Aldo Merotto Júnior, Clódis de Oliveira Andrades Filho e Marcelo Meller Alievi foram premiados
01 de setembro de 2026 às 08:20
Três docentes da UFRGS estão entre os premiados na edição de 2026 do prêmio O Futuro da Terra, entregue na noite desta segunda-feira, dia 31, em cerimônia no auditório da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Os premiados da UFRGS são: Aldo Merotto Júnior, na categoria Inovação e Tecnologia Rural; Clódis de Oliveira Andrades Filho e Marcelo Meller Alievi, na categoria Preservação Ambiental.
O prêmio é promovido pelo Jornal do Comércio em parceria com a Fapergs em reconhecimento a contribuições relevantes para o desenvolvimento científico, tecnológico, produtivo e sustentável do agronegócio gaúcho. Nesta edição, foram recebidas 36 indicações: dez para o Prêmio Especial, sete para Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas, sete para Inovação e Tecnologia Rural, oito para Preservação Ambiental e quatro para Startup do Agronegócio.

O professor Aldo Merotto Júnior atua no Departamento de Plantas de Lavoura da Faculdade de Agronomia e Zootecnia, na área de Herbologia, e é orientador de mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia da UFRGS. Seus estudos estão relacionados a resistência de plantas a herbicidas, manejo integrado de plantas daninhas e desenvolvimento de novos métodos de controle de plantas daninhas.
À frente do projeto de pesquisa Ferramentas de detecção rápida e modelagem epidemiológica da resistência a herbicidas como suporte à agricultura sustentável no Sul do Brasil, Aldo explica que a ocorrência de resistência de plantas daninhas a herbicidas é um dos novos problemas da agricultura em todo mundo com grande impacto no custo de produção e na produção de alimentos. “Nossos estudos estão focados no desenvolvimento de estratégias de manejo e detecção da resistência a herbicidas para que a prevenção e o controle sejam determinados de forma a minimizar o impacto econômico e aumentar a sustentabilidade da produção de alimentos”, destaca. O professor informa que o projeto já está em fase de registro de patente.
Sobre a premiação, Aldo entende que é uma forma importante de “reconhecimento a todos os envolvidos em nossos trabalhos, sendo alunos de graduação e pós-graduação e colegas pesquisadores nacionais e internacionais”. Ele acrescenta que o reconhecimento contempla também a interação com colegas de extensão e assistência técnica de cooperativas e empresas e principalmente com produtores rurais das regiões onde são realizados e validados os trabalhos de campo dos pesquisadores. “De forma ainda mais importante, a premiação serve como agradecimento à sociedade e ao sistema produtivo que investem recursos para o desenvolvimento da ciência e inovação. O estado do RS foi pioneiro para o desenvolvimento da agricultura no Brasil. Este protagonismo produziu diversos benefícios para a sociedade gaúcha, e a continuidade da promoção de pesquisas é atualmente ainda mais importante para o desenvolvimento econômico e social do estado”, destaca o professor.

Professor da área de Sensoriamento Remoto, junto ao Departamento de Geodésia, do Instituto de Geociências (IGeo) da UFRGS, Clódis de Oliveira Andrades Filho atua nos cursos de graduação em Geografia, Geologia, Engenharia Cartográfica e de Agrimensura, Engenharia Ambiental e Engenharia de Minas e no Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto (PPGSR), além de liderar o Grupo de Pesquisa Latitude – Sensoriamento Remoto Geológico, Geomorfológico e Dinâmicas da Paisagem (CNPq/UFRGS). Como pesquisador na área de desastres ambientais, liderou o mapeamento de mais de 15 mil deslizamentos e cicatrizes de movimentos de massa decorrentes das fortes chuvas que atingiram o RS em 2024.
No âmbito do Laboratório Latitude, com a participação de alunos de graduação, mestrado, doutorado e de pós-doutorandos, orientados e supervisionados por docentes da UFRGS ou por parceiros docentes de outras universidades brasileiras e estrangeiras, o professor desenvolve atualmente os projetos de pesquisa Cenário geológico-geomorfológico e suscetibilidade nas encostas do Rio Grande do Sul: legado de 2024 e Previne Taquari-Antas Ciência para redução de riscos a movimentos de massa, enxurradas e inundações na Bacia Hidrográfica do Taquari-Antas. Além do trabalho de campo com coleta de dados nessas áreas para análise dos solos e rochas, a equipe também realiza aerolevantamentos com drones, que permitem gerar modelos integrados de informação dos terrenos, que, juntamente com imagens de satélite, permitem avançar nos mapeamentos de risco geológico dos municípios. Clódis informa que a atuação dos pesquisadores inclui ainda a realização de oficinas de capacitação com as comunidades urbanas e rurais sobre prevenção no contexto de risco nas encostas, “valorizando as possibilidade para adoção de estratégias de convívio com o risco de maneira mais segura, tanto para as lavouras e criação de animais, como para as habitações”. Ele avalia que os estudos já têm efeitos práticos de subsídios para gestão pública, para educação e para o fortalecimento das organizações comunitárias, no que diz respeito ao risco. “A atuação do grupo durante o desastre e pós-desastre de 2024 demonstrou a relevância da ciência, da tecnologia e da educação orientada à redução de riscos de modo sensível à natureza e às realidades sociais locais e regionais em questão”, complementa.
Ao comentar sobre a premiação, Clódis afirma que ela representa reconhecimento e oportunidades. Reconhecimento ao trabalho individual e coletivo que desenvolve ciência e tecnologias de qualidade aplicadas à educação e à melhoria da qualidade de vida das comunidades. Oportunidades, por promover visibilidade e possibilidades de que as pesquisas sejam aplicadas em mais contextos e realidades. “Para habitar é necessário se adaptar, e para viver é necessário conviver com os novos riscos advindos das mudanças climáticas, e o Prêmio permite dar luz às ações que precisamos promover visando a um mundo melhor”, analisa o professor.

Marcelo Meller Alievi , professor do Departamento de Medicina Animal e orientador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da UFRGS, atualmente ocupa também o cargo de vice-diretor da Faculdade de Veterinária (Favet). Suas pesquisas concentram-se nas áreas de ortopedia e traumatologia de animais domésticos e silvestres. Alievi dedica-se também a projetos na área de reabilitação e reintrodução de animais silvestres, sendo o coordenador do Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres da UFRGS – Preservas. Sua atuação no Núcleo começou em 2005, quando foi criado o setor de reabilitação ligado ao Ceclimar.
O nome Preservas foi adotado em 2010, em função da demanda crescente por atendimentos vinda de diferentes órgãos ambientais, prefeituras, mantenedouros de fauna e da própria comunidade. Atualmente, o Preservas é ligado ao Hospital de Clínicas Veterinárias da UFRGS e desenvolve diversas atividades além do atendimento clínico-cirúrgico a animais silvestres. Com a intenção de despertar a consciência conservacionista e visando à promoção da saúde, o Núcleo realiza sessões de Educação Ambiental em escolas de Porto Alegre, com apresentação de noções de preservação ambiental, saúde pública e zoonoses. Conforme Alievi, o enfoque principal é direcionado para a identificação da fauna nativa e sua biologia, dando ênfase a espécies de maior ocorrência em áreas urbanas e que, portanto, apresentam maior conflito com os humanos. O objetivo é fornecer informações necessárias para evitar o conflito e orientar sobre as atitudes corretas a serem tomadas e quais os órgãos responsáveis devem ser contatados quando se encontra um animal silvestre na zona urbana. Desde 2025, a “marca” Preservas tem Certificado de Registro da Marca pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), sendo propriedade da UFRGS, que detém seu uso exclusivo.
Alievi destaca que o reconhecimento ao trabalho do Preservas por meio do Prêmio O Futuro da Terra é “uma injeção de ânimo para toda a equipe continuar lutando pelo que acredita”. Segundo ele, o grupo enfrenta vários desafios, entre eles a ampliação da área física para ser possível aumentar o recebimento de animais silvestres e, principalmente, para oferecer melhores condições de tratamento e reabilitação a eles. “Nosso dia a dia é desafiador e feito de alegrias e tristezas. Esse prêmio traz uma energia extra para mantermos as nossas atividades e buscarmos ainda mais conquistas, visando à preservação do meio ambiente”, salienta o professor.
Confira a lista dos agraciados de 2026
Prêmio Especial: Eliana Badiale Furlong – Universidade Federal do Rio Grande (Furg)
Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas: Antônio Luis Santi – Universidade Federal de Santa Maria-Frederico Westphalen (UFSM–FW)
Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas: Luciano Carlos da Maia – Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Cadeias de Produção e Alternativas Agrícolas: Ricardo Zambarda Vaz (UFSM)
Inovação e Tecnologia Rural: Tatiana Emanuelli (UFSM)
Inovação e Tecnologia Rural: Michele Greque de Morais-Costa (Furg)
Inovação e Tecnologia Rural: Aldo Merotto Júnior – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Preservação Ambiental: Clódis de Oliveira Andrades Filho (UFRGS)
Preservação Ambiental: Renato Zanella (UFSM)
Preservação Ambiental: Luciano Kayser Vargas – Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi)
Preservação Ambiental: Marcelo Meller Alievi (UFRGS)
Startup do Agronegócio: Semiocrop Agrobiotecnologia (Representante Jeferson Steffanello Piccin)
Startup do Agronegócio: Entomos Biotecnologia Ltda. (Representante Daniela da Costa e Silva)
Reconhecimento 30 anos do Prêmio: José Eloir Denardin (Embrapa Trigo)