Pesquisa da UFRGS aponta que esses blocos móveis de DNA atuam no embaralhamento dos cromossomos em fungos; artigo recebeu destaque na Revista Nature
20 de agosto de 2026 às 14:05
No Laboratório de Microbiologia Molecular e Proteômica (Lammop) da UFRGS, cada pesquisador auxilia em diversas linhas de pesquisa. Uma das atividades do grupo é o desenvolvimento de estratégias mais sustentáveis para o controle biológico, ou seja, para o monitoramento de pragas e doenças agrícolas. Um dos principais organismos usados para esse propósito é o Metharizium anisopliae, um fungo cultivado no arroz que mata o carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus).
Quando o fungo, a bactéria ou o vírus é prejudicial à saúde, o objetivo dos pesquisadores é fazê-lo perder a sua eficiência. Mas, no controle de pragas, a lógica é inversa: o patógeno (neste caso, o fungo) deve estar otimizado para que ele mate com a maior eficiência.
Enquanto os pesquisadores tentavam entender por que determinadas amostras do fungo do arroz não estavam funcionando tão bem, uma descoberta veio à tona: a perda de virulência estava acontecendo por conta dos chamados DNAs saltadores, que causavam um embaralhamento nos cromossomos e mudavam características do organismo. Esse achado está publicado na Revista Nature e recebeu destaque dos editores em Microbiologia e Doenças Infecciosas.
Essa confusão dos genes não é novidade científica, mas, sim, o fator que está responsável por essa atividade no Reino Fungi: elementos chamados starships, que funcionam como contêineres de DNAs saltadores, isto é, carregam esses últimos para locais dentro do genoma de outros seres vivos. O fenômeno acontece com maior frequência do que se imaginava: “Revisamos starships de outros fungos que estão em bancos de dados, e viu-se, pela primeira vez, que 75% delas carregam esses elementos transponíveis (DNAs saltadores)”, comenta o professor Walter Beys, coordenador do Lammop.
“A gente estava mirando no que era importante para o fungo matar o carrapato e acabou encontrando uma resposta biológica mais relevante, que gerou todo esse destaque: o fato de por que aquele outro não matava”, diz Beys.
O gatilho dessa ação, no entanto, é desconhecido. “A gente não consegue precisar quando isso pode ocorrer. Tem diversos fatores. Existe a pressão ambiental, existe o encontro entre espécies diferentes ou entre organismos da mesma espécie. Mas o evento, o momento que isso pode ocorrer, é indeterminado”, explica.
Leia a reportagem completa no Jornal da Universidade.
Artigo: Transposable elements hitchhike on Starships across fungal genomes
Autores: Hanne Griem-Krey, Júlia de Fraga Sant’Ana, Ursula Oggenfuss, Yohana Porto Calegari-Alves, Ana Luiza Marques, Markus Berger, Lucélia Santi, Walter O. Beys-da-Silva e Michael Habig
Programa/Unidade: Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas – Faculdade de FarmáciaTexto: Camila Fernandes de Souza
Edição: Nicole Trevisol
Revisão: Antônio Falcetta