Pesquisa revela como a vegetação reagiu a mudanças climáticas extremas há 300 milhões de anos

Artigos analisam grãos de pólen, esporos e algas preservados em rochas da Bacia do Paraná e reconstroem a transição do fim da Era Glacial do Paleozoico

05 de fevereiro de 2026 às 14:27
Geólogo e palinólogo Rafael Reis Bender fazendo leitura de uma lâmina no microscópio Olympus no Instituto de Geociências da UFRGS. Crédito: Pietro Scopel/JU

Muito antes da presença humana no planeta, a Terra já enfrentava profundas transformações climáticas, com impactos diretos sobre os ecossistemas e a vegetação. Entre cerca de 310 e 290 milhões de anos atrás, o supercontinente Gondwana passou por uma transição decisiva: o fim de uma longa era glacial e o início de condições progressivamente mais quentes e secas. É esse intervalo-chave da história do planeta que está no centro da tese de doutorado do geólogo e palinólogo Rafael Reis Bender, defendida em agosto no Programa de Pós-graduação em Geociências da UFRGS, e que resultou na publicação de três artigos em revistas científicas internacionais.

Ao analisar sucessões de microfósseis preservados nas rochas da Bacia do Paraná, como grãos de pólen, esporos e algas microscópicas, o pesquisador reconstruiu, com alto nível de detalhe, as mudanças na vegetação, nos ambientes sedimentares e no clima durante o Paleozoico Superior. “Descrevendo essas associações de microfósseis, conseguimos não apenas datar os estratos rochosos com mais precisão, mas também obter informações sobre os ambientes sedimentares, os ecossistemas associados e até mesmo sobre as condições climáticas da época”, explica Rafael.

O interesse pela palinologia da Bacia do Paraná acompanha o pesquisador desde a graduação e o mestrado, o que tornou o doutorado um aprofundamento natural dessa trajetória. Além disso, a disponibilidade de testemunhos de sondagem bem preservados, cobrindo um intervalo estratigráfico de grande relevância científica, foi decisiva para a escolha do tema. “As rochas funcionam como uma espécie de janela para esse período da história do planeta”, resume.

Confira a matéria completa no Jornal da Universidade.

Artigos: Efeitos da mudança do nível de base, controles paleoambientais e faciológicos sobre as associações palinológicas dos estágios finais do LPIA no sudoeste de Gondwana; Resposta ecológica de associações de microplâncton com paredes orgânicas aos estágios finais da Era Glacial do Paleozoico Superior (LPIA) na Bacia do Paraná, sudoeste de Gondwana; e Sucessão palinológica de alta resolução do Pensilvaniano e Permiano da Bacia do Paraná: palinostratigrafia, implicações paleoclimáticas e correlação em toda a Gondwana
Autor: Rafael Reis Bender
Orientador: Paulo Alves de Souza
Programa: Programa de Pós-graduação em Geociências / Instituto de Geociências

Texto: Marcelo Rosinski, bolsista de Jornalismo no JU
Edição: Mírian Barradas
Revisão: Antônio Falcetta

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