Foram eleitos como membros titutlares a professora Marilene Henning Vainstein, do Instituto de Biociências, e Paulo César de Faccio Carvalho, da Faculdade de Agronomia
27 de novembro de 2025 às 10:56
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgou, no último dia 19 de novembro, o resultado das eleições para membros titulares e correspondentes. Entre membros titulares, foram eleitas 10 mulheres e 9 homens. Da UFRGS, foram escolhidos a professora Marilene Henning Vainstein, do Instituto de Biociências, para a área de Ciências Biológicas, e o professor Paulo César de Faccio Carvalho, da Faculdade de Agronomia, na área de Ciências Agrárias.
Marilene é docente titular do Departamento de Biologia Molecular e Biotecnologia da UFRGS, orientadora permanente do PPG Biologia Celular e Molecular (PPGBCM) do Centro de Biotecnologia. Tem experiência em Microbiologia e em Genética Molecular e de Microrganismos. Atuou como pesquisadora do Centro de Biotecnologia da UFRGS e coordenou a Incubadora de Empresas (IE-CBiot), que tem como principal missão estimular a criação e o fortalecimento de empresas e projetos tecnológicos em biotecnologia e áreas afins.
Paulo é professor titular da UFRGS junto ao Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da Faculdade de Agronomia. Dedica-se a pesquisas na área da produção vegetal na agricultura sustentável e sistemas integrados em produção agropecuária, atuando em pesquisa e extensão na relação solo-planta-animal. Seus trabalhos estudam o processo de pastejo em ambientes pastoris naturais, cultivados ou integrados com agricultura. Foi quatro vezes agraciado com o Prêmio Futuro da Terra pela Fapergs/Jornal do Comércio, e três vezes com o Prêmio “Prof. Otávio Domingues” pela Sociedade Brasileira de Zootecnia. É coordenador técnico do Programa PISA (Produção Integrada de Sistemas Agropecuários) que em conjunto com MAPA/UFPR e Sebrae/Senar/Farsul (Programa Juntos para Competir) e outros parceiros atende 127 municípios no sul do Brasil, alcançando três mil famílias de pequenos produtores familiares.
Reconhecimento
A professora Marilene disse considerar a nomeação como um reconhecimento importante ao trabalho desenvolvido no Centro de Biotecnologia (CBiot) e à ciência produzida na Universidade. “Sinto-me honrada por representar a UFRGS e as áreas de Ciências Biológicas e Biotecnologia na Academia Brasileira de Ciências. Esta distinção reflete a trajetória coletiva construída com estudantes, colegas e colaboradores e reforça o papel das universidades públicas como pilares da ciência brasileira. É também uma oportunidade de contribuir para o fortalecimento da pesquisa científica e da formação de novas gerações de pesquisadores comprometidos com a inovação e a sustentabilidade”.
As pesquisas que a docente desenvolve na UFRGS – com fungos patogênicos humanos e microrganismos ambientais de potencial biotecnológico – dialogam diretamente com a missão da ABC ao buscar soluções baseadas em ciência para desafios nas áreas da saúde, do meio ambiente e da infraestrutura.


Prioridades durante o mandato
A pesquisadora do Instituto de Biociências pretende defender ações que reforcem o papel da biotecnologia e da microbiologia na transição para uma economia sustentável e apoiar pesquisas que unam inovação e responsabilidade ambiental durante seu mandato. “Também considero prioritário o estímulo à formação científica e ao apoio contínuo a redes colaborativas entre instituições brasileiras e internacionais”, acrescentou.
Dentre os principais desafios de seu novo papel na ABC, a pesquisadora destacou a ampliação da integração entre diferentes áreas do conhecimento e a aproximação entre a Academia e a sociedade. “É fundamental tornar a ciência mais acessível, valorizada e participativa, especialmente diante de desafios globais como as mudanças climáticas, as doenças emergentes e a busca por soluções tecnológicas sustentáveis”. Ao detalhar suas atribuições como membro titular da Academia, Marilene afirmou que irá atuar no âmbito consultivo e propositivo, contribuindo com debates científicos e estratégicos voltados ao fortalecimento da ciência nacional. A professora também planeja colaborar em iniciativas que promovam a interdisciplinaridade e a internacionalização, além de incentivar a presença de jovens pesquisadores e a equidade de gênero na ciência.
A fim de fortalecer a ABC internamente e em sua relação com a sociedade, Marilene avalia que, internamente, é importante manter o diálogo entre diferentes áreas e gerações de cientistas; externamente, julga fundamental fortalecer a comunicação com a sociedade e o poder público, reforçando a mensagem de que investir em ciência é investir no futuro do país.