Tema: Resquícios e efeitos do Brasil colonial na composição social de hoje, a partir do tripé originário: latifúndio, monocultura e escravidão
Título provisório: O Brasil deixou de ser uma colônia?
histórico
A política brasileira de colonização começou efetivamente com a vinda de D. João VI para o Brasil e culminou em um processo que modificou profundamente a forma organizacional que a sociedade vigente conhecia. Pela proposta governamental da época, havia a pretensão de criar novas condições econômicas, políticas e sociais, desenvolvendo uma mentalidade que permitisse ao país superar todos os obstáculos de sua formação inicial, alicerçada pelo tripé latifúndio, monocultura e escravocrata.
A política de incentivo governamental para a imigração de povos ao Brasil, majoritariamente composta de europeus, tinha objetivos claros elencados. A ocupação de terras desabrigadas, para o desenvolvimento da agricultura, comércio e indústria, costuma ser a finalidade central apontada. Havia, no entanto, a existência de práticas racistas com a política de embranquecimento defendida pela elite intelectual da época, ao defender a substituição da mão-de-obra escrava por trabalhadores livres e brancos; com efeito desta condução, houve a criação de classes sociais intermediárias entre os senhores de terras e os escravos.
enfoque
Irei explorar o tripé originário do Brasil colonial (latifúndio, monocultura e escravidão) em comparação a estas áreas na sociedade brasileira vigente, levantando questões como: após séculos da primeira imigração efetiva ao país, superamos a mentalidade colonial e conseguimos criar uma própria identidade? Quais os efeitos podemos observar na nossa sociedade de hoje como herança de um período exploratório e escravocrata?
Questões a serem levantadas:
- O Brasil conseguiu superar a mentalidade colonial e criar a sua própria identidade?
- Quais os efeitos da implantação sistemática de produção exploratória do solo brasileiro para a economia?
- Como a política do latifúndio e monocultura auxiliaram na desigualdade econômica e social de hoje?
- De que forma o trabalho escravo e a política de embranquecimento repercute nas nossas relações hoje?
- Como o Brasil se relaciona com o mundo? Qual a nossa posição no cenário internacional?
- Somo colonizados e também colonizadores hoje?
fontes
Fábio Kühn, tem experiência na área de História Social, com ênfase em História do Brasil colonial. Entre as principais publicações estão os livros Breve História do Rio Grande do Sul.
Helen Osório, especialista em história do Brasil colonial, atuando principalmente nos seguintes temas: história econômica e social, história agrária, brasil colônia, estrutura agrária, fronteira, império português, hierarquias sociais e escravidão.
Fernanda Oliveira da Silva, especialista em teoria da História e História do Brasil, com ênfase em pós-abolição, racialização, fronteira Brasil-Uruguai, clubes negros, raça, escrita da história e pensamento de mulheres negras.
Regina Célia Lima Xavier, tem experiência na área de História, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão e liberdade, história do trabalho, história da medicina, história dos africanos e seus descendentes no Brasil, história da raça e do racismo. Autora de A conquista da liberdade: libertos em Campinas na segunda metade do século XIX (CMU/Unicamp, 1996) e Religiosidade e escravidão, século XIX: mestre Tito (UFRGS, 2008). Também organizou, entre outros livros, Escravidão e liberdade: temas, problemas e perspectivas de análise (Alameda, 2012) e Do tráfico ao pós-abolição: trabalho compulsório e livre e a luta por direitos sociais no Brasil (Oikos, 2018).
Cesar Augusto Barcellos Guazzelli, professor de História da UFRGS e especialista em História do Rio Grande do Sul.
Marcus Vinicius de Freitas Rosa, tem experiência de pesquisa na área de História do Brasil Império e República, atuando principalmente nos seguintes temas: raça, racismo, racialização e relações raciais; branquitude; pós-abolição; territórios negros urbanos; processo de desagregação da sociedade escravista; clubes sociais negros; carnavais e culturas populares.
Adolar Koch, professor de História da UFRGS e especialista em História do Rio Grande do Sul.
Clarice Gontarski Speranza, especialista em história social do trabalho e história do Brasil.
Antônio da Luz, economista chefe da FARSUL
Sugestões de perguntas:
- Hoje o Brasil apresenta dados que indicam uma grande concentração de terras sob posse de poucas pessoas. De acordo com o Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), cerca de 3% do total das propriedades rurais do país são latifúndios, ou seja, tem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis. Como o modelo latifundiário colonial ajudou a moldar a distribuição de terras como vemos hoje?
- Atualmente, a balança comercial brasileira é altamente dependende de exportações de commodities agrícolas, como a soja. O Brasil é um país que investe de forma significativa na monocultura e no setor primário ainda hoje, em detrimento de produtos com valor agregado da indústria, como vemos em países desenvolvidos. Essa escolha é um resquício do período colonial?
- A Reforma Agrária seria um caminho para amenizarmos as desigualdes sociais e econômicas no Brasil?
- A escravidão foi um período de longa duração no mundo, em especial no Brasil, último país a decretar a proibição. Após seu fim, não tivemos uma política d eacolhimento e de trabalho para estas pessoas. Quais são os efeitos deste processo?
- A política de embranquecimento era claramente defendida no processo de imigração europeia para o Brasil. Como isso pode ter afetado a nossa identidade como indivíduos e pertencentes desta cultura?
- Podemos afirmar que o rascimo estrutural é uma realidade no Brasil? Como a nossa história contribuiu com este cenário?
- Na sua opinião, o Brasil superou a mentalidade de colônia de exploração que viveu? Como isso afeta a nossa identidade hoje?
imagens
Mapa do Brasil sinalizando as imigrações em suas respectivas regiões.
Gráfico demostrando os números totais de escravos registrados do início ao fim do período escravocrata.
Ilustração de capa uma mistura entre imagens do Brasil colonial com um campo e um Brasil urbano remetendo a atualidade.
referências
A IMIGRAÇÃO EUROPÉIA NO SÉCULO PASSADO: O PROGRAMA DE COLONIZAÇÃO NO RIO GRANDE DO SUL
http://www.ub.edu/geocrit/sn-94-10.htm
Tese do branqueamento
https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/tese-branqueamento.htm
ESTADO, MOVIMENTOS E REFORMA AGRÁRIA NO BRASIL: REFLEXÕES A PARTIR DO INCRAhttps://www.scielo.br/j/ln/a/8CWq6rS9tTqfFk9x4m7Hz3z/?format=pdf&lang=pt
Da pauta à reportagem
Para a produção da reportagem, conversei com três especialistas sobre a temática. Durante as entrevistas, a tese central que embasou a reportagem sobre o tripé estrutural do Brasil Colonial (latifúndio, monocultura e escravidão) foi apontado com efeitos na sociedade que conhecemos hoje. Além disso, outras características da época e da formação do país também foram discutidas, tais como a corrupção e a violência.
Pinturas e raras fotografias da época foram escolhidas para retratar o cenário do período em conjunto com o texto. Também foi utilizado material sonoro para ilustrar a reportagem, como músicas próprias da época ou que remetem ao período. Para trazer a contemporaneidade da pauta, as ilustrações criadas mesclam o passado e o presente.
A reportagem final serviu como um estudo sobre o comportamento da sociedade vigente. Ainda que as ações de gerações passadas possam ter desenvolvido um modelo de sociedade, é uma decisão política, econômica e social perpetuá-lo ou não.