Projetos da UFRGS são reconhecidos pelo Ministério das Cidades através do prêmio Bicicleta Brasil

16 de dezembro de 2025 às 16:44
Foto de Dimitri E./Unsplash

O Ministério das Cidades anunciou as 72 iniciativas vencedoras do Prêmio Bicicleta Brasil 2025, entre eles dois projetos da UFRGS. A premiação reconhece ações de todo o país voltadas à promoção da mobilidade ativa, sustentabilidade, saúde, qualidade de vida e inclusão social.

A tese de doutorado Integração entre micromobilidade e o transporte público coletivo no contexto de cidades latino-americanas, de Jennifer Domeneghini, orientada por André Luiz Lopes da Silveira, do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (Propur), e a pesquisa Ciclismo/andar de bicicleta na cidade de Porto Alegre: performances e políticas públicas em tempos de pandemia de Adriana Pancotto, orientada por Fernanda Tarabal Lopes, do Programa de Pós-Graduação em Administração, receberam o reconhecimento Selo Bicicleta Brasil, concedido como maneira de trazer visibilidade para as iniciativas. A tese de Jennifer recebeu ainda a premiação de 3° lugar na categoria Instituições de Ensino – Planejamento.

Em sua segunda edição, o prêmio habilitou 428 iniciativas em 24 categorias, que contemplam desde o incentivo à cultura da bicicleta até o planejamento urbano sustentável. Os vencedores foram conhecidos durante a COP30.

Conheça os projetos

A pesquisa Integração entre micromobilidade e o transporte público coletivo no contexto de cidades latino-americanas parte da constatação de que, apesar do discurso sobre mobilidade sustentável, muitas cidades ainda priorizam o automóvel, gerando congestionamentos, poluição e deslocamentos ineficientes.

O estudo analisou a integração entre o transporte público coletivo e a micromobilidade por bicicleta em 14 cidades latino-americanas, considerando diferentes sistemas de transporte, como ônibus, BRT (Bus Rapid Transit), VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), metrô, trem, barcas e teleféricos, e formas de micromobilidade, incluindo bicicletas particulares e compartilhadas. O uso combinado desses modos tem potencial para reduzir a utilização do automóvel em deslocamentos de até dez quilômetros, tema ainda pouco explorado na América Latina.

Os resultados mostram que ainda faltam regras claras e infraestrutura adequada para que essa integração ocorra plenamente. A pesquisa coloca que, diante dos desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, a poluição gerada pelo transporte individual motorizado e a pouca consideração das especificidades latino-americanas nas pesquisas, integrar a micromobilidade por bicicleta ao transporte público coletivo torna-se fundamental para promover cidades mais sustentáveis, eficientes e com melhor qualidade de vida.

A tese Ciclismo/andar de bicicleta na cidade de Porto Alegre: performances e políticas públicas em tempos de pandemia, baseia-se no fato da pandemia de Covid-19 ter afetado profundamente o campo do esporte e lazer, ao mesmo tempo em que colocou em debate a essencialidade das atividades físicas, cujos benefícios à promoção da saúde foram ressaltados. Embora a Constituição Federal de 1988 e a Organização das Nações Unidas reconheçam o esporte, o lazer e as atividades físicas e esportivas como direitos e práticas fundamentais, a maioria da população brasileira não participa dessas atividades.

No contexto, em que o ciclismo/andar de bicicleta ressurgiu em Porto Alegre e em outras cidades do mundo, o estudo teve como objetivo compreender como o ciclismo e suas políticas públicas foram performados em Porto Alegre durante a pandemia. O trabalho também analisa as diversas realidades das práticas: pandêmica; (inter)geracional; utilitária e como mobilidade ativa; como esporte amador, de rendimento e lazer; e de risco, sendo o “andar de bicicleta” enquanto atividade física presente em todas elas.

A análise evidenciou conflitos, iniquidades no acesso e na distribuição dos espaços públicos, múltiplos efeitos benéficos das práticas e a ausência do ciclismo esportivo no atual Plano Diretor Cicloviário, indicando a necessidade de sua inclusão para uma prática mais segura.

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