Pesquisas fortalecem monitoramento de vírus emergentes com potencial pandêmico

Com atuação que vai do litoral do Rio Grande do Sul à Antártica, pesquisadores do Laboratório de Virologia da UFRGS utilizam novas tecnologias e redes colaborativas para acompanhar a evolução do H5N1 e de outros vírus infecciosos

27 de agosto de 2026 às 20:56
Foto: Ana Cláudia Franco/Arquivo de Pesquisa

A preocupação crescente com a saúde única – conceito que integra a saúde humana, animal e ambiental – tem impulsionado novas frentes de pesquisa no Laboratório de Virologia do Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A emergência e a rápida disseminação do vírus influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) motivaram uma mudança no foco das pesquisas, que antes eram concentradas em vírus de animais domésticos e, hoje, também abrangem a virologia ambiental e o monitoramento de espécies silvestres.

De acordo com a coordenadora do Laboratório, Ana Cláudia Franco, a circulação global do H5N1 passou a chamar a atenção da comunidade científica a partir de 2022, quando o vírus, transportado por aves migratórias, espalhou-se da Ásia e da Europa para a América do Norte e, posteriormente, percorreu toda a costa do continente até alcançar a Antártica, em 2024. O avanço do vírus reforçou a necessidade de ampliar o monitoramento em aves silvestres e, posteriormente, em mamíferos marinhos, como baleias, golfinhos, toninhas, focas e lobos-marinhos.

A partir desse cenário, o Laboratório de Virologia, que reúne 21 pesquisadores entre estudantes de iniciação científica, pós-graduandos e pós-doutorandos, passou a estabelecer parcerias com especialistas e instituições de diferentes áreas. Entre elas estão a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), além de organizações não governamentais e órgãos públicos ligados à saúde e ao meio ambiente.

Essa colaboração resultou na aprovação de projetos de pesquisa voltados ao monitoramento de vírus emergentes. Um deles é a Vigilância de doenças potencialmente emergentes, zoonoses e do impacto antropogênico na Ecologia antártica (Videantar), financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) com o apoio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

O projeto prevê três expedições científicas ao continente antártico, das quais duas já foram realizadas. Durante as missões, pesquisadores trabalham tanto embarcados quanto em acampamentos instalados em ilhas, realizando coletas de amostras ambientais e biológicas para identificar a circulação do H5N1 e de outros vírus.

Leia a reportagem completa no Jornal da Universidade.

Texto: Amanda Veríssimo
Edição: Nicole Trevisol
Revisão: Antônio Falcetta


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