Aliando a bioinformática com a validação experimental, pesquisadores da Faculdade de Farmácia buscam por peptídeos com potencial anti-hipertensivo
13 de janeiro de 2026 às 11:28
Pesquisadores da UFRGS identificaram dois novos peptídeos com potencial para combater a hipertensão. O estudo, publicado na revista mensal ACS Medicinal Chemistry Letters, ganhou destaque logo no início de 2026 ao ser comentado pela American Peptide Society, organização voltada ao avanço do conhecimento em química e biologia de peptídeos. A pesquisa descreve como essas moléculas conseguem inibir a Enzima Conversora de Angiotensina (ECA), um dos principais alvos no controle da pressão arterial.
O artigo “Characterization of Novel Angiotensin-Converting Enzyme Inhibitory Peptides” é resultado do mestrado da discente do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular (PPGBCM) Camila Innocente Alves, que está atualmente no doutorado. Camila conta que realizar a pesquisa, iniciada em 2022 em um cenário desafiador pós-pandemia, não foi nada fácil. Para a pesquisadora, o reconhecimento internacional serve como um combustível. “Me faz olhar pra trás e ver que todo o esforço valeu a pena e que estou no caminho certo.”
A hipertensão afeta mais de um bilhão de adultos no mundo, e cerca de 80% deles não conseguem controlar a condição adequadamente. Embora existam terapias disponíveis, os efeitos colaterais muitas vezes levam ao abandono do tratamento. É aqui que entram os peptídeos, pequenas cadeias de aminoácidos que funcionam como mensageiros biológicos, sinalizando para as células realizarem funções como produção de colágeno, cicatrização e regulação metabólica. Eles são absorvidos mais facilmente que proteínas completas e têm grande potencial terapêutico e estético.
Ainda que em fase inicial, as sequências descobertas servem como “esqueletos” para a química medicinal. A ideia é que, no futuro, essas moléculas sejam otimizadas para criar medicamentos mais seletivos e com menos efeitos adversos que os atuais.

A descoberta foi possível graças à união de diferentes competências da UFRGS, envolvendo o Laboratório de Microbiologia Molecular e Proteômica (Lammop), da Faculdade de Farmácia, e o Grupo de Bioinformática Estrutural do Centro de Biotecnologia (CBiot). A equipe utilizou a triagem virtual, uma técnica que usa softwares para analisar grandes bibliotecas de moléculas e prever quais se ligarão melhor ao alvo biológico. Após essa etapa computacional, testes de laboratório confirmaram a eficácia dos novos inibidores.
Além de Camila, o artigo é assinado por Sara Luísa Sulzbach, Emerson Gonçalves Moreira e Raul Izidoro Carneiro, sob coordenação dos professores Walter Orlando Beys da Silva, Hugo Verli e Lucélia Santi. Graças a um acordo entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a American Chemical Society (ACS), o trabalho está disponível em formato open access (acesso gratuito) no site oficial da ACS Publications.
A matéria da American Peptide Society pode ser acessada pelo site.