UFRGS realiza 1ª Mostra de Cinema Negro na Escola

Sessões acontecem na Cinemateca Capitólio, de 24 de junho a 11 de julho, com entrada franca, e escolas interessadas podem fazer pré-agendamento a partir de 2 de junho

26 de maio de 2025 às 11:12
O longa "Kasa Branca", de Luciano Vidigal, terá sessão especial na abertura da mostra | Fotos: Vitrine Filmes

Evento único do gênero no país, a 1ª Mostra de Cinema Negro na Escola acontecerá de 24 de junho a 11 de julho, na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre. Com sessões gratuitas, a iniciativa é uma realização do Programa de Alfabetização Audiovisual, da Cinemateca Capitólio, da Prefeitura de Porto Alegre e da Faculdade de Educação da UFRGS. O evento tem financiamento do Ministério da Cultura e o apoio da Vitrine Filmes.

Serão exibidas produções com temática afro-brasileira para estudantes e professores da rede pública de ensino da capital gaúcha e Região Metropolitana. Escolas interessadas poderão fazer o pré-agendamento a partir de 2 de junho por meio do link:  https://forms.gle/TGdwNphDi1SAxvHr7

Após duas edições de sucesso em formato virtual, em 2020 e 2022, a mostra será realizada em uma sala de exibição pela primeira vez, retomando as atividades presenciais depois dos desafios impostos pela pandemia e pelas enchentes. Haverá projeções para crianças a partir de 2 anos até exibições para alunos da Educação para Jovens e Adultos (EJA). A programação totalmente nacional apresenta 14 curtas-metragens, e a sessão especial de abertura exibirá o longa Kasa Branca, de Luciano Vidigal. O evento celebra a Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), que há dez anos fomenta e divulga produções realizadas e protagonizadas por pessoas negras.

“Estamos muito felizes em prestar esta homenagem a uma instituição tão essencial para a construção de uma cultura brasileira mais diversa e representativa da população do país”, comemora Juliana Costa, coordenadora do Programa de Alfabetização Audiovisual.

A seleção de filmes reflete as histórias e contribuições da comunidade negra, proporcionando um espaço de reflexão e diálogo. As exibições buscam estimular o pensamento crítico e a apreciação estética, além de ampliar as discussões sobre temas relevantes, como identidade e cultura africana e afro-brasileira.

 

 

Formação docente para educação antirracista

O Programa de Alfabetização Audiovisual promove a formação de docentes para uma educação antirracista por meio do audiovisual, em atendimento à Lei n. 13.006/2014, que estabelece a exibição de duas horas de filmes brasileiros nas escolas de educação básica, e em alinhamento com a Lei n. 10.639/2003, que incluiu o ensino da História e Cultura Afro-Brasileiras no currículo escolar. “Essas normas buscam garantir que a educação reconheça a importância da cultura afro-brasileira e africana, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, assim como valorize o cinema nacional como meio para a construção da nossa identidade e o fortalecimento da nossa cultura e história”, explica Juliana.

Nos dias 16 e 17 de junho, estão previstas sessões preparatórias gratuitas para professores na Sala Multimídia da Cinemateca Capitólio. A intenção é instruí-los para os debates que podem ser realizados com os alunos em sala de aula. Em colaboração com a Faculdade de Educação da UFRGS, esses encontros serão mediados pela professora Rosana A. Fernandes e pelo professor Evandro Alves.

Outras informações podem ser obtidas pelas redes sociais do projeto (@alfabetizacaoaudiovisual).

 

PROGRAMAÇÃO 

 

Educação infantil (2 a 5 anos)

Pó de palha (2024, 2’59”), direção de Elizângela da Silva
O trabalho de uma menininha no interior do Brasil.

Maréu (2023, 10″), direção de Nicole Schlegel
Maréu tem uma concha do mar bem grande e só consegue dormir com ela perto do ouvido. Quando a concha cai e se quebra, ele busca ajuda do Mar e do Céu para reencontrar o som das ondas e, consequentemente, um sono mais tranquilo.

Meu nome é Maalum (2021, 7’53”), direção de Luísa Copetti
A história de uma menina negra brasileira que nasce e cresce em um lar rodeado de amor e de referências afrocentradas.

Ngonde (2023, 3’10”), direção de Rodrigo Luluca
É na calada da noite que uma pequena menina viaja nas suas fantasias junto com o seu bonequinho leão. Ela ama apreciar o céu noturno, as estrelas e, especialmente, a lua.

Verde (2020, 6’13”), direção de Rodrigo Luluca
A vida de uma árvore que cresce solitária e, no entanto, acaba por conhecer uma menina inteligente, dinâmica e amante da natureza. O filme repudia o abate excessivo de árvores e incentiva a proteger o meio ambiente.

Lulina e a Lua (2023, 13’54”), direção de Marcus Vinicius Vasconcelos e Alois Di Leo
Lulina desenha seus maiores medos sobre o branco infinito do solo da Lua. Magicamente, suas ilustrações ganham vida, revelando que os monstros que assombram seus pensamentos são, na verdade, menos aterrorizantes do que a sua imaginação pintava.

 

Ensino fundamental I (6 a 10 anos)

A Menina e a Árvore (2023, 10’25”), direção de Ara de Andrade Martins
Ancorada nos versos mágicos do grande poeta Manoel de Barros, essa animação nos leva ao coração do Pantanal de Corumbá para acompanhar a trajetória de uma jovem garota. Inspirada pela poesia e sabedoria do avô, ela embarca em uma jornada de descobertas e encantamento com a natureza, revelando a profunda importância de cuidar do mundo ao seu redor.

Lagrimar (2024, 13’59”), direção de Paula Vanina
Menina pretinha no sertão encontra uma minhoquinha amiga que cria asas. Secura externa e interna umedecida pelas lágrimas.

Meu nome é Maalum(2021, 7’53”), direção de Luísa Copetti
Maalum é uma menina negra brasileira que nasce e cresce em um lar rodeado de amor e de referências afrocentradas.

As invenções de Akins (2018, 32’35”), direção Ulísver Silva
O pequeno Akins, filho único de mãe solo, adora construir seus próprios brinquedos. Depois de ver um programa de TV, resolve construir sozinho uma máquina feita de sucatas e brinquedos. Porém o que parecia ser apenas uma brincadeira, torna-se um grande desafio para sua autoestima.

Lulina e a Lua (2023, 13’54”), direção de Marcus Vinicius Vasconcelos e Alois Di Leo
Lulina desenha seus maiores medos sobre o branco infinito do solo da Lua. Magicamente, suas ilustrações ganham vida, revelando que os monstros que assombram seus pensamentos são, na verdade, menos aterrorizantes do que a sua imaginação pintava.

 

Ensino fundamental II (11 a 15 anos)

Baobab (2024, 10’20”), direção de Bea Gerolin
Zola não consegue completar sua árvore genealógica para uma tarefa escolar. Ao ouvir seus sentimentos e dúvidas, sua avó Cícera conta histórias de seus ancestrais. Durante essa troca, Zola aprende que suas raízes são mais profundas do que imagina.

O que vi (2024, 15′), direção de Victor Abreu
É um dia de espera do menino Chico e de sua avó Rosa, tanto por melhores notícias do hospital quanto pelo eclipse lunar.

Para onde vão os animais (2024, 14’47”), direção de Rogério Borges
Sem dinheiro para comprar comida e ração, a vice-diretora de uma escola agrícola decide rifar o cavalo Nitão, gerando revolta em Manu, a filha do caseiro. Ela se junta aos estudantes e iniciam uma greve, mas os animais têm outro plano.

Epifania: o  filme (2024, 21’16”), direção de Cristal e Cleverton Borges
A rapper gaúcha Cristal dá vida a uma artista de hip hop, que encontra inspiração para sua jornada criativa na orientação discreta dada por um vendedor de discos. Uma homenagem à black music e aos anjos da guarda que permeiam os caminhos de músicos independentes.

 

Ensino médio (15 a 18 anos) e EJA (a partir de 18 anos)

Kasa Branca (2024, 95′), direção de Luciano Vidigal
Dé é um adolescente negro da periferia da Chatuba, no Rio de Janeiro, que recebe a notícia de que sua avó Almerinda está na fase terminal da doença de Alzheimer. Ele conta com a ajuda de seus dois melhores amigos, Adrianim e Martins, para enfrentar o mundo e proporcionar momentos felizes para que a avó aproveite os últimos dias de vida.

 

*Com informações da Faculdade de Educação

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