Parent in Science recebe Prêmio Nature Para Mulheres Inspiradoras na Ciência

28 de outubro de 2021 às 16:50

A editora britânica Nature anunciou, nesta quinta-feira, 28, o movimento brasileiro Parent in Science como a iniciativa vencedora do prêmio “Mulheres Inspiradoras na Ciência”, na categoria Science Outreach, pelo trabalho desenvolvido na sistematização de dados e luta pela implantação de políticas de apoio às mães na academia.

O prêmio, que pela primeira vez é concedido a um grupo brasileiro, é uma parceria da editora Nature com a companhia Estée Lauder. O objetivo é celebrar e apoiar as conquistas das mulheres na ciência e de todos aqueles que trabalham para encorajar meninas e mulheres jovens a se envolverem e permanecerem na ciência.

O Movimento Parent in Science surgiu em 2016 com a missão de mudar a forma como a parentalidade, e mais especificamente a maternidade, é percebida na área acadêmica, lutando por um ambiente científico mais igualitário, diverso e justo.

Segundo Fernanda Staniscuaski, professora da UFRGS e coordenadora do Parent in Science, “em todo o mundo, as mulheres enfrentam barreiras na ciência e na academia, muitas vezes sendo forçadas a escolher entre sua carreira e a maternidade, em um sistema construído em torno dos homens”. Segundo ela, o trabalho desenvolvido pelo movimento está mudando a forma como a academia vê a maternidade e lutando para que as mulheres possam entrar e permanecer na ciência. “Receber o prêmio abre uma nova janela de possibilidades para o movimento, bem como valida que nossa luta é genuína e urgente. O impacto deste prêmio permite continuar perseguindo nossos objetivos”, comemora a pesquisadora.

A premiação destina US$ 40 mil para o movimento e oportuniza apresentações e mentorias na empresa Estée Lauder.

Sobre o Parent in Science

O Parent in Science já realizou pesquisas que demonstraram os impactos da maternidade na carreira das cientistas no Brasil e incentiva o desenvolvimento de políticas de apoio às mães cientistas, levando em consideração a intersecção com raça e todos os demais aspectos que impactam a maternidade. O movimento é formado por 17 pesquisadoras no núcleo central, e, desde 2019, passou a contar também com embaixadoras de diversas universidades brasileiras.

As embaixadoras têm contribuído para criação de grupos de trabalho locais e para a proposição e implementação de políticas de apoio às mães e de enfrentamento à desigualdade de gênero na ciência. Em 2020, o movimento expandiu internacionalmente, através da fundação do Parent in Science Colombia, em parceria com cientistas colombianas.

Dentre as ações do Parent in Science, estão o pedido de inclusão do campo de licença-maternidade na plataforma do Currículo Lattes. A campanha #maternidadenoLattes ganhou força nas redes sociais e na grande mídia juntamente com uma carta assinada por diferentes sociedades científicas brasileiras em junho de 2018. Em abril de 2021, após quase três anos de negociações, o CNPq incluiu oficialmente a aba “Licenças” nos currículos Lattes, onde pode ser acrescentada a informação da licença-maternidade. Nestes últimos anos, o movimento tem também compilado iniciativas de apoio à maternidade nas instituições de pesquisa e ensino superior e incentivado que sejam amplamente adotadas.

Recentemente, foi lançado Programa Amanhã para enfrentamento às dificuldades que muitas mães cientistas tiveram para dar prosseguimento as suas pesquisas durante o período de isolamento social imposto pela pandemia de covid-19. Por meio de um financiamento coletivo, foram arrecadados mais de R$ 120 mil reais para o Programa. O valor foi usado para apoiar financeiramente 28 mães nos meses finais de suas pós-graduações, a maioria mulheres negras ou indígenas e mães solo. Dados do Parent in Science mostram que somente 10% das pós-graduandas mães negras estavam conseguindo avançar nas suas dissertações e teses durante o período inicial de isolamento social.

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