Sala Redenção reabre com mostra “Mulheres por Mulheres” e sessões especiais francófonas

06 de março de 2025 às 11:17
Ciclo irá exibir 13 curtas metragens de Alice Guy Blanché | Foto: Divulgação

A Sala Redenção retoma suas atividades neste mês de março com a mostra “Mulheres por Mulheres”. Entre os dias 10 e 21, serão exibidos nove filmes com mulheres na direção e mulheres como protagonistas, sendo a segunda semana dedicada a produções francófonas, em comemoração ao Dia Internacional da Francofonia. O ciclo é fruto de uma parceria que reúne SESC-RS, Goethe-Institut de Porto Alegre, Aliança Francesa de Porto Alegre e Cinemateca Francesa.

A programação abre com o brasileiro “Elena”, longa de estreia da diretora Petra Costa, e “Rafiki”, de Wanuri Kahiu, destaque entre diretoras contemporâneas do cinema africano. O primeiro é um documentário sensível e poético que recorda a memória e a relação da diretora com sua irmã. O segundo é uma obra que, apesar da trajetória de reconhecimento por crítica e público, foi banida no país de produção – o Quênia – por retratar duas jovens que se apaixonam e precisam lidar com os impedimentos apresentados pelo contexto social no qual estão inseridas.

Ainda na primeira semana, haverá uma sessão de “Sobre a tábua”, produção marroquina disponibilizada pela Cinemateca Francesa, que ilustra a vida de jovens mulheres trabalhadoras da indústria do camarão, com seus sonhos, conflitos e dilemas morais. Na sequência, a Sala Redenção exibe dois longas alemães: “3 dias em Quiberon” e “Preciosa Ivie”. O primeiro é uma ficção que narra três dias no final da vida da atriz franco-alemã Romy Schneider; já o segundo traz dilemas sobre raça, gênero e ancestralidade inspirados na vida da própria diretora.

A semana seguinte, de 17 a 21 de março, será dedicada à cinematografia francófona em uma seleção que propõe uma viagem desde os primórdios do cinema francês, com a exibição de curtas da pioneira Alice Guy Blanché, até a contemporaneidade, com o filme belga “Dalva”, de 2022. No meio do caminho, encontra-se a Nouvelle Vague com um dos maiores sucessos de Agnès Varda e da história do cinema francês: o clássico “Cléo das 5 às 7”.

Na sexta-feira, dia 21 de março, a animação “Aya de Yopougon” encerra a programação com sessão especial, que integra o projeto “Francofonias em debate”, organizado pelo setor de Francês do Instituto de Letras da UFRGS. Antes da exibição, às 18h30, a escritora e tradutora Julia da Rosa Simões fala sobre o processo de tradução da história em quadrinhos “Aya de Yopougon”, publicada em setembro de 2009 no Brasil. Após a sessão, haverá um bate-papo com Kelly Demo Christ, cineasta, diretora de comunicação do Clube de Cinema de Porto Alegre e integrante da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS).

A entrada é franca, sem necessidade de aquisição de ingressos antecipados, e a Sala Redenção está localizada no Campus Centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333.

 

PROGRAMAÇÃO

ELENA

(dir. Petra Costa | Brasil | 2010 | 90 min | Documentário | 12 anos) 

Elena viaja para Nova York com o mesmo sonho da mãe: ser atriz de cinema. Deixa para trás uma infância passada na clandestinidade durante a ditadura militar e uma adolescência vivida entre peças de teatro e filmes caseiros. Também deixa Petra, sua irmã de 7 anos. Entre aulas de atuação e testes de elenco, o que Elena encontra é uma realidade bem diferente da esperada. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: fitas de vídeo, recortes de jornais, diários e cartas. A qualquer momento, Petra espera encontrar Elena andando pelas ruas. Aos poucos, os traços das duas se confundem. Já não se sabe quem é uma e quem é a outra. Quando finalmente encontra Elena num lugar inesperado, Petra precisa deixá-la partir.

10 de março | segunda-feira | 16h



RAFIKI

(dir. Wanuri Kahiu | Quênia | 2018 | 83 min | Romance/Drama | 14 anos)

As jovens quenianas Kena e Ziki são grandes amigas e, embora suas famílias sejam rivais políticas, as duas continuaram juntas ao longo dos anos, apoiando uma à outra na batalha pela conquista de seus sonhos. A relação de amizade transforma-se em um romance que passa a afetar a rotina da comunidade conservadora em que vivem. Elas então precisam escolher entre viver este amor intensamente, desafiando as leis do Quênia, ou se distanciar para ter uma vida segura.

10 de março | segunda-feira | 19h

13 de março | quinta-feira | 16h



SOBRE A TÁBUA

(dir. Leila Kilani | Marrocos | 2010 | 106 min | Drama | Não classificado)

Duas jovens trabalham em uma empacotadora de camarões, um trabalho difícil e humilhante. Enquanto sonham em entrar para a indústria têxtil, conhecem duas moças com cargos melhores que podem ajudá-las.

11 de março | terça-feira | 16h

13 de março | quinta-feira | 19h

 

PRECIOSA IVIE

(dir. Sarah Blaßkiewitz | Alemanha | 2021 | 109 min | Drama | 14 anos)

A afro-alemã Ivie mora em Leipzig e trabalha em um solário administrado pelo ex-namorado enquanto procura um emprego estável como professora. Um dia, sua meia-irmã de Berlim, cuja existência desconhecia, aparece em sua porta. Ela conta que o pai das duas morreu e que o funeral será no Senegal. Nenhuma delas o conhecia. À medida que as irmãs de duas cidades muito diferentes se aproximam, Ivie cria consciência do racismo cotidiano que enfrenta em seu dia a dia.

12 de março | quarta-feira | 16h

 

 

3 DIAS EM QUIBERON

(dir. Emily Atef | Alemanha, França e Áustria | 2017 | 115 min | Biografia | Não classificado)

Para se recuperar antes do próximo filme, Romy Schneider passa três dias na pequena comuna francesa de Quiberon, em 1981, com sua melhor amiga Hilde Fritsch. Apesar de estar em uma clínica de reabilitação, Romy concorda em dar uma última entrevista ao repórter Michael Jürgs, acompanhado do fotógrafo Robert Lebeck. Movidos a romance, ambição profissional e desejo de viver, jornalista e artista se envolvem num jogo de gato e rato.

12 de março | quarta-feira | 19h

17 de março | segunda-feira | 16h



PROGRAMAÇÃO SESSÕES FRANCÓFONAS

CLÉO DAS 5 ÀS 7

(dir. Agnes Varda | França | 1962 | 90 min | Drama | Não classificado)

Cléo, linda e cantora, aguarda os resultados de um exame médico. Da superstição ao medo, da rua de Rivoli ao Café de Dôme, da vaidade à angústia, da casa dela ao Parque Montsouris, Cléo vive 90 minutos diferentes. Seu amante, um músico, uma amiga e um soldado abrem seus olhos para o mundo. ” Cléo de 5 à 7″ é um dos filmes emblemáticos da Nouvelle Vague.

17 de março | segunda-feira | 19h

20 de março | quinta-feira | 16h



DALVA

(dir. Emmanuelle Nicot | França, Bélgica | 2022 | 84 min | Drama | 16 anos)

Dalva tem 12 anos, mas se veste, se maquia e vive como uma mulher. Uma noite, ela é abruptamente retirada da casa de seu pai. Inicialmente revoltada e totalmente incompreendida, ela conhece Jayden, um educador, e Samia, uma adolescente de personalidade forte. Uma nova vida parece se abrir para Dalva, a de uma jovem da sua idade.

18 de março | terça-feira | 16h

20 de março | quinta-feira | 19h



ALICE GUY BLACHÉ – 13 CURTAS METRAGENS

(dir. Alice Guy Blaché | França | 1898 | 50 min | Comédia | Não classificado)

Programa de 13 curtas-metragens de Alice Guy dirigidos entre 1898 e 1907. É a primeira diretora de filmes de ficção da história do cinema. Foi ela que sugeriu a Léon Gaumont abandonar as simples vistas animadas para filmar pequenas histórias roteirizadas. A autorização é dada a ela e é um fato excepcional numa profissão reservada aos homens. Até 1907, ela vai reinar na produção Gaumont como diretora, diretora artística, roteirista, além de experimentar truques e efeitos especiais.

18 de março | terça-feira | 19h

21 de março | sexta-feira | 16h




AYA DE YOPOUGON

(dir. Clément Oubrerie Marguerite Abouet | França | 2013 | 80 min | Animação | 10 anos)

Aya é uma jovem que quer estudar medicina. Mora em Yopougon, uma comunidade pobre perto de Abidjan, a cidade mais rica da Costa do Marfim. Ela e suas amigas gostam de se divertir e dançar. Sonham com amores e com muita riqueza. Como em muitos lugares pequenos, em Yopougon as notícias correm rapidamente, às vezes gerando conflitos. O desenho reproduz preciosamente a geografia, os costumes e a vida local. Revela aspectos das relações sociais e familiares de um povo que influenciou muito a cultura brasileira. Baseado nas histórias em quadrinhos dos mesmos autores do filme.

21 de março | sexta-feira | 19h + conversa com Julia da Rosa Simões e Kelly Demo Christ

 



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