffurio?), cerca de 1490
Óleo sobre madeira, 44,7 x 32 cm
Pinacoteca Ambrosiana, Milano, Itália

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
A Última Ceia, entre 1495-1498
Óleo e têmpera sobre gesso, 460 x 880 cm
Santa Maria delle Grazie, Milano, Itália

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Retrato de Isabella d’Este, cerca de 1499
Carvão, giz preto e pastel sobre papel, 63 x 46 cm
Musée du Louvre, Paris, França

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
A Virgem com o Menino e Santa Ana, entre 1502-1516
Óleo sobre madeira, 168 x 130 cm
Musée du Louvre, Paris, França

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
Mona Lisa, entre 1503-1506
Óleo sobre madeira, 77 x 53 cm
Musée du Louvre, Paris, França

LEONARDO da Vinci (1452-1519)
São João Batista, entre 1513-1516
Óleo sobre madeira, 69 x 57 cm
Musée du Louvre, Paris, França

Leonardo, um dos nomes mais importantes do Renascimento, nasceu em 15 de abril do ano de Nosso Senhor de 1452 na cidade de Vinci como filho ilegítimo do notário Ser Piero di Antonio e da camponesa Caterina. Viveu com seu pai e a madrasta, Albiera di Giovanni Amadori, com quem seu pai se casou no mesmo ano em que Leonardo nasceu.

Em 1469, Leonardo se mudou, junto com o pai e a madrasta, para Florença. Certo dia, Ser Piero resolveu levar alguns dos desenhos produzidos por seu filho para que fossem vistos pelo seu amigo, o pintor Andrea del Verrocchio (1435–1488), para que este lhe desse um parecer sobre as ilustrações do garoto. Verrocchio ficou imediatamente impressionado com a qualidade dos trabalhos do jovem e aconselhou ao amigo que colocasse seu filho para estudar a técnica. Assim, Leonardo se tornou aprendiz no atelier de Verrocchio.

Seus desenhos mais antigos conhecidos foram produzidos em 1470. Alguns deles seguiam a temática “antigo guerreiro”, centrada na representação de homens vestidos em armaduras que remetiam ao período clássico; era um dos estilos mais praticados e incentivados aos alunos do atelier de Verrocchio. Leonardo costumava treinar suas habilidades como desenhista a partir da reprodução da imagem de esculturas e de outros modelos feitos com trapos e gesso, que serviam de referência para o desenho e a pintura de panejamentos.

Acredita-se que durante a época em que trabalhava com Verrocchio Leonardo participou do quadro O Batismo de Cristo (1472–1475), de autoria de seu mestre, pintando o anjo que aparece mais à esquerda da tela, bem como retocando partes do corpo de Jesus e da paisagem. Diz a lenda contada por Giorgio Vasari (1511–1574) que, após o término desse quadro, Verrocchio reconheceu que Leonardo o havia superado no uso das cores e teria decidido encerrar sua carreira de pintor.

Em 1472, Leonardo foi aceito como membro do grêmio de pintores de San Luca e, em 1473, executou o desenho Paisagem do Arno, possivelmente um esboço feito em uma viagem, que é considerado uma das primeiras representações autônomas de uma paisagem. Durante seu período como aprendiz de Verrocchio, realizou algumas pinturas com significativas influências de seu mestre e dos pintores flamengos, como A Anunciação (c. 1472-1475) — cuja autoria talvez seja apenas parcial de Leonardo —, a Madona do Cravo (1475) — considerado por alguns como seu primeiro quadro executado inteiramente sozinho [detalhe 1] [detalhe 2] — e a Madona Benois (1475-1478). Também foi nesta época, em 1476, que por duas vezes foram levantada acusações, mas não registradas formalmente, de que Leonardo teria se envolvido em atividades homossexuais na companhia do assistente de pintura Jacopo Saltarelli, que era conhecido por práticas de sodomia.

Devido à grande concorrência de pintores em Florença nessa época, era difícil para um iniciante como Leonardo conseguir grandes trabalhos. Ser Piero, que já havia sido reconhecido como um grande notário na cidade e prestado serviços para a Signoria — a câmara legislativa local —, conseguiu que, no ano de 1478, Leonardo recebesse uma encomenda para uma pintara de altar para a Capela Bernhard, na sede administrativa do Palazzo Vecchio de Florença; entretanto, Leonardo nunca concluiu o trabalho, mesmo tendo recebido 25 ducados como adiantamento. Entre 1478 e 1480, esteve envolvido na produção de sua primeira pintura não religiosa e que se afastava bastante do estilo de Verrocchio, aproximando-se mais do estilo presente nos primeiros retratos flamengos: o Retrato de Ginevra de’Benci (c. 1478-1480).

Leonardo passou a ser mais bem reconhecido ao final da década de 1470, e em 1480 recebeu uma encomenda para uma pintura de altar para La Badia de Florença ilustrando São Jerônimo. No ano seguinte, também por intermédio do pai, foi-lhe encomendada uma grande pintura de altar para uma igreja próxima a Florença chamada San Donato a Scopeto. Tal pintura foi chamada de A Adoração dos Magos. Tanto em São Jerônimo, como em A Adoração dos Magos, já estão presentes características que Leonardo retomaria e desenvolveria em suas obras posteriores, como a preocupação com a fisiologia humana, a geometria e o trabalho matemático na busca da perspectiva e a tentativa de alcançar o Logus platônico através da representação não apenas da cena e de seus elementos, mas também do estado de espírito e emocional que se atingiria ao se observar o real acontecimento ali ilustrado. Apesar de essas serem as mais importantes e elaboradas obras produzidas por Leonardo até então, nenhuma delas chegou a ser concluída, sendo ambas abandonadas em 1482.

Entre 1482 e 1483, Leonardo escreveu uma longa carta tendo como destinatário Ludovico Sforza, “o Mouro”, governante de Milão, na qual se apresentou e listou seus inúmeros talentos — principalmente os relacionados à engenharia e à arquitetura militar —, referindo-se apenas de passagem que era um artista tão qualificado quanto os demais que lhe poderiam fazer concorrência. Apesar da carta direcionada a Sforza, sua primeira encomenda recebida de Milão foi feita pela Irmandade Franciscana da Igreja de São Francesco Grande, e tratava-se da pintura do retábulo da nova capela e que deveria ser realizada junto com os irmãos Evangelista e Ambrogio de Predis. Para esse retábulo, Leonardo pintou A Virgem dos Rochedos (1483-1486), que era a imagem central e servia para cobrir a imagem de adoração Immacolata — que só era exposta no dia 8 de Dezembro, Dia da Imaculada Conceição [detalhe 1] [detalhe 2]. Entretanto, houve um desentendimento entre o autor e a irmandade quando ao preço do quadro. Assim, Leonardo resolveu vender sua pintura para um apreciador de arte que lhe ofereceu uma quantia superior, mas após disputas legais, Leonardo teve de pintar uma segunda versão de A Virgem dos Rochedos, que foi produzida entre, aproximadamente, 1493 a 1495 e 1506 a 1508 para substituir a original no retábulo da capela.

Na segunda metade da década de 1480, Leonardo já era um pintor reconhecido em Milão, mas existem poucos registros de pinturas suas nesta época. Querendo colocar-se sob os serviços de Sforza, Leonardo se dedicou ao projeto de armas, equipamentos e edificações com finalidades bélicas — de sua própria autoria, bem como a desenhar esquemas de armamentos desenvolvidos por outros projetistas —, na tentativa de agradar o administrador de Milão através das áreas de seu interesse. Também se dedicou à arquitetura, trabalhando como arquiteto consultor no atelier da Catedral de Milão. Neste mesmo período se dedicou a complexos estudos de fisiologia humana, chegando a iniciar, em 1489, Da Figura Humana — livro que jamais concluiu — e reinterpretou as teorias sobre o corpo humano do arquiteto do Império Romano Vitruvio ao realizar o desenho Homem de Vitrúvio, em 1490. Durante toda a década de 1480, Leonardo mais desenhou esboços e estudos com aspirações científicas, do que pintou. Apenas por volta de 1489 é que Leonardo conseguiu uma posição na corte de Sforza, e graças ao seu projeto para o monumento equestre em homenagem a Francesco Sforza que seu filho Ludovico há anos desejava. O monumento foi mais um dos trabalhos nunca concluídos, apesar dos diversos desenhos de estudo e de um modelo em barro construído com sete metros de altura.

Apenas em 1490 é que voltou à atividade da pintura com quadro Madona Litta, o pelo menos supostamente, pois apesar de ter sido encontrado seu esboço para o quadro, a técnica utilizada parta a pintura difere da sua. Possivelmente Madona Litta fora realizada a partir de um de seus desenhos por um aluno ou por Leonardo com colaboração deste aluno. Também trabalhou fazendo decorações festivas e pintando quadros de pessoas relacionadas a Sforza e à corte de Milão, como o Retrato de Ceccillia Gallerani (A Dama com Arminho) de 1490 — que representava uma das amantes de seu patrono [detalhe] —, o retrato de uma desconhecida, realizado na mesma época, conhecido como La Belle Ferronière, e, possivelmente, o Retrato de Um Jovem, que parece representar um músico, mas cuja autoria é questionada devido à postura e ao trabalho com luzes realizados na imagem representada. Também a pedido de Sforza, Leonardo pintou, entre 1495 e 1498, na sala do refeitório do Mosteiro de S. Maria delle Grazie, o afresco A Última Ceia, retratando Jesus e seus apóstolos. Diferente das demais representações da cena feitas por outros pintores, Leonardo, aqui, apesar do posicionamento teatral dos elementos, elaborou cuidadosamente a expressão de cada um dos personagens para que transmitissem uma carga emocional única e que ajudassem o espectador a atingir a verdade presente no momento histórico/religioso ali representado [detalhe]. Devido aos experimentos realizados com tintas e a falta de gosto e prática de Leonardo na produção de afresco, a pintura atualmente está extremamente danificada.

A última encomenda realizada para Sforza consistiu na Sala delle Asse, uma pintura decorativa feita entre 1496 e 1498 nas paredes e teto de uma sala no Castello Sforzesco representando o brasão rodeado de vegetação e os acontecimentos mais importantes da vida de Ludovico Sforza, incluindo sua recente ascensão ao título de Duque de Milão. Entretanto, no ano seguinte, Milão foi tomada pelo exército francês, que depôs Sforza e deu uma nova destinação ao modelo de barro do monumento equestre representando seu pai: alvo para a prática de disparos dos arqueiros franceses.

Impressionado com os trabalhos de Leonardo como pintor, ainda em 1499, o rei de França, Luis XII, encomendou uma grande pintura que nunca chegou a ser concluída, pois o artista abandonou Milão neste mesmo ano. A pintura jamais tomou forma, existindo apenas como um desenho inacabado conhecido hoje como Burlington House Carttom que retratava Maria, Ana e os meninos Jesus e João Batista. De Milão, Leonardo foi para Mântua trabalhar para Isabella d’Este, onde produziu, entre outros, um desenho retratando sua nova mecenas, mas que provavelmente também jamais chegou a realizar como pintura [detalhe].

Em 1500, partiu para Veneza e logo em seguida voltou a Florença. De volta à cidade onde iniciou sua carreira, tratou de produzir os rascunhos para a encomenda dos Monges Servitas de DD. Annunziata, uma pintura de altar conhecida como A Virgem com o Menino e Santa Ana, sendo que neste tempo passou a viver com os monges. No ano seguinte, supostamente pintou uma representação de Maria e do Menino Jesus para o secretário do rei de França, Florimond Robertet, chamado de Madona do Fuso. Tratou de iniciar a pintura da encomenda de A Virgem com o Menino e Santa Ana, prometida aos Monges Servitas. Apesar de ter iniciado tal pintura em 1502, só a finalizou em 1516 [detalhe 1] [detalhe 2]. Mesmo voltando a pintar, seus trabalhos nesta área eram exageradamente lentos, pois nesta época dividia seu tempo com outras atividades como a Matemática e a Geografia. Em 1502, chegou a trabalhar para César Borgia — viajando em suas campanhas pela Península Itálica — como engenheiro militar e desenhando mapas com finalidades bélicas, e no ano seguinte regressou a Florença e retomou a atividade de pintor.

De volta a Florença, iniciou a pintura do retrato de Lisa del Giocondo a pedido do seu marido, Francesco del Giocondo, que desejava a obra para comemorar o nascimento do filho do casal e a mudança da família para uma nova residência. Esse quadro se tornaria a mais famosa pintura de Leonardo — talvez até a mais famosa de todas as pinturas — conhecida como Mona Lisa., que possuía influência das imagens de madonas pintadas anteriormente por Leonardo [detalhe], como também dos quadros flamengos. Leonardo trabalhou nesse quadro até 1506 e jamais o entregou a del Giocondo, pois desviou suas energias a outro trabalho neste período. Entretanto, a Mona Lisa influenciou drasticamente no modo de se pintar retratos em Florença a partir de então, pois, em uma visita ao atelier de Leonardo, o retrato de Lisa del Giocondo foi visto por Rafael Sanzio, que ficou impressionado e decidiu assimilar alguns dos elementos da pintura aos seus próprios trabalhos. Quanto ao trabalho que tomou a maior parte do tempo de Leonardo entre 1503 a 1506, trata-se da pintura de um mural no Palazzo Vecchio na qual deveria ilustrar a Batalha de Anghiari, ocorrida em 1440 entre florentinos e milaneses com a vitória de Florença. Essa pintura formaria um conjunto com outra pintura de mural chamada Batalha de Cascina, também retratando uma das vitórias militares de Florença, mas realizada por Michelangelo Buonarroti. O mural de Leonardo jamais foi concluído, mas a parte realizada mostrava parcialmente quatro cavaleiros, dois de cada uma das facções, disputando uma bandeira. Os heróis florentinos eram singelos se comparados às expressões e à carga emocional passada pelos vilanescos e furiosos milaneses. Mais uma vez o ponto forte do trabalho de Leonardo, além até mesmo dos minuciosos detalhes, era a sensação que o observador tinha dos sentimentos dos personagens, a tentativa do autor de fazer o espectador ter algo da experiência do momento ali representado. Um contraste ao mural de Michelangelo, que parecia mais preocupado em exibir a perfeição física dos personagens. Ainda assim, Leonardo ficou um tanto fascinado pelo domínio da representação da fisiologia de Michelangelo, ideia que estava em ascensão no Alto Renascimento, e retomou seus estudos sobre a musculatura masculina. Durante o Século XVI, os murais foram destruídos, sobrevivendo apenas cópias feitas por outros autores.

Leonardo recebeu uma carta do governador francês de Milão em 1506, Charles d’Amboise, que solicitava seus serviços. O artista conseguiu uma autorização para interromper temporariamente sue trabalho no mural do Palazzo Vecchio e ir até Milão. Ao chegar à cidade, ficou lá por mais três meses do que o combinado. Retornou à Florença apenas temporariamente para tratar de questões de herança familiar e mais uma vez abandonou a pintura da Batalha de Anghiari — desta vez definitivamente — retornando para Milão e lá, por questões legais, pintou a segunda versão da Virgem dos Rochedos para a Irmandade Franciscana que finalizou em 1508. Permanecendo em Milão, passou a trabalhar para o governador francês que administrava a cidade, e, neste período, retomou a pintura A Virgem com o Menino e Santa Ana, pintou um quadro atualmente desaparecido chamado Leda e o Cisne, trabalhou como arquiteto e projetista. Também retomou seus desenhos de anatomia, agora se concentrando principalmente na musculatura e ossos e, diferente dos seus desenhos anteriores, baseados principalmente em livro, passou a praticar o estudo de cadáveres humanos. Apenas para os desenhos de órgão internos é que se utilizava ainda da dissecação de cadáveres de outros animais. Ainda retomou seus projetos para o monumento equestre — agora com esboços ainda mais grandiosos —, desta vez para o comandante das tropas francesas Giangiacomo Trivulzio, mas este acabou desistindo do projeto para o seu túmulo.

Com a morte de d’Amboise em 1511 e a expulsão dos franceses de Milão no ano seguinte, em 1513 Leonardo passa a trabalhar para Julião de Medici, irmão do Papa Leão X, e vai para Roma. Lá, esperava trabalhar como artista da corte papal, mas um artesão da corte que lhe tinha inimizade fez o possível para que ele não recebesse encomendas. Assim, Leonardo ofereceu e prestou serviços ao Papa como engenheiro, realizando a drenagem dos Pântanos de Pontini. Nesse período, passou a executar algumas experiências excêntricas, com a criação de vernizes para sobrepor às pinturas — que resultou no auge de sua técnica sfumato, que por sua vez permitiu a realização do quadro São João Batista pintado entre 1513 e 1516 —, bem como a criação de balões infláveis feitos a partir de intestinos de animais. Ainda há uma segunda versão de São João Batista, cuja existência de rascunhos de Leonardo comprova sua idealização, mas sua execução é controversa se realizada pelo próprio Leonardo ou por um de sues alunos. João Batista nessa segunda versão da pintura posteriormente ganhou atributos do deus Baco quando um autor desconhecido os acrescentou sobre a pintura original.

Quando Julião de Medici morreu, em 1616, Leonardo foi convidado por Francisco I, rei de França, para ser seu artista da corte. Nesses últimos anos na França, Leonardo trabalhou em experimentos científicos, projetos arquitetônicos, sistemas de irrigação. Pouco pintou, provavelmente por causa de sua parcial paralisia devido à avançada idade, mas retomou seus desenhos. No final da vida, trabalhou em uma infinidade de desenhos nos quais ilustrava objetos variados. Morreu em 2 de maio de 1519, e, segundo o mito, com o rei de França ao seu lado. Entre 1520 e 1530, seu aluno Francesco Melzi reuniu uma série de textos de Leonardo resultando no Tratado da Pintura, em que o artista fala sobre suas técnicas e observações.

O túmulo de Leonardo, na Igreja de São Florentino, foi destruído durante as Guerras dos Hugenotes, mas permaneceu o texto com o registro “No claustro desta igreja foi sepultado M. Leonardo da Vinci, um nobre de Milão, engenheiro, arquiteto do rei, um mestre em mecânica e antigo Diretor de Pintura do Duque de Milão.”

Verbete elaborado por Rafael Machado Costa
Aluno do Bacharelado em História da Arte da UFRGS





Referências

BURKE, Peter. O Renascimento Italiano: Cultura e sociedade na Itália. São Paulo: Editora Nova Alexandria.

ZÖLNER, Frank. Leonardo da Vinci. Köln: Taschen GmbH, 2010.

Fonte das imagens

WEB GALLERY OF ART:
http://www.wga.hu/index1.html.
Acesso em: 26 de setembro de 2010.