Moradores da Bom Jesus lidam com infraestrutura precária e desigualdade com relação aos bairros vizinhos

No bairro com a maior porcentagem de pessoas negras em Porto Alegre, população sente que suas necessidades são invisibilizadas pelas instituições, aponta pesquisa

02 de outubro de 2025 às 13:57
Vista da Bom Jesus das proximidades da Avenida Protásio Alves em direção ao sul. Crédito: Pietro Scopel/JU

Segundo o último Relatório de Desenvolvimento para Além das Médias, Porto Alegre é a cidade brasileira com maior desigualdade entre brancos e negros. Em 2017, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de pessoas brancas foi 18,2% maior do que o da população negra, levando em consideração o índice de escolaridade, a expectativa de vida ao nascer e a renda per capita. Mais do que meros números, essas estatísticas indicam que há uma diferença de realidade vivenciada no dia a dia dessas pessoas, nos deslocamentos e no próprio lugar em que vivem.

Em uma pesquisa recente no Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (Propur) da UFRGS, a arquiteta Sherlen Borges identificou as condições de infraestrutura, educação, segurança, saúde e lazer do bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre. A pesquisadora também comparou os indicadores socioespaciais do bairro aos das comunidades vizinhas.

A Bonja, como é conhecido o bairro, é o local onde existe a maior densidade de pessoas negras na cidade (40,7%), seguido pelo bairro Mário Quintana (38,6%) e pela Restinga (38,5%).

A principal queixa dos moradores da Bom Jesus foi relacionada à educação. Faltam professores e merenda, as vagas nas escolas são insuficientes e o número de instituições não é proporcional ao tamanho da população. Só existe uma escola pública que oferece o ensino médio no bairro, e, além disso, alguns moradores relataram que o trajeto até a instituição de ensino era perigoso.

No bairro, a dificuldade de acesso não se restringe às escolas: 74% dos entrevistados admitiram que não se sentiam seguros ao circular pelas ruas. Segundo eles, há pouca iluminação, e a violência policial é bem comum, em especial na Vila Mato Sampaio, Vila da Paz, Vila Divinéia e Vila Pinto, que ficam na porção sul do bairro.

Confira a matéria completa no Jornal da Universidade.

Texto: Camila Fernandes de Souza, bolsista de Jornalismo no JU
Edição: Mírian Barradas
Revisão: Antônio Falcetta

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