Sextante

PAUTA DA REPORTAGEM

A disputa de memória em espaços da cidade

A história está presente nos nomes de ruas em que moramos, nas estátuas que vemos e nas praças que frequentamos. E o domínio sobre o passado também é alvo de disputa na cidade. Este assunto ganhou relevância durante os protestos anti racistas em 2021, em que foi registrada a derrubada de estátuas de escravistas e colonizadores em diversos locais no mundo. 

Em Porto Alegre, temos diversas ruas, praças, bairros e monumentos que homenageiam ditadores e escravistas, como Castelo Branco, Costa e Silva e Bento Gonçalves. Também há lugares que remetem à luta contra a escravidão, como a praça do Tambor e o Largo Zumbi dos Palmares.

Existem, portanto, narrativas históricas em disputa, em que crimes e violações aos direitos humanos de algumas personalidades históricas são jogados no esquecimento.

Referências
Ganchos

Caso da Avenida Castelo Branco x Avenida da Legalidade e da Democracia

A Avenida Castelo Branco é uma das mais famosas de Porto Alegre e leva em seu nome uma homenagem ao primeiro presidente da Ditadura Militar. Em 2014, quando o Golpe completou 50 anos, foi aprovada na câmara de vereadores a mudança do nome para avenida da Legalidade e da Democracia. Em 2018, em meio a ascensão da extrema-direita, o Tribunal de Justiça anulou a aprovação de 4 anos antes e o nome da avenida voltou a homenagear o ditador.

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/justica-considera-lei-invalida-e-avenida-da-legalidade-volta-a-se-chamar-castelo-branco-em-porto-alegre.ghtml

Queima de estátuas em 2021

O ano de 2021 ficou marcado por diversas manifestações populares no mundo todo. Motivadas pelo assassinato de George Floyd pelas forças policiais nos EUA e pelos governos impopulares na América Latina, as manifestações impulsionaram um questionamento sobre a leigitimidade de figuras históricas homenageadas em monumentos pelo mundo. Na Inglaterra, foi derrubada a estátua do traficante de escravos Edward Colston. Na Colômbia, caiu a do explorador Cristóvão Colombo. No Brasil, a estátua do bandeirante Borba Gato foi incendiada.

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57743744

Possíveis fontes
  • Historiador especialista no assunto
  • Fernanda Melchionna ou Pedro Ruas — autores do projeto de lei que instituiu o nome Avenida da Legalidade e da Democracia
  • Lucia Badejo — jornalista
  • Outros historiadores e lideranças políticas
  • Alguém que more em alguma rua, praça ou em frente a um monumento com nome de um ditador
Questionamentos
  • Por que existe essa disputa de espaço? 
  • Qual a importância do nome das  ruas representarem a história do oprimido, e não a do opressor?
  • Perguntas para Melchionna ou Ruas: Como essas mudanças de nome na avenida explicam o contexto político da última década?
Sugestões multimídia

Mapas interativos com locais que homenageiam personalidades históricas.

Fotos

  • Placas de rua, monumentos, avenidas.

Para as redes sociais

  • Posts com perguntas: “Você sabe quem são as figuras homenageadas nas principais ruas de Porto Alegre?”, “Quem foi Bento Gonçalves? O que é a Praça do Tambor?”
  • Post contando a história das mudanças de nome da Avenida Castelo Branco.

Da pauta à reportagem

Durante a produção e o contato com as fontes, pude enxergar melhor a complexidade do tema e a importância do debate público sobre o passado. Consegui obter relatos de fontes que tinham muita vivência e conhecimento teórico.

De modo geral, eu consegui manter a ideia inicial e abranger os pontos que havia elencado quando elaborei a pauta. Das fontes, faltou alguém que morasse em algumas das ruas e avenidas citadas na matéria.