Museu da UFRGS expõe fotografias sobre o protagonismo negro na história de Porto Alegre

Mostra permanece aberta para visitação até 18 de dezembro

18 de setembro de 2026 às 09:58
Foto: Divulgação

Em parceria com o coletivo Almas Retintas, o Museu da UFRGS apresenta a exposição “A força da memória”, que celebra os 20 anos do livro “Negro em preto e branco: história fotográfica da população negra de Porto Alegre”. Com fotos da autora do título, Irene Santos, textos da jornalista Vera Daisy Barcellos e idealização da documentarista Lizandra Moraes, a mostra retrata o protagonismo das pessoas negras na memória da capital gaúcha. A visitação ao espaço ocorre até 18 de dezembro, de segunda a sexta, das 8h às 20h. A entrada é gratuita. Uma vez por mês, o Museu também abre no sábado – a data é divulgada nas redes sociais ou pode ser consultada pelo telefone 3308-3390.

A exposição busca ampliar o impacto do livro “Negro em preto e branco: história fotográfica da população negra de Porto Alegre”, publicado por Irene em 2005. A obra contou, ainda, com montagem e divulgação de Silvia Abreu e revisão de Oliveira Silveira, professor, poeta, um dos principais articuladores da criação do Dia da Consciência Negra e Doutor Honoris Causa pela UFRGS. Dessa forma, o projeto expográfico resgata as imagens registradas por Irene e pelas lentes da fotógrafa e o acervo histórico que ela organizou, evocando álbuns de família, lembranças coletivas e a potência da fotografia como ferramenta de reparação. A mostra nasce do trabalho da produtora e documentarista Lizandra Moraes, a partir de seus estudos sobre a política educacional de museus junto ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A concepção conta ainda com o apoio do Ponto de Cultura Terra de Bambas, onde o artista Sílvio Oliveira materializa o projeto arquitetônico que dá corpo à exposição, criando um percurso que atravessa memórias. “Assim como Anastácia, que foi impedida de falar, nós estamos falando com os olhos. O livro surgiu para ser um grito de protesto”, conta Irene.

A partir de diferentes retratos, a mostra procura refletir sobre as trajetórias de sujeitos que impulsionaram a luta por igualdade e justiça social na capital. Vera Daisy Barcellos, que contribuiu com a publicação homenageada e, tal como Irene, é egressa da Universidade, realça a importância da instalação da exposição no Museu da UFRGS. “Há 60 anos, era uma solidão muito grande ser uma jovem estudante negra”, menciona. Emocionada, a jornalista enfatiza o significado da instituição retomar um título redigido no início do século XXI: “O nosso projeto com esse trabalho é valorizar a população negra e chamar a atenção do povo porto-alegrense para essa população que também construiu a cidade”.

“A força da memória” terá programação educativa especial, visando garantir a preservação do legado negro gaúcho e o reconhecimento da cultura local. “Quem vier ao Museu da UFRGS nos encontrar, reencontrará o olhar do afeto e do abraço que toda grande casa do axé pode oferecer”, destaca a produtora cultural Lizandra Moraes.

Para participar das atividades, basta acompanhar as próximas atualizações dos perfis @museu.ufrgs e @almasretintas no Instagram.

Acessar o conteúdo