Objetivo
Resgatar as memórias e afetos criados dentro e a partir do Centro de Desenvolvimento da Expressão ao longo dos seus 60 anos.
contextualização
Fundado em 12 de abril de 1961, o CDE consolidou-se, ao longo das décadas, como uma referência em arte-educação, por meio de atividades de estímulo à criatividade de crianças, jovens e adultos em seus espaços, além de formação e qualificação de profissionais das áreas artísticas. No entanto, sua história foi marcada por constantes atropelos e obstáculos, sendo o mais dramático o desligamento de profissionais ligados à Secretaria da Educação do seu quadro funcional, em 1991. Outro fator desestabilizador de seu funcionamento foi a inexistência de uma sede própria.
Por esses e diversos outros fatores, o CDE perdeu sua força e magnitude ao longo dos anos 2000, sendo praticamente desativado devido aos impedimentos da pandemia de covid-19, em 2020. Este ano, porém, frente a uma nova direção, o Centro está gradualmente retomando suas atividades, no intuito de recuperar sua relevância no campo da arte-educação no estado do Rio Grande do Sul.
Esta reportagem pretende resgatar tal história e entender como o CDE influenciou a vida das pessoas que passaram por ele, destacando a sua importância na formação tanto de alunos quanto de professores e refletindo o senso de comunidade criado a partir do espaço. Para tanto, a matéria se baseia na pesquisa feita pelas curadoras Kátia Vielitz Almeida e Daniela Mei Lipp Nissinen para a realização da exposição “Centro de Desenvolvimento da Expressão – 58 anos de arte-educação”, em 2019.
Fontes:
- Luiza Coutinho: Professora do CDE até 2019 e uma das principais organizadoras das atividades promovidas pela instituição
- Francisca e Bento Dallabonna: casal de professores do CDE na década de 70 (Bento, atualmente, sofre de Alzheimer)
- Kátia Helena Lipp Nissinen e Daniela Mei Lipp Nissinen: mãe e filha que frequentaram o CDE como estudantes em diferentes décadas
- Kátia Vielitz Almeida: antiga estagiária do CDE e uma das responsáveis pela pesquisa acerca da história do espaço
Perguntas:
- Qual foi o seu primeiro contato com o CDE?
- Em que período você frequentou o espaço?
- Como você descobriu o CDE?
- Quais afetos você criou a partir da convivência no Centro?
- Quais são as suas memórias mais marcantes relativas ao CDE?
- Como o Centro de Desenvolvimento da Expressão fez parte da sua formação?
- Como funcionava o CDE na sua época?
- Por que o CDE é importante? E por que ele deve seguir funcionando?
Sugestões multimídia:
- Depoimentos em vídeo de ex-alunos e professores.
- Entrevista com a professora Maria Leda Martins de Macedo, sobre o Movimento de Escolinhas de Arte, que originou o CDE:
- Imagens do acervo do CDE, com produção dos alunos de diferentes épocas.
- Registros fotográficos das atividades do Centro ao longo dos anos.
Conteúdo para Redes Sociais:
- Criar uma figurinha compartilhável que permita aos seguidores postar produções artísticas antigas suas (desenhos, pinturas e esculturas feitas por eles quando crianças), dialogando com a temática do CDE.
- Reels com depoimentos de ex-alunos e professores falando um pouco sobre o Centro e convidando os seguidores a lerem a matéria.
DA PAUTA À REPORTAGEM
Escrever uma reportagem sobre o CDE foi mais difícil do que eu pensei inicialmente. Isso porque transformar em palavra escrita aquilo que é dito com um olhar emocionado ou um sorriso nostálgico não é tarefa fácil. Como estagiária da instituição, tive acesso, depois de já terminada a matéria, a relatos de mais alunos e professores que passaram pelo Centro ao longo dos anos; todos com um apreço enorme pelas experiências vividas. A reportagem tinha potencial para se tornar documentário, tantos são os depoimentos dignos de serem ouvidos. Percebi, tarde demais, que, para fazer jus ao CDE, deveria ter ouvido muito e outros mais.
Também foi um desafio, e segue sendo, entender os bastidores da instituição e traduzir para o leitor os obstáculos enfrentados por ela. “Como um espaço com tanto potencial social acaba escanteado pelo setor público?” foi a pergunta que eu não soube responder na reportagem, com medo de transformar o texto em uma lenga-lenga institucional que não levasse a lugar nenhum.
Apesar de contente com o meu trabalho final e meu processo de produção da reportagem, temo que o CDE precisasse de alguém melhor para transcrever sua história e retratar seus afetos. O Centro de Desenvolvimento de Expressão merecia um olhar treinado que soubesse transmitir tudo e o tanto que ele representa.