Professoras da UFRGS estão entre as escolhidas do Prêmio Anísio Teixeira 2026

Maria Beatriz Luce e Jaqueline Moll recebem a distinção por suas contribuições relevantes para a educação brasileira

08 de maio de 2026 às 18:52
Docentes premiadas atuaram na Faculdade de Educação - Foto: Rochele Zandavalli/UFRGS - Arquivo

As docentes aposentadas da Faculdade de Educação da UFRGS Maria Beatriz Luce e Jaqueline Moll estão na lista de agraciados com o Prêmio Anísio Teixeira 2026, na categoria Educação Básica, conforme anunciado nesta quinta-feira, dia 7, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A Portaria nº 206/2026, com a lista dos premiados, pode ser acessada neste link. O Prêmio Anísio Teixeira 2026, instituído pela Portaria Capes nº 192, de 4 de maio de 2026, homenageia profissionais brasileiros que se destacaram por suas contribuições relevantes, consistentes e continuadas para o desenvolvimento da educação brasileira. A premiação divide-se em duas categorias: Prêmio Anísio Teixeira da Educação Superior; e Prêmio Anísio Teixeira da Educação Básica. A solenidade de entrega será presidida pelo Ministro da Educação, em data a ser divulgada.

Maria Beatriz Lucce aposentou-se em 2023, mas continua atuando como colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu/UFRGS) e do PPG em Educação da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), instituição da qual reitora pro tempore (2008-2011). Jaqueline Moll também permaneceu ligada à UFRGS depois da aposentadoria em 2018: no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde e na Cátedra UNESCO: Cidade que Educa e Transforma, na qual preside a Assembleia de Delegados. Também atua no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI/FW) e desde 2025 colabora com a organização não-governamental União Planetária e com o Núcleo de Direitos Humanos e estudos para a paz do Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares na Universidade de Brasília (UnB).

Maria Beatriz Luce – Foto: Wagner Machado/UFRGS – Arquivo

“Fazer parte da primeira nominata de educadores agraciados é uma honra e um incentivo”, afirmou Maria Beatriz, ressalvando que “Anísio Teixeira é o Patrono da Escola Pública brasileira; signatário do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), em defesa da democratização da educação; proponente e criador da Escola Parque, em Salvador/BA; foi o líder da criação do INEP e da Capes; e presidente da Capes de 1952 a 1964, quando passou a ser perseguido pela ditadura militar, até falecer em circunstâncias que ainda carecem de esclarecimento”. Ela acrescenta: “Anísio foi sempre uma inspiração para minha vida profissional e como cidadã! Estou extremamente grata por ter sido lembrada nesta premiação. E renova-se em mim a força de seu pensamento para atualizarmos a luta pela Educação Democrática, pela democratização da e na escola/universidade”, acrescentou.

Com uma carreira docente e de pesquisadora iniciada na década de 1970, Maria Beatriz Luce também ocupou cargos administrativos, além da reitoria da Unipampa: foi secretária de Educação Básica no Ministério da Educação (2014-2015); e, no Conselho Nacional de Educação, integrou a Câmara de Educação Superior (2008-2012) e a Câmara de Educação Básica (2004-2008 e 2014). Participou da comissão especial que propôs o SINAES (MEC), da comissão assessora para a criação do Campus Serra da UFRGS e de muitos outros trabalhos na área de Educação, com ênfase em Política, Avaliação, Planejamento e Legislação Educacional, Gestão Universitária e Educação Internacional e Comparada.

Jaqueline Moll – Foto: Ederson Nunes/CMPA

A professora Jaqueline Moll disse que recebeu a notícia do prêmio com muita alegria, porque não se trata de uma vitória pessoal: “entendo como afirmação de um projeto civilizatório no qual a educação tem um papel de humanização da vida e do mundo para construção da dignidade da pessoa humana”. Tendo ingressado no magistério superior em 1987, depois de ser professora dos anos iniciais do ensino fundamental, Jaqueline dedica-se ao trabalho e à pesquisa na área de políticas públicas e práticas pedagógicas, nos temas da alfabetização, educação de jovens e adultos, fracasso escolar, pedagogias urbanas, relações entre escola e cidade, educação integral e ensino médio. Também foi Conselheira do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (2014-2018), trabalhou no Ministério da Educação (2005-2013), nas funções de diretora de Políticas e Articulação Institucional da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica; diretora de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Educação Permanente, Alfabetização e Diversidade e diretora de Currículos e Educação Integral da Secretaria de Educação Básica. Coordenou, no Ministério da Educação, a implantação do Programa de Educação de Jovens e Adultos Integrado a Educação Profissional (PROEJA), de 2005 a 2007, e do Programa Mais Educação, de 2008 a 2013, como estratégia para a indução da política de educação em tempo integral no Brasil.

Jaqueline disse que a premiação também é uma homenagem à UFRGS e acrescentou que ao longo de sua trajetória, em todas as atividades em que se envolveu, pautou-se por um projeto de educação diferenciado, e também de formação de professores, que inclui todas as pessoas.

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