Cláudio Canal e Marcia Maria Pinheiro Margis receberam o prêmio O Futuro da Terra nesta segunda-feira
02 de setembro de 2025 às 13:00
Ocorreu na noite desta segunda-feira, 1º de setembro, na Casa da Farsul, na 48ª Expointer, a cerimônia de entrega dos troféus aos vencedores da 29ª edição do Prêmio O Futuro da Terra, uma das principais distinções científicas e ambientais do Rio Grande do Sul. Criado em parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapergs) e o Jornal do Comércio, o prêmio é entregue anualmente durante a Expointer como reconhecimento a iniciativas e trajetórias que unem inovação tecnológica, desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental no setor primário.
Entre os agraciados em 2025, estão dois professores da UFRGS: Cláudio Wageck Canal (da Faculdade de Veterinária), na categoria Cadeias de Produção; e Marcia Maria Auxiliadora Naschenveng Pinheiro Margis (do Instituto de Biociências), na categoria Inovação e Tecnologia Rural.

Cláudio Canal ingressou como professor na UFRGS em 1998 e, a partir de 2004, assumiu a coordenação do setor de Virologia, dedicando-se a entender, diagnosticar e controlar vírus que afetam animais de produção, silvestres e de companhia. Foi responsável por levar para a veterinária as técnicas de biologia molecular, como a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que eram restritas à medicina humana. No início dos anos 1990, participou da primeira PCR feita no Rio Grande do Sul – inicialmente para pesquisa básica – e logo vislumbrou sua aplicação para doenças animais. A premiação, segundo ele, “representa o reconhecimento de quase 30 anos de pesquisas voltadas a conhecer melhor as doenças causadas por vírus em animais de produção, como aves, suínos, ovinos e bovinos”. O professor explica que “este conhecimento tem sido utilizado para melhorar a saúde destes animais e, consequentemente, aumentar seu bem-estar e produtividade”.

Marcia Maria Margis é membro titular da Academia Brasileira de Ciências e dedica-se há mais de 20 anos à pesquisa em genética funcional do arroz, com ênfase na compreensão dos mecanismos moleculares de resposta a estresses abióticos que contribuem diretamente para a sustentabilidade agrícola em cenários de mudanças climáticas. Ela explica que o estresse abiótico – como salinidade, seca, alagamentos, altas ou baixas temperaturas, deficiência de minerais ou toxicidade de metais – limita a produtividade agronômica no mundo, por isso “o entendimento dessas respostas é essencial para programas de melhoramento genético de plantas cultiváveis”. Seu modelo principal de pesquisa é o arroz, devido a sua importância econômica e social. “O arroz alimenta mais da metade da população humana. Além disso, ele é importante para a agricultura e para o nosso Estado. A maior parte do arroz consumido no Brasil é produzida no Rio Grande Sul”, acrescenta.
Os vencedores foram escolhidos por um colegiado formado por integrantes do Comitê de Assessoramento Científico e Tecnológico da Área de Ciências Agrárias da Fapergs, que avalia projetos e currículos com base em mérito científico e impacto social.
Confira a lista completa dos agraciados na 29ª edição do Prêmio O Futuro da Terra:
Cadeias de Produção
Inovação e tecnologia rural
Preservação ambiental
Startup inovadora
Prêmio especial