Inovação permite aplicações farmacêuticas mais eficazes e indolores
30 de junho de 2026 às 10:56
A pesquisa de doutorado de Patrícia Weimer no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF) da UFRGS resultou na patente de uma nova tecnologia de microagulhas para a liberação de fármacos pela via transdérmica de forma indolor e eficiente. Trata-se do primeiro pedido de patente (BR 102024017136-5) na área de microagulhas depositada por uma instituição de ensino superior brasileira. Processo conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico (Sedetec), que é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UFRGS. Desde 2020, o grupo de pesquisa liderado pela professora Letícia Koester, que orientou Patrícia Weimer no doutorado, está trabalhando no desenvolvimento desta que é uma das dez tecnologias emergentes no mundo. As microagulhas são estruturas microscópicas capazes de atravessar as camadas superficiais da pele de forma minimamente invasiva, permitindo aplicações farmacêuticas com potencial para ampliar a eficácia de tratamentos e melhorar a experiência dos pacientes. A redação da patente foi feita pela professora Letícia Koester como trabalho de conclusão do curso de Especialização Perícia em Propriedade Intelectual e Inovação, com orientação de Kátia Cunha, também pela UFRGS.
A tese de Patrícia Weimer, defendida em 2024, é resultado do interesse da pesquisadora em buscar uma alternativa ao uso via oral da substância beta-cariofileno (um dos compostos presentes na oleorresina da copaíba, uma planta amazônica) para potencializar seu efeito em quadros de dores crônicas, como a osteoartrite. Ao pesquisar as tecnologias emergentes para entrega de fármacos, Patrícia identificou, em 2020, o potencial inovador das microagulhas dissolvíveis e a possibilidade de obtenção de um efeito local e também sistêmico. Um dos desafios encontrados ao longo do processo de pesquisa foi a inexistência de guias regulatórios específicos para microagulhas. “Para contornar esse desafio, o primeiro passo foi elaborar uma revisão sobre os métodos de controle de qualidade empregados na caracterização das microagulhas”. A publicação desta revisão chamou atenção da PATH Center of Excellence for Microarray Patch Technology, organização internacional de desenvolvedores deste tipo de tecnologia. Em 2023, a PATH inseriu a UFRGS como a única instituição da América Latina envolvida no desenvolvimento de microagulhas. Segundo a professora Letícia, atualmente, no Brasil, a UFRGS é a instituição com estudos mais adiantados nessa área.

Professora Letícia Koester redigiu o pedido de patente – Foto: Arquivo pessoal
O depósito da patente representa um marco para a pesquisa farmacêutica nacional e evidencia a articulação entre produção científica, inovação tecnológica e formação em propriedade intelectual no âmbito da UFRGS. A professora Letícia Koester informa que projeções do Future Market Insights estimam que o mercado global de microagulhas apresente taxa de crescimento anual composta de 6,6 %, o que representa US$ 1,6 bilhões até 2036.
Patrícia está participando, junto com as mestrandas Júlia Waszak e Karen Araújo, do PPGCF, da Maratona de Empreendedorismo da UFRGS com uma proposta de deep tech buscando a transferência dessa tecnologia e do know-how a empresas farmacêuticas e cosméticas. Patrícia afirma que o objetivo é viabilizar a tecnologia das microagulhas dissolvíveis para o território nacional. “Queremos muito avançar no desenvolvimento de novas formulações com potencial de mercado e contribuir com a expertise que possuímos quanto à produção e caracterização desses sistemas.”

Foto: Arquivo Pessoal
Paralelamente, Patrícia Weimer também atua como professora substituta na Faculdade de Farmácia da UFRGS em disciplinas de tecnologia farmacêutica e como pesquisadora nível pós-doutorado, em projeto supervisionado pelo professor Helder Teixeira de desenvolvimento de um colírio para promoção de edição gênica e tratamento da opacificação da córnea em mucopolissacaridose do tipo I (MPS I).
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