Toxina produzida pela bactéria E. coli pode estar associada a casos precoces de câncer colorretal

Pesquisa detectou possível relação entre ação da toxina colibactina e a ocorrência desse tipo de câncer antes dos 50 anos

12 de junho de 2025 às 13:38
Estudo analisou o genoma de 981 pacientes com câncer colorretal no mundo todo. Foto: HCPA/Divulgação.

O câncer colorretal, que tinha maior incidência entre indivíduos com mais de 50 anos, tem se tornado mais comum entre a população mais jovem. Nos Estados Unidos, por exemplo, a taxa de incidência da doença entre os 30 e 34 anos aumentou 71% entre 1999 e 2020.

As possíveis causas da doença em idade avançada são conhecidas: consumo excessivo de ultraprocessados e de álcool, tabagismo e sedentarismo. A explicação para o crescente número de pessoas mais novas diagnosticadas com câncer de intestino, porém, ainda não havia sido apontada.

Recentemente, um artigo publicado na revista Nature identificou que a exposição a uma toxina durante a infância pode estar relacionada à ocorrência de câncer colorretal precoce. Nos tumores analisados, a presença das mutações geradas pela colibactina – toxina secretada pela bactéria Escherichia coli (E. coli) – foi três vezes mais comum em pacientes com menos de 40 anos do que em pacientes com mais de 70 anos. A Escherichia coli é uma causadora frequente de infecção intestinal da infância, embora atinja também outras faixas etárias.

“Talvez 20 anos atrás tenha acontecido alguma coisa que aumentou as cepas mais graves das bactérias que secretam a colibactina, o que se reflete hoje na explicação desses casos [precoces]”, afirma Patrícia Ashton Prolla, professora do Departamento de Genética da UFRGS e uma das autoras do estudo.

Além dela, outros dois professores da UFRGS são coautores do artigo: Daniel Damin, do Departamento de Cirurgia, e Francine Hehn, do Departamento de Patologia. Eles integram um projeto internacional que inclui centros de pesquisa em 30 países, o Mutographs.

Na etapa do estudo recém-concluída, os profissionais analisaram a sequência completa de DNA (isto é, o genoma) de 981 pacientes com câncer colorretal pelo mundo. Dentre esse número de amostras, 159 eram do Brasil.

Os pesquisadores pretendem, na próxima etapa, investigar possíveis fatores geográficos que influenciam no padrão de mutações dos pacientes. Com isso, será possível compreender por que a mutação em um determinado gene é mais frequente em indivíduos de determinados países.

Para isso, é preciso iniciar uma nova etapa da pesquisa, na qual os pesquisadores vão estudar o DNA constitutivo, que é herdado dos pais e se encontra fora das células tumorais.

Confira a matéria completa no Jornal da Universidade.

Texto: Camila Fernandes de Souza, bolsista de Jornalismo do JU

Revisão: Antônio Falcetta

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