Pesquisa mostra que a atividade antioxidante na bebida padronizada foi maior do que em uma versão comercial; 600 ml seria a dose diária para um efeito antioxidante
03 de julho de 2025 às 14:18
A kombucha é uma bebida fermentada que se tornou popular pelos seus benefícios à saúde, como as propriedades probióticas, anticarcinogênicas, antidiabéticas, hepatoprotetoras e antioxidantes. Porém, diferente de outros líquidos fermentados, como o vinho e a cerveja – que seguem um padrão de produção –, essa bebida milagrosa não tem um preparo específico.
Quem produz a kombucha, em escala industrial ou artesanalmente, não usa uma determinada levedura ou um microrganismo específico para a sua fermentação, o que dificulta a análise de suas propriedades medicinais.
Bruna Krieger Vargas, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFRGS, usou uma kombucha padronizada para avaliar se, de fato, ela tem todos esses benefícios e para chegar a uma recomendação de consumo diário da bebida. Os resultados mostraram que a atividade antioxidante na bebida padronizada foi maior do que em uma versão comercial e que 600 ml seria a dose diária suficiente para ter um efeito antioxidante. As outras características não foram comprovadas em nenhuma das duas amostras.
Foi Mariana Fabricio, colega de Bruna e pós-doutoranda em Ciência e Tecnologia de Alimentos, que desenvolveu a “receita” da bebida milagrosa que serviu de base ao estudo. Apenas uma coisa já estava estabelecida, como a própria legislação brasileira indica: a kombucha precisava ser feita com a planta Camellia sinensis, a mesma que compõe o chá verde, o branco e o preto.
Ela explica que, havendo álcool nesse líquido fermentado (em quantidades inferiores a 1%), ele não deveria ser recomendado para crianças e gestantes, por exemplo. Além disso, a maneira com que ele é preparado no Brasil utiliza alta dose açúcar, o que é perigoso na dieta de um diabético. “Tem muita informação errada por aí. As pessoas pegaram o que o marketing jogou de saudável, de bom, e foram consumindo sem saber”, ressalta Mariana.
Acesse o texto parcial da tese de Bruna, abaixo. Em breve, a versão completa estará disponível no Lume – Repositório Digital.
Tese: Avaliação de toxicidade e potencial antioxidante in vitro e in vivo de kombucha de chá verde padronizada
Autora: Bruna Krieger Vargas
Orientador: Marco Antônio Ayub
Programa/Unidade: Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos – Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos
Conheça também a pesquisa sobre a padronização da kombucha, de Mariana Fabricio.
Tese: Padronização do processo produtivo de kombucha pela aplicação de técnicas de biotecnologia e bioprocesso
Autora: Mariana Fensterseifer Fabricio
Orientador: Marco Antônio Ayub
Programa/ Unidade: Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos – Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos
Texto: Camila Fernandes de Souza, bolsista de Jornalismo do Jornal da Universidade
Revisão: Antônio Falcetta