Pergunta / objetivo
Como as instituições e a população indígena de etnia kaingang tentam evitar o esquecimento de sua língua?
Contexto e motivação
De acordo com o Censo 2010, que leva em consideração pessoas com mais de 5 anos de idade que usam o idioma em seu próprio domicílio, as línguas indígenas mais usadas no Brasil são o tikuna (com 34 mil falantes), o guarani kaiowá (com 26,5 mil), o kaingang (22 mil), o xavante (13,3 mil) e o yanomami (12,7 mil). São os dados mais recentes que nós temos em função do atraso na realização de um novo censo no país.
Especialmente no Rio Grande do Sul, acredita-se que as línguas guarani e o kaingang sejam as principais. Como o guarani é um idioma com diferentes dialetos e que não se restringe só ao Brasil, tomei o kaingang como foco da reportagem, mais restrito à lógica brasileira e também do Rio Grande do Sul. Os kaingang ocupam áreas nos três estados da Região Sul e também em São Paulo.
Os desmontes do governo de Bolsonaro, que antes de eleito já demonstrava não ter qualquer tipo de interesse na pauta indígena, aliados à crise econômica que vivemos atualmente, podem ter atrapalhado os esforços em prol da manutenção da memória e da cultura dos povos nativos do Brasil (e por isso, é importante investigar).
Fontes
As fontes primordiais para a reportagem são os professores e pesquisadores que trabalham com línguas indígenas (em especial, nomes caseiros da própria UFRGS). Em uma reportagem bem recente sobre o ensino para kaingangs no Rio Grande do Sul, os dois nomes entrevistados são de professores/pesquisadores da UFRGS que poderiam ser contatados. Acredito, de verdade, que fontes neste nível não seriam um problema.
Grandes nomes, como Bruno Ferreira — o primeiro doutor indígena da UFRGS, entre outros que encontrei em reportagens como essa — não faltam. A minha preocupação (e objetivo) seria balancear um pouco as fontes a ponto de encontrar uma forma de pluralizar os relatos dos kaingangs.
Acredito ser importante tentar ouvir ao menos uma pessoa que vive em reserva para entendermos a visão dela sobre o que representa a língua kaingang e como ela pode ser preservada e ensinada em um país que tem apenas o português (e Libras) como idioma oficial.
Fotos
Não pretendo fazer fotos (ao menos por enquanto). Acredito que, ao fazer contato com os pesquisadores e até as escolas que usam o bilinguismo, poderia conseguir imagens de arquivo pessoal. Também encontrei boas fotos nestas reportagens e acredito que poderiam ser utilizadas dando os créditos necessários. Além, claro, das ilustrações.
Sugestões de perguntas – pesquisadores
- No Brasil, existe algum esforço para a manutenção de línguas indígenas? Se sim, de onde ele vem?
- No Rio Grande do Sul é possível dizer que isso existe? As ações estaduais diferem das federais?
- O que deveria ser feito para que a manutenção da língua kaingang consiga progredir?
- Escolas bilíngues são realmente as ideais? – partindo da ideia de que a educação infantil tradicional não seria necessária nas reservas.
- Peculiaridades da língua kaingang, nível de dificuldade, onde não-indígenas podem aprender.
Redes sociais
Pensei em criar enquetes no Instagram com palavras no idioma kaingang para que os seguidores tentem acertar a tradução delas. Cards mostrando como a língua contribuiu para nomes de coisas e lugares no Brasil também seria uma ideia legal.
da pauta à reportagem
A partir do tema da Sextante, tentei ao máximo encontrar um enfoque que se conectasse com assuntos que eu me interesso. Para a reunião de pauta com a turma, cheguei com três ideias em três campos diferentes: futebol (para falar sobre clubes extintos do Rio Grande do Sul), línguas (reportagem sobre uma língua indígena) e migração (falar sobre como imigrantes no nosso país fazem para não esquecer de sua cultura no dia-a-dia, mas com a possibilidade de trocar o foco para emigrantes brasileiros). No fim, venceu a reportagem que vocês podem acompanhar.
Ao contrário do que eu pensava quando escrevia sobre as possíveis fontes, essa parte foi a mais difícil na produção da matéria. Levei alguns vácuos, tombos e tive imprevistos, mas isso faz parte do jornalismo. Acredito ter reunido um grupo de entrevistados que trouxe pontos de vista muito bons não só para a reportagem, mas também para a minha vivência como cidadão brasileiro.
Apesar de me interessar por línguas, eu não sabia nada sobre o kaingang e muito menos sobre a questão indígena no Brasil. O desconhecimento é um dos grandes fiadores do preconceito, então foi bastante desafiador para mim, como repórter, falar sobre uma minoria muito estigmatizada com o devido cuidado. Estou satisfeito com o resultado e espero que quem leu tenha conhecido um pouco mais sobre um idioma tão interessante.
Agradeço aos colegas, monitores, ilustradores, entrevistados (e claro, a prof.ª Thais) pelo empenho com essa matéria e a Sextante como um todo.