Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

Brasil, um país da impunidade?

Contexto

A taxa nacional de esclarecimento de homicídios no Brasil é de apenas 44%, segundo a quarta edição da pesquisa “Onde Mora a Impunidade”, do Instituto Sou da Paz. Neste mesmo relatório, é possível analisar que, apesar das prisões superlotadas, pessoas presas por homicídios representam menos de 10% da população prisional no Brasil. Em 2020, mais de um terço das pessoas presas no país aguardavam julgamento. Eram mais de 240 mil presos provisórios. O Rio Grande do Sul ocupa a sexta posição em relação ao percentual de esclarecimentos de homicídios. São 52% de crimes resolvidos, segundo a última pesquisa.

Proposta

Entender quantos familiares de vítimas de homicídios têm garantido seu direito a uma resposta, sem que o crime seja esquecido. É o esquecimento que faz com que crimes contra a vida caiam na impunidade? Quais são os crimes mais esquecidos? Que tipo de crimes?

Abordagem

A reportagem pretende refletir sobre o quão fácil um crime, especificamente homicídios dolosos, podem cair no esquecimento da sociedade e do  poder público e assim não terem uma solução. Para isso, serão analisadas diferentes situações da impunidade. A primeira será relembrar um caso que teve relevante repercussão na mídia mas segue sem solução e a outra será mostrar casos de pessoas/famílias que lutam sozinhas para que um crime não seja esquecido e possa ser solucionado. Além disso, a matéria vai buscar entender como isso afeta a vida dessas pessoas. 

Possíveis fontes
  • Cláudia Mauch, professora de história da UFRGS com experiência em pesquisas nas áreas da história do crime e da justiça criminal, especialmente História da polícia, com ênfase em história social e cultural.
  • Renato Dorneles, jornalista com experiência na editoria de polícia em Porto Alegre
  • Advogado(a) criminalista
  • Psicóloga(o) especialista em traumas criminais
  • Cases: Pessoas/Famílias que passaram por essa situação e o crime ainda não foi solucionado
Questões para serem respondidas
  • O que faz com que crimes não sejam solucionados? São investigações falhas?
  • Porque os julgamentos, quando ocorrem, demoram tanto para acontecer?
  • Porque os crimes prescrevem? O que isso significa? E com qual frequência acontece? 
  • Porque familiares de vítimas de homicídios não conseguem ter respostas sobre o crime? 
  • Quais as consequências que essa falta de respostas causa na vida dessas pessoas?
  • Qual a responsabilidade do Estado com familiares que  perderam entes vítimas de homicídio?
  • Qual é o papel da mídia na memória deste tipo de crime? Porque alguns casos ganham notoriedade e outros não? Isso pode interferir na solução do crime? 
  • O que pode ser feito de diferente para que a  taxa de soluções de homicídios dolosos aumente?
Imagens

Fotos do arquivo pessoal dos cases entrevistados nesta matéria para dar rosto aos números apresentados no texto. Possíveis ilustrações – simulação de uma cena de crime com as faixas amarelas, silhuetas e etc; prisões lotadas; 

Recursos Multimídia

Infográfico com as taxas de crimes solucionados em cada estado brasileiro; animação que simula uma cena de crime

Redes Sociais

Para o Instagram postar em uma quinta-feira, dia da #Tbt, um carrossel relembrando cinco crimes que ganharam notoriedade na época em que  aconteceram, resultaram em  impunidade e foram esquecidos. Nos stories, postar enquetes  para ver o quanto as pessoas lembram desses casos. No Twitter, postar o mesmo conteúdo do carrossel mas em  formato de thread. 


Da pauta à reportagem

A principal diferença entre o que foi proposto na pauta e a finalização desta reportagem foi a abordagem do tema. A intenção inicial era falar sobre o esquecimento de crimes com uma narrativa guiada por casos famosos. Porém, durante as entrevistas eu percebi que, de certa forma, esses crimes são sim lembrados. A partir daí, eu conduzi a reportagem com foco em quem realmente é esquecido. Apesar disso, todas as perguntas levantadas na pauta foram respondidas direta ou indiretamente. 

Todas as possíveis fontes foram entrevistadas, além de mais um nome de especialista que surgiu durante a apuração. Nem todo material adquirido durante as entrevistas foi utilizado. Encontrar cases para esta reportagem foi o mais difícil. Por se tratar de um assunto delicado para as famílias, não é fácil encontrar quem se sinta confortável em compartilhar a sua história. A entrevista com a personagem deste texto foi uma das mais difíceis que já fiz como repórter.