A história está presente nos nomes de ruas em que moramos, nas estátuas que vemos e nas praças que frequentamos. E o domínio sobre o passado também é alvo de disputa na cidade. Este assunto ganhou relevância durante os protestos anti racistas em 2021, em que foi registrada a derrubada de estátuas de escravistas e colonizadores em diversos locais no mundo.
Em Porto Alegre, temos diversas ruas, praças, bairros e monumentos que homenageiam ditadores e escravistas, como Castelo Branco, Costa e Silva e Bento Gonçalves. Também há lugares que remetem à luta contra a escravidão, como a praça do Tambor e o Largo Zumbi dos Palmares.
Existem, portanto, narrativas históricas em disputa, em que crimes e violações aos direitos humanos de algumas personalidades históricas são jogados no esquecimento.
Referências
- Dos cuidados e da necessidade de se derrubar mitos (por Eudes Cardozo) https://ihudd.org/blog/1/post/dos-cuidados-e-da-necessidade-de-se-derrubar-mitos-20?fbclid=IwAR0iTpfjtMI8I-i9iSzolMgGwPEhljppQIs1hBFuFgMbni7qhpXSM_o3uQw
- Ao contrário de Porto Alegre, Madri muda nomes de ruas em homenagem à ditadura de Franco (por Luís Gomes) https://sul21.com.br/ta-na-rede/2018/04/ao-contrario-de-porto-alegre-madri-muda-nomes-de-ruas-em-homenagem-a-ditadura-de-franco/
- O que fazer com ruas e estátuas que homenageiam figuras associadas ao racismo? Estudiosos debatem soluções https://gauchazh.clicrbs.com.br/porto-alegre/noticia/2020/07/o-que-fazer-com-ruas-e-estatuas-que-homenageiam-figuras-associadas-ao-racismo-estudiosos-debatem-solucoes-ckc6btb6f0032013ibribg2ke.html
- Lei que proíbe nomes de torturadores ligados à ditadura militar em monumentos e vias passa a valer no DF https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/12/07/lei-que-proibe-nomes-ligados-a-ditadura-militar-em-predios-e-monumentos-passa-a-valer-no-df.ghtml
Ganchos
Caso da Avenida Castelo Branco x Avenida da Legalidade e da Democracia
A Avenida Castelo Branco é uma das mais famosas de Porto Alegre e leva em seu nome uma homenagem ao primeiro presidente da Ditadura Militar. Em 2014, quando o Golpe completou 50 anos, foi aprovada na câmara de vereadores a mudança do nome para avenida da Legalidade e da Democracia. Em 2018, em meio a ascensão da extrema-direita, o Tribunal de Justiça anulou a aprovação de 4 anos antes e o nome da avenida voltou a homenagear o ditador.
Queima de estátuas em 2021
O ano de 2021 ficou marcado por diversas manifestações populares no mundo todo. Motivadas pelo assassinato de George Floyd pelas forças policiais nos EUA e pelos governos impopulares na América Latina, as manifestações impulsionaram um questionamento sobre a leigitimidade de figuras históricas homenageadas em monumentos pelo mundo. Na Inglaterra, foi derrubada a estátua do traficante de escravos Edward Colston. Na Colômbia, caiu a do explorador Cristóvão Colombo. No Brasil, a estátua do bandeirante Borba Gato foi incendiada.
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57743744
Possíveis fontes
- Historiador especialista no assunto
- Fernanda Melchionna ou Pedro Ruas — autores do projeto de lei que instituiu o nome Avenida da Legalidade e da Democracia
- Lucia Badejo — jornalista
- Outros historiadores e lideranças políticas
- Alguém que more em alguma rua, praça ou em frente a um monumento com nome de um ditador
Questionamentos
- Por que existe essa disputa de espaço?
- Qual a importância do nome das ruas representarem a história do oprimido, e não a do opressor?
- Perguntas para Melchionna ou Ruas: Como essas mudanças de nome na avenida explicam o contexto político da última década?
Sugestões multimídia
Mapas interativos com locais que homenageiam personalidades históricas.
Fotos
- Placas de rua, monumentos, avenidas.
Para as redes sociais
- Posts com perguntas: “Você sabe quem são as figuras homenageadas nas principais ruas de Porto Alegre?”, “Quem foi Bento Gonçalves? O que é a Praça do Tambor?”
- Post contando a história das mudanças de nome da Avenida Castelo Branco.
Da pauta à reportagem
Durante a produção e o contato com as fontes, pude enxergar melhor a complexidade do tema e a importância do debate público sobre o passado. Consegui obter relatos de fontes que tinham muita vivência e conhecimento teórico.
De modo geral, eu consegui manter a ideia inicial e abranger os pontos que havia elencado quando elaborei a pauta. Das fontes, faltou alguém que morasse em algumas das ruas e avenidas citadas na matéria.