Definição do conceito
Aias são personagens mulheres aptas reprodutivamente para conceber, cuja função é proporcionar filhos legítimos para Comandantes dos Fiéis e outros homens que se qualificam por ocupar altas posições no regime — como Anjos —, quando suas esposas são inférteis. O papel de Aias coube às mulheres que foram consideradas adúlteras e/ou moralmente inaptas, segundo as leis da República de Gilead, devido à contração de segundos casamentos, à realização de abortos ou a ligações extraconjugais ou homossexuais no período pré-Gilead. As Aias são reeducadas no Centro de Reeducação Raquel e Lea e, após, designadas para servir um homem, ficando dois anos em cada posto. A concepção deve ocorrer através do ritual de Cerimônia. Caso a Aia alcance o seu objetivo de gerar crianças saudáveis, ela é recompensada com a garantia de nunca ser considerada uma Não mulher, evitando ser enviada para as Colônias. As Aias não possuem nome próprio, devendo adotar como designação a preposição “Of”, isto é, “de”, mais o nome do Comandante para o qual estão designadas. Quando trocam de posto, as Aias também trocam de designação. As Aias trajam vestidos vermelhos e toucas brancas de abas largas. As Aias conhecidas no livro “O conto da aia” são: Ofcharles, Offred, Ofglen e Ofwarren.
Referência completa da Definição:
ATWOOD, Margaret. O conto da aia. Tradução de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.
THE HANDMAID’S TALE BRASIL. Aias. [Anchieta, c2017]. Disponível em: https://www.handmaidsbrasil.com/p/aias.html. Acesso em: 26 ago. 2022.
Garantia literária
“Enquanto esperamos em nossa fila dupla, a porta se abre e mais duas mulheres entram, ambas com os vestidos vermelhos e toucas brancas de abas largas das Aias. Uma delas está enorme de grávida, a barriga, sob as roupas largas, se avoluma triunfantemente. Há uma mudança no ambiente, um murmúrio, uma exalação de ar; sem querer viramos a cabeça, de maneira ostensiva, para ver melhor; nossos dedos anseiam por tocá-la. Ela é uma presença mágica para nós, um objeto de inveja e desejo, nós a cobiçamos. Ela é uma bandeira no alto de uma colina que nos mostra o que ainda pode ser feito: também podemos ser salvas.” (ATWOOD, 2017, p. 37).
Nota de citação
ATWOOD, Margaret. O conto da aia. Tradução de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017.