Protocolo Meteorológico da UFRGS é debatido com a comunidade

Evento da “Gestão Aberta” expôs a construção e o funcionamento do sistema de alertas da UFRGS e ouviu críticas e sugestões de servidores e alunos

14 de novembro de 2025 às 18:35
Protocolo já teve 48 acionamentos desde sua criação em maio de 2025. Nível de acerto é elevado - Foto: Pietro Scopel | Secom-UFRGS

Em junho deste ano, a UFRGS instituiu um Protocolo Meteorológico próprio, que estabelece um guia para a realização das atividades diante de eventos meteorológicos e suas possíveis consequências. Desde sua criação, o sistema de alertas já emitiu 48 classificações de eventos, dos quais 22 foram recomendações de flexibilização das atividades, tendo acertado na maioria dos casos em relação à gravidade e aos impactos das ocorrências.

Para debater esse instrumento com a comunidade, a reitoria promoveu, na tarde hoje, 14, um encontro do ciclo “Gestão Aberta”. A atividade no Centro Cultural teve apresentações da reitora Marcia Barbosa, da chefe de Gabinete Maria Luiza Saraiva, do assessor estratégico do Gabinete Marcelo Cortimiglia e do diretor do IPH Alfonso Risso, integrante do Comitê de Assessoramento Técnico para Eventos Climáticos da UFRGS (Catec), grupo responsável pela avaliação dos eventos.

Por que um Protocolo?

Marcia Barbosa abordou o porquê de a UFRGS ter o instrumento próprio para definir sobre suspensões e flexibilizações das atividades – Foto: Pietro Scopel | Secom-UFRGS

A reitora Marcia iniciou sua explanação abordando as razões para o desenvolvimento de um sistema próprio para a UFRGS na avaliação de eventos meteorológicos. Ela trouxe os dois eixos gerais que são considerados na análise: o fenômeno natural, sua gravidade; e a vulnerabilidade presente em diferentes contextos. Para a dirigente, além da questão central de proteção da comunidade interna, o Protocolo também deve considerar o compromisso que a Universidade tem para com a população brasileira, que mantém a instituição “Quando a gente fecha, mas os locais próximos seguem funcionando, passamos a mensagem de que a Universidade é privilegiada. Temos que proteger a comunidade e, ao mesmo tempo, temos essa responsabilidade com a população brasileira”, destacou.

Por se tratarem de eventos não lineares e com múltiplos fatores, os fenômenos meteorológicos devem ser observados com o máximo de informações disponíveis e considerados quanto aos locais que impactarão, quando irão ocorrer e com qual intensidade. O trabalho específico realizado pelo Comitê da UFRGS utiliza modelos, técnicas, perspectivas e profissionais disponíveis na Universidade, o que torna as previsões mais confiáveis, pois são considerados os espaços geográficos da Instituição, seus campi, bem como suas vulnerabilidades.

Sistemática de acionamento

Cortimiglia detalhou informações sobre os acionamentos do Protocolo desde sua criação – Foto: Pietro Scopel/UFRGS

O desenvolvimento da medida de gestão analisada na tarde de hoje foi iniciado ainda em 2024. Vários atores institucionais fizeram suas contribuições, incluindo setores da Administração Central, unidades atinentes à temática e o corpo discente. Seu lançamento para a comunidade ocorreu em junho deste ano, e até a semana passada, quando foi registrado o último evento climático, o protocolo emitiu 48 posicionamentos. Segundo Cortimiglia, o instrumento é iniciado a partir da existência de alertas da Defesa Civil estadual. Primeiramente, o Comitê analisa os dados disponíveis e encaminha para o Gabinete da Reitoria um posicionamento que classifica o evento entre as seguintes categorias: potencialmente catastrófico, evento extremo e evento regular, correspondendo, respectivamente, a suspensão, flexibilização ou não, e a manutenção das atividades (quadro ao lado).

Informativos sobre as decisões são divulgados no turno anterior ao período de validade do alerta: até as 11h, até as 16h e até as 23h, para as atividades da tarde, as noturnas e as da manhã do dia seguinte, na devida ordem. Passado o evento, uma nova rodada de avaliação é necessária, levando em conta os danos causados e a situação de vulnerabilidade como um todo. Os critérios a serem ponderados para a tomada de decisão são: operação do transporte público, condições de acesso, infraestrutura, energia elétrica, internet e abastecimento de água nos campi da UFRGS, tendo em vista a especificidade de cada campus, sendo que cada item é rapidamente avaliado e recebe um valor para que resulte em uma recomendação concreta.

Qualificação

Com a experiência de cinco meses da execução do Protocolo, o Gabinete avalia aprimoramentos no seu emprego. Segundo a Maria Luiza, são estudadas medidas nas esferas da comunicação, da tomada de decisão e da sensibilidade e educação. Será implementado um novo banner fixo no topo do site da UFRGS, a ser ativado sempre que o protocolo estiver vigente. Além disso, um canal de WhatsApp pretende tornar a informação sobre o Protocolo mais célere para as pessoas previa e voluntariamente cadastradas. Outras medidas estudadas são: a reformulação dos ícones e das imagens utilizadas, a criação de canais para dúvidas e sugestões, e um espaço próprio no site da Universidade para as publicações do Protocolo.

Maria Luiza projetou melhorias no Protocolo – Foto: Prieto Scopel/UFRGS

Durante o encontro, foi anunciada a realização de convênios com órgãos públicos de gestão dos transportes para a obtenção de dados mais precisos. O acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre (EPTC) já foi firmado. Com isso, a UFRGS terá um nível de acesso melhor a informações sobre bloqueios de vias, linhas de ônibus e outras. O mesmo está sendo buscado com a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) e com a Trensurb.

Ainda serão analisadas possibilidades de flexibilização das datas acadêmicas para acomodar eventuais suspensões, assim como a realização de eventos e ações de capacitação para chefias de departamento, comissões de graduação e docentes em geral. A UFRGS fará, via portais do Servidor e do Aluno, uma chamada para a atualização dos endereços da comunidade. Com isso, será possível calibrar melhor a avaliação das vulnerabilidades e dos impactos geográficos dos eventos nos locais de moradia.

A apresentação completa pode ser conferida aqui.

Discussão

A comunidade presente expôs sua perspectiva sobre o funcionamento do Protocolo. De um modo geral, as falas valorizaram a criação do instrumento e pontuaram aspectos que poderiam ser melhorados. Integrantes do Campus Litoral Norte enfatizaram a necessidade de regionalização da avaliação, uma vez que a situação geográfica da Unidade Regional é diferenciada em relação à Região Metropolitana.

A antecedência dos avisos – que é de duas horas e trinta minutos, da manhã para a tarde, e da tarde para a noite – foi objeto de crítica. As falas destacaram que o período não contempla deslocamentos mais longos, muitas vezes desassistidos de transporte coletivo.

Foram feitas avaliações sobre a divisão em três classificações, que poderia ser quatro, e sobre os ícones utilizados. Ambas as questões trariam potenciais incompreensões pela comunidade. Ao mesmo tempo, surgiram demandas para que houvesse uma padronização com outras instituições federais de ensino que têm tomado posições diferentes da UFRGS sobre a suspensão das atividades.

Outro ponto abordado estava relacionado à sensibilização das chefias sobre como proceder com o ponto eletrônico dos servidores técnicos. Segundo as perspectivas apresentadas, muitas chefias possuem receio de alterar o sistema do ponto a partir da flexibilização emitida pelo Protocolo. Houve pedido para que, além da comunicação ampla, seja realizada comunicação formal, através de ofício circular, quando da flexibilização e da suspensão.

Alguns pontos comentados foram acolhidos para serem estudados sobre sua implantação, enquanto outros, considerados resolvidos a partir das qualificações do sistema já projetadas.

Comitê de Assessoramento Técnico

O Comitê é composto por três docentes do IPH e uma docente do Igeo (Alfonso Risso, Fernando Mainardi, Fernando Dornelles e Rita Alves), um técnico administrativo meteorologista (Gabriel Bonow Munchow) e meteorologistas e pesquisadores de doutorado e pós-doutorado do Centro Estadual de Pesquisas em Sensoriamento Remoto e Meteorologia (CEPSRM) da UFRGS (Portaria 3903/2025).

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