UFRGS é contemplada em edital da RNP e terá novo ponto de conexão com velocidade de 100 Gb/s

Ponto fornecido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) será instalado no Instituto de Informática e deve contribuir para estudos do clima que utilizam imagens de satélite

02 de maio de 2025 às 15:54
Rede dedicada à pesquisa garantirá agilidade na transmissão de dados a partir do Inst. de Informática. CEPSRM, Inst. de Física e IPH estão no escopo da proposta – Imagem: Lucent Designs/ Pixabay

O edital e-Ciência da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) elegeu a proposta da UFRGS como uma das seis instituições contempladas para receber uma nova conexão de dados com velocidade de 100 gigabytes por segundo (Gbps). O link será fornecido pela RNP, juntamente com alguns equipamentos que permitirão sua utilização, para ser instalado no Instituto de Informática (INF). A infraestrutura vai mais do que dobrar a conexão atual do Instituto, que é de 40 Gbps.

A proposta da UFRGS partiu do INF e foi elaborada em parceria com o Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia (CEPSRM), o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) e o Instituto de Física. O objetivo da Universidade é utilizar a nova conexão para pesquisas voltadas ao monitoramento e à previsão de eventos climáticos extremos. A conectividade tem papel crucial em estudos que envolvem a transferência e o processamento de grandes volumes de dados, como o processamento de imagens de satélite e a análise de variáveis meteorológicas para prever eventos climáticos extremos e analisar seus impactos.

O resultado do edital foi divulgado em meados de abril e, além da UFRGS, selecionou Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Carlos Chagas (PR); INC – Instituto Nacional de Cardiologia (RJ); UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – Laboratório de Computação Científica (MG); UFPA – Universidade Federal do Pará – Laboratório de Genética Humana e Médica (PA); e UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Centro de Pesquisa em Medicina de Precisão do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (RJ).

Não há previsão de transferência de recursos financeiros para as instituições selecionadas. Os equipamentos a serem adquiridos serão especificados e comprados pela RNP e disponibilizados às instituições. Também serão ofertados serviços de consultoria em engenharia de desempenho de redes e em segurança, com foco em diagnóstico e avaliação de riscos cibernéticos. A expectativa é que os equipamentos da rede e-Ciência sejam entregues e instalados no datacenter do INF até o final de 2026.

Conforme o professor Eder John Scheid, coordenador da proposta da UFRGS, a taxa de transferência de dados fornecida pela RNP é bastante relevante em nível nacional e competitivo internacionalmente, especialmente por garantir conexão dedicada com outros centros de excelência. O professor explica que a e-Ciência é uma rede isolada da internet convencional, dedicada exclusivamente à troca de dados científicos. Isso significa que ela não estará disponível para tarefas rotineiras, como acesso a e-mail ou navegação na web. “Essa separação garante alta segurança, já que não haverá exposição direta à internet, e alta disponibilidade, pois o tráfego será exclusivamente científico. O INF será o ponto de hospedagem dos equipamentos da rede e-Ciência e, inicialmente, disponibilizará infraestrutura para os três institutos parceiros da proposta. No entanto, há espaço para expansão futura, inclusive com possível colaboração do CPD da UFRGS”, comenta Scheid.

Pesquisas

A pesquisa mais impactada será a de previsão de eventos climáticos extremos e análise de seus danos. A redução no tempo de transferência de dados permitirá previsões mais rápidas e respostas mais eficientes a eventos como enchentes, secas e tempestades severas. A melhoria pode impactar positivamente nas pesquisas que dão subsídios a formação de alertas mais precisos, antecipação de eventos, planejamento urbano mais eficiente, monitoramento ambiental e otimização de recursos hídricos e energéticos.

A conexão atende a demanda do CEPSRM e do IPH, que enfrentam a falta de uma infraestrutura lógica adequada para suportar o fluxo intenso de dados meteorológicos e de sensoriamento remoto, essenciais para o monitoramento e a análise de eventos climáticos extremos. Já na área da astrofísica, a UFRGS inicia sua participação no Legacy Survey of Space and Time (LSST) em 2025 e necessitará acessar volumes massivos de informações geradas pelo Telescópio Charles Simonyi, que produzirá mais de 25 TB de dados por noite ao longo de dez anos. Além disso, o grupo participa de outros levantamentos astronômicos cujos dados processados ultrapassam 60 TB, exigindo uma infraestrutura robusta para análise e compartilhamento.

Em interação com o Multicad – Núcleo Multiusuário de Computação de Alto Desempenho para Inteligência Artificial existente no INF, o link vai permitir uma melhor inserção na área de inteligência artificial.

“A nova infraestrutura permitirá superar gargalos existentes de transmissão de dados, acelerando análises e contribuindo para respostas mais ágeis à sociedade”, avalia Scheid. A tarefa, por exemplo, de transferir 512 GB de dados, equivalente à capacidade média de um disco rígido de computador pessoal, levaria cerca de 41 segundos a uma taxa de 100 Gbps. “Essa velocidade permite acelerar fluxos de trabalho que antes poderiam levar dezenas de minutos ou até horas, como sincronização de bancos de dados científicos ou envio de conjuntos de imagens para processamento em clusters remotos”, celebra o professor.

Rede de e-Ciência

Rede de e-Ciência é uma linha de ação financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) no escopo do programa estruturante “Conecta”, supervisionado pela Secretaria Executiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e executado pela RNP. O objetivo é implantar uma rede segura de alto desempenho com políticas e serviços especializados para grandes fluxos de dados científicos, dedicada à integração de centros nacionais de pesquisa, incluindo centros de supercomputação e infraestruturas de pesquisa.

De acordo com a RNP, a Rede de e-Ciência é uma nova infraestrutura dedicada a centros de pesquisa que atuam com “big science”, ou seja, possuem requisitos avançados de processamento, análise, transmissão e armazenamento de grandes volumes de dados.

As instituições que estão atualmente recebendo a instalação da rede são o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), o Senai-Cimatec, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos e o Centro de Pesquisas da Petrobras. Ao longo do ano passado, outras seis instituições foram selecionadas por meio de chamada pública: Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais; Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Universidade Estadual Paulista; Laboratório Multiusuário de Computação de Alto Desempenho da Universidade Federal de Goiás; e Universidade Federal do Espírito Santo.

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