Animal recebeu tratamento após ser encontrado com diversas lesões pelo corpo
23 de setembro de 2025 às 12:47
O macaco-prego (Sapajus nigritus) apelidado de Fernandinho está de volta ao Campus do Vale. Ele foi reintroduzido na natureza em 20 de setembro, após um período de reabilitação. O animal, que foi resgatado em 31 de julho, recebeu tratamento por cerca de um mês e meio no Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres (Preservas), da Faculdade de Veterinária (Favet), coordenado pelo professor Marcelo Alievi, com o Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal.
O resgate e a soltura foram feitos pela bióloga formada há um mês pela UFRGS Danielle Baccon nas proximidades do Instituto de Biociências. O macaco apresentava diversas lesões, resultado de uma briga de bando, e o tratamento no Preservas teve como objetivo garantir a recuperação completa do animal para que ele pudesse ser devolvido à natureza em condições de saúde adequadas. Logo após o seu retorno, outros macacos da espécie que vivem na área se aproximaram e integraram o indivíduo ao grupo.
Danielle Baccon comenta que esses animais estão cada vez mais próximos das residências da região e dos prédios do Campus do Vale, possivelmente devido ao desmatamento e à perda de habitat. Por isso, o Projeto Macacos Urbanos (PMU) da UFRGS orienta que alunos e funcionários da Universidade não alimentem ou se aproximem dos animais. Ao se acostumarem com a interação humana, os macacos podem perder a capacidade de buscar alimento na natureza e ficam expostos a maiores riscos, como doenças, atropelamentos, ataques de cães e maus-tratos.
Ajude a monitorar com o aplicativo
O caso do macaco-prego reabilitado é parte de uma ação do PMU, projeto criado em 1993 que desenvolve diversas atividades de conservação e é responsável pelo aplicativo “Olha o macaco”, um aplicativo web (não precisa de download) que permite a qualquer pessoa registrar avistamentos e acidentes envolvendo primatas. Ferramenta de ciência cidadã, o aplicativo foi o tema do trabalho de conclusão de curso da aluna Danielle Baccon e teve o suporte de uma empresa privada.
Segundo a equipe do PMU, o Campus do Vale é o local com mais registros em todo o RS, um sinal claro da participação ativa de alunos e funcionários. As informações coletadas, como imagens, espécie e quantidade avistada nos locais, são cruciais para a pesquisa e conservação desses animais, ajudando a entender sua distribuição e comportamento. Para conhecer o aplicativo, basta acessar app.olhaomacaco.com.br.
Mais informações sobre ações como essa podem ser encontradas no Instagram @macacosurbanos e @preservasufrgs.