Pesquisa investiga impactos da migração forçada nas famílias e crianças indígenas warao

Originários da Venezuela, os warao enfrentam dificuldades relacionadas à escola, à saúde e ao seu sustento no novo lar

21 de agosto de 2025 às 14:17
Uma das mulheres da etnia Warao, com o filho no colo. Ela está há cerca de cinco anos em Porto Alegre. Crédito: Flávio Dutra/JU

Vendo seu território ocupado por mineradoras, companhias petrolíferas, madeireiras e fazendeiros, os indígenas warao passaram a migrar em busca de melhores condições de vida em meados de 2015. Originários do delta do rio Orinoco, muitos deles começaram a vir para o Brasil quando a situação econômica e política se agravou na Venezuela, na pandemia da covid-19. Hoje já existem 7 mil indígenas dessa etnia em solo brasileiro, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Estar em um país diferente é desafiador e transforma radicalmente o dia a dia dessa comunidade, mesmo para aqueles que estão em Roraima, estado brasileiro que faz fronteira com a Venezuela e cujo clima é semelhante ao do seu país de origem. E de que forma estar em uma capital quase no extremo oposto do país afeta a vivência dessas famílias migrantes?

Esse foi o questionamento de Milena Weber, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS, que recentemente concluiu uma pesquisa sobre a vivência desse grupo em Porto Alegre. Ela manteve contato com os indígenas warao desde 2020, ano em que eles começaram a morar na capital gaúcha.

Enquanto os indígenas mais velhos cresceram na região do rio Orinoco conhecida como caños, as novas gerações – nascidas ou criadas no Brasil – têm uma infância muito diferente, o que faz com que esse grupo tenha que repensar o que é ser warao. “Tem mulheres mais velhas que cresceram nos caños com a família e trabalhavam, normalmente, com as mães na casa, na roça e fazendo pesca”, aponta a antropóloga. Agora as crianças passam o seu tempo de outra forma: jogam no celular, assistem a desenhos e vão à escola como as crianças da cidade grande, mas os desafios da etnia seguem embutidos no seu cotidiano. 

Confira a matéria completa no Jornal da Universidade.

Texto: Camila Fernandes de Souza, bolsista de Jornalismo do JU.
Revisão: Antônio Falcetta

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